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quarta-feira, 1 dezembro, 2021
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A de número 30

Estamos sempre acostumados a citar as mortes por Covid como números. Ontem, chegamos a 30 mortos em Jundiaí pelo coronavírus. Se pensarmos em termos racionais os números acabam tirando um pouco nossa responsabilidade dos casos.

Mas vamos falar de ontem. A 30ª morte foi de um rapaz de 26 anos que se chamava Ruan Dias Baldinelli. Ele estava internado no Hospital São Vicente desde o dia 8 deste mês. E pelos próximos parágrafos vou citar o nome dele muitas vezes porque acredito que assim vamos tirar o “número” que colocaram em sua história.

Ruan não tinha doença preexistentes segundo amigos e familiares. Segundo a nota da prefeitura ele tinha obesidade. Mas não uma obesidade mórbida, apenas um sobrepeso segundo imagens de suas redes sociais. Acho que nossos olhos conseguem distinguir quem está com problemas sérios de obesidade e quem apenas está só um pouco “gordinho”.

Ruan era cabeleireiro e seu salão ficava na Vila Rami. Morador do bairro Cidade Nova tinha a vida inteira pela frente. Não chegou aos 30 anos. Não pôde comemorar a data de ontem, dia Internacional contra a Homofobia. Não que devesse ser comemorado mas foi um avanço na luta LGBT na qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. Sim, isso foi há 30 anos.

Ruan não viveu a época em que ser gay era ser doente mas também não pôde comemorar essa conquista pelos que viveram nessa época obscura.

Rodrigo Victorino, seu parceiro, disse que Ruan teve uma tosse e rapidamente veio a febre e a falta de ar. A internação veio em seguida. Com um ano e meio de relacionamento ele se recorda dizendo que Ruan era “uma pessoa incrível, que sempre colocava a necessidade dos outros na frente das dele.”

Rodrigo, ainda em entrevista ao portal Tribuna de Jundiaí, enalteceu as qualidades de Ruan citando que “as pessoas iam no salão muitas vezes só para conversar e rir a tarde inteira com ele. [pois] Tinha um sorriso contagiante”.

Rodrigo ainda completou que ele mudou sua vida da cabeça aos pés no qual o fez enxergar coisas que não faziam sentido e o ensinou que as pessoas precisam ser perdoadas. Mas o mais importante é que “a vida é muito curta para vivermos de remorso”. E ele tinha razão.

Ruan não foi apenas a 30ª morte em um dia em que se comemorou 30 anos de combate à homofobia. Ruan era um parceiro, um filho e um amigo amado por todos.

Importante a gente perceber com tudo isso que o vírus não escolhe ninguém. Nem raça, nem cor, nem gênero e nem sexualidade. E cada vez mais a gente percebe que ele não escolhe apenas os idosos e pessoas com doenças preexistentes. Ele pode matar eu, você ou qualquer um que estiver contato. E caminhar na nove de julho como se todos os dias fossem domigo só tende a aumentar a quandidade de vidas – e não números – que amigos e familiares perdem.

Tenha consciência para que nenhum Rodrigo mais perca seu Ruan.

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