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quarta-feira, 7 dezembro, 2022

Sim, me preocupo

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Após o domingo, minhas preocupações aumentaram. Não comigo, mas com as atuais e futuras gerações. Estou chegando aos 70 anos, e não serei nenhum Matusalém – ou seja, não tenho a vida toda pela frente. E os mais novos, como viverão? Terão boas escolas? Terão boas oportunidades de trabalho? E que tipo de caráter está neles formado?

Também não sou saudosista. Mas fui criado numa família com pais enérgicos e de bons exemplos. Tive boas escolas, e sempre trabalhei (e ainda trabalho, apesar de aposentado). Via o mundo à minha volta de uma forma correta. Dava-se valor a quem tinha, aplaudia-se quem merecia. Vi jogadores como Pelé, cantores como Silvio Caldas e Orlando Silva; também vi, de longe, guerras como a do Vietnan; vi o movimento hippie.

Tive excelentes professores, preocupados em ensinar e não me empurrar para a direita ou para a esquerda. Vi e vivi no regime dos militares em nosso país. Nunca foi perseguido nem questionado. Fazia-se o que era correto. Estudante estava na escola para aprender, e não para fazer baderna. Maconha dava cadeia. Carteira Profissional era o melhor documento que alguém podia apresentar. Não havia greves, nem invasão de casas ou terras.

Podia andar nas ruas madrugada afora, sem risco de ser roubado ou agredido. Falava-se muito mal da Rota, mas nas poucas vezes em que a Rota me abordou, na Capital, me tratou bem e ainda me desejou boa viagem ao saber que voltava para Jundiaí. As redações eram movidas a máquinas de escrever. Sou do tempo do telex e da telefoto. Tempo demorado, e não posso negar que boa parte das modernidades atuais ajudam muito no trabalho.

Mas o que preocupa é um pouco de tudo. Fumar maconha tornou-se normal, e há quem estranhe quando digo que nunca experimentei a droga. O sexo tornou-se banal – com quem quiser, em qualquer lugar, em qualquer hora. As consequências se vê depois. Trabalhar é praticamente um insulto – melhor depender das ajudas do governo, da bolsa-vagabundagem.

Nem dá para questionar a qualidade das músicas atuais. Seria perder tempo. Livros tornaram-se coisa do passado – ninguém lê. E por isso fala-se mal, errado, desconexo. Jovens têm vocabulário limitado e a maioria não sabe pensar. Estudantes chegam ao Enem sem saberem Matemática e Português. E só de lembrar que antes se aprendia, além de Matemática e Português, Geografia, História Geral, História do Brasil, Desenho, Francês, Inglês, Latim…

E precisava ter letra bonita, bem feita. Havia caderno de caligrafia. Hoje são garranchos e mais garranchos. Muitos sequer sabem como segurar uma caneta para escrever. Contas, só com ajuda de calculadora. Conta-se nos dedos as pessoas que sabem escrever com uma caneta-tinteiro, mas sabe-se que a juventude de hoje não sabe o que é essa caneta.

Vi e ouvi figuras políticas de projeção. Figuras cultas, preparadas, sinceras e honestas. Nada semelhante às atuais. Uma das razões da minha preocupação após o domingo. É difícil entender como alguém consegue convencer milhões de pessoas a acreditar em falsas promessas. Promessas que não condizem com seu passado criminoso.

Mais difícil é ver que figuras folclóricas, ignorantes, inúteis, foram eleitas para compor o Congresso Nacional e as assembleias legislativas. Figuras que passarão quatro anos enrolando, enganando, e vivendo do dinheiro dos nossos impostos. Alguns, de misteriosas propinas. Se hoje já está assim, dá para imaginar como nosso mundo estará daqui a dez ou vinte anos.

A esperança está numa afirmação de Albert Einstein, logo após a Segunda Guerra Mundial. Cientista brilhante, foi questionado como seria a Terceira Guerra Mundial. Sua resposta é nossa esperança: A terceira não sei, mas a quarta será a pau e pedra. Tomara que ele tenha razão.

Anselmo Brombal – Jornalista

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