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sábado, 17 abril, 2021

Casos de Covid diminuíram em Chapecó, após lockdown no auge da disseminação do vírus

Cidade de Santa Catarina viveu caos com superlotação hospitalar e hoje passa por dias mais tranquilos

Hoje trago neste artigo, minhas impressões durante o caos hospitalar vivido em Chapecó (SC) no auge da nova onda da Covid-19. Meu nome é Cintia Flores, sou jornalista, nascida e criada em Jarinu. Por 11 anos vivi em Jundiaí, e por motivos pessoais, hoje moro no Oeste Catarinense.

Cheguei em Chapecó no dia 6 de fevereiro. Naquele momento, a cidade que é uma referência no Oeste de Santa Catarina já registrava um aumento no número de casos de Covid-19. Assim como em São Paulo, a cidade funcionava numa espécie de Fase Amarela, com algumas restrições, mas ainda assim, bem flexíveis.

Saindo poucas vezes pela rua, notava alguns cidadãos sem máscara, ou com elas protegendo o queixo, exatamente igual em outras cidades. Vi a mesma cena em Jarinu, São Paulo e Jundiaí.

As coisas começaram a mudar no final de fevereiro, quando o número de casos ativos de Covid-19 chegou à casa dos 4 mil. O Hospital Regional do Oeste, referência na região, assim como é o Hospital São Vicente de Paulo, passou a não ter mais capacidade de atender as pessoas infectadas. As Unidades de Pronto Atendimento tinham filas de espera. E tudo isso, mesmo com a ampliação de leitos no município.

Até então, o prefeito João Rodrigues (PSD) não havia tomado nenhuma atitude drástica e sempre se mostrou contrário ao fechamento da cidade. No dia 22 de fevereiro, porém, foi publicado o primeiro decreto impondo um lockdown na cidade, com toque de recolher no período noturno por sete dias. Apenas serviços essenciais poderiam funcionar.

Chapecó não tinha mais condições de atender tantas pessoas doentes. Foram realizados uma espécie de mutirão de testagens de pessoas com sintomas de Covid. Na ocasião, o prefeito chegou a informar que de 100 testes realizados, 70 davam positivo para Covid-19.

Mesmo com novas estruturas para atendimento especializado, contando com o apoio até de estudantes da área de saúde das Universidades locais e das equipes da Força Nacional, ainda assim a Chapecó precisou enviar pacientes para outras cidades e até para o Espírito Santo.

No boletim divulgado pela Prefeitura de Chapecó em 4 de março, eram 5.555 casos ativos da doença e 314 pessoas internadas. O lockdown se estendeu então por mais sete dias, as campanhas de conscientização foram reforçadas, principalmente para manter as pessoas que testavam positivo para Covid, em casa ou que se encaminhassem para uma das unidades de atendimento. Cansamos de ouvir relatos de pessoas contaminadas circulando pelas ruas.

Também houve um empenho dos empresários da cidade para arrecadar verba para a compra imediata de aparelhos e equipamentos para abrir novos leitos no município. 

Ainda assim, o número de mortos por Covid-19 em Chapecó é assustador e praticamente quadruplicou em 2021. Em janeiro a cidade somava 123 óbitos por Covid-19, e na última segunda-feira (5), a cidade registrava 537. Isso para uma cidade com pouco mais de 220 mil habitantes.

Apesar disso, após o lockdown os números de casos ativos no município começaram a cair. No dia 26 de março eram 1.051 casos e 234 internados, sendo 130 em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O mês de abril começou com 889 casos ativos da doença, 228 pessoas internadas, sendo 131 em UTI.  Nesta quarta (7), a cidade tem 569 casos e 179 internados (116 em UTI). Não há fila de espera por leitos no momento.

Desativação de leitos e aparelhos emprestados a outros municípios

Nos primeiros dias de abril, a Prefeitura passou a desativar alguns dos Ambulatórios montados para atendimento de pacientes respiratórios. Parte dos equipamentos do chamado Centro Avançado de Atendimento Covid, será emprestado a outras cidades. De acordo com a Prefeitura, o local atendeu mais de 200 pacientes, com 102 altas, 19 óbitos e 84 transferências.

O prefeito João Rodrigues, afirmou que apesar do empréstimo de parte dos equipamentos, o CAAC vai continuar montado no Centro de Eventos da cidade, para atender uma nova onda de contágio pela Covid, caso aconteça. Esperamos que não!

E o tal do tratamento precoce?

Este é um assunto que gera grandes debates por aqui. O uso de medicamentos como ivermectina e cloroquina é incentivado por alguns médicos de Chapecó para pacientes que são testado positivo para Covid em Chapecó. Mesmo não tendo eficácia comprovada e várias instituições de pesquisa pedindo a suspensão da administração desse tipo de tratamento.

João Rodrigues é um dos apoiadores do movimento do tratamento precoce defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que veio até o Oeste Catarinense nesta quarta-feira (7) para acompanhar as decisões tomadas pela Prefeitura em relação à pandemia.

O prefeito, no entanto, fala abertamente em tratamento precoce, mas sempre se defende dizendo que tudo depende do entendimento, e que na visão dele, tratamento precoce é ter um diagnóstico e cuidados com o doente de forma ágil. Mesmo assim, o uso desses medicamentos continua sendo estimulado para quem testa positivo. E pelas redes sociais, percebo que a população local também não desaprova o tal tratamento.

 A visita de Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro esteve em Chapecó por cerca de três horas nesta quarta-feira (7) acompanhado pelo Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ao contrário do que costuma fazer em suas visitas, ele usou máscara na maior parte do tempo, retirando apenas quando fez um discurso para cerca de 200 pessoas que estiveram no Centro de Eventos de Chapecó, a maioria empresários, apoiadores e membros do governo municipal e estadual de Santa Catarina.

Por Cintia Flores

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