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quarta-feira, 17 abril, 2024

Recorde histórico: 7,3 milhões de pedidos de demissão foram registrados em 2023

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Em 2023, o volume de trabalhadores que optaram por pedir demissão atingiu um patamar recorde, totalizando 7,3 milhões de indivíduos que deixaram seus empregos com carteira assinada de forma voluntária. Esses números são revelados por uma pesquisa conduzida pela LCA Consultores com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Este é o maior registro de pedidos de demissão desde o início da coleta de dados em 2004. Comparativamente, em 2022 foram contabilizados 6,8 milhões de pedidos de demissão, enquanto em 2021 o número foi de 5,6 milhões.

Um outro recorte desses mesmos dados, elaborado pela consultoria Robert Half, focalizando exclusivamente profissionais com formação universitária completa e idade superior a 25 anos, revela um índice de demissões voluntárias ainda mais significativo: alcançando 39%.

No período analisado, o número total de desligamentos atingiu a marca de 21,5 milhões, incluindo tanto as demissões realizadas pelas empresas quanto os pedidos de demissão voluntária. O que motivou mais de 7 milhões desses desligamentos voluntários? De acordo com especialistas, dois fatores sobressaem: a baixa taxa de desemprego e a ausência de perspectivas de crescimento dentro do emprego atual.

Mercado aquecido

Em 2023, a média nacional de desemprego registrou um índice de 7,8%, o que representa a menor taxa em quase uma década, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados no final de janeiro.

De acordo com Lucas Nogueira, diretor-regional da Robert Half, essa taxa de desemprego exerce um impacto significativo no cenário observado. “Temos uma taxa de desemprego e de mão de obra qualificada baixa. O desemprego geral do Brasil está em torno de 10%. Portanto, para uma pessoa qualificada se recolocar, com esses níveis de desemprego mais baixos, ela também se sente mais à vontade para pedir demissão e procurar uma nova oportunidade de trabalho”, analisa Nogueira.

Na visão de Nogueira, outra causa primordial desses desligamentos voluntários é a falta de perspectiva de crescimento dentro da empresa. “O que mais se percebe nessas saídas voluntárias é a falta de perspectiva de carreira”, afirma.

O turnover voluntário, também conhecido como taxa de rotatividade de funcionários, é um indicador crucial para as empresas, pois reflete a movimentação de colaboradores que decidem deixar a organização por vontade própria.

Aproximadamente 25% das empresas enfrentaram uma rotatividade de funcionários entre 5% e 10%, enquanto 23% lidaram com uma taxa acima de 10%.

Em comparação com o ano anterior, quase metade das empresas (47%) relatou que o turnover em 2023 permaneceu igual ao registrado em 2022.

No entanto, 24% observaram um aumento nesse índice, indicando possíveis desafios na retenção de talentos.

“Os índices de turnover não são apenas números, são reflexos de grande parte da saúde organizacional; por isso, é fundamental compreendê-los, mas o fato é: a primeira e melhor maneira de prevenir a perda de talentos começa com um processo de recrutamento bem executado. A estratégia de retenção deve começar com o alinhamento de expectativas já na sala de entrevista”, afirma Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half.

As causas

De acordo com economistas, o aumento nos pedidos de demissão é atribuído a diversos fatores, incluindo a crescente tendência das pessoas em buscar empregos alinhados às suas expectativas, o ingresso de mais jovens no mercado de trabalho e a implementação da nova metodologia do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) pelo Ministério do Trabalho.

As razões por trás dessas saídas voluntárias são diversas, conforme levantamento da Robert Half que considerou profissionais com nível superior completo. A maioria (65%) destaca “melhores oportunidades em outras empresas” como o principal motivador.

Em segundo lugar, 25% mencionam a “falta de oportunidades de crescimento na empresa”, ressaltando a importância do desenvolvimento profissional. Em terceiro lugar, 20% apontam “salários abaixo da média do mercado”.

Futuro do mercado de trabalho

Os desligamentos voluntários exercem um impacto significativo no futuro do mercado de trabalho em diversas frentes.

Primeiramente, essas saídas podem criar lacunas de habilidades em setores específicos, especialmente quando profissionais altamente capacitados optam por deixar seus cargos.

Esse movimento tende a intensificar a competição por talentos qualificados, aumentando a pressão sobre as empresas para atrair e reter esses profissionais.

Além disso, os desligamentos voluntários podem ter um impacto na economia das empresas devido ao possível aumento nos salários.

“Com o turnover, os salários começam a subir, o que pode ocasionar uma inflação salarial”, analisa Nogueira.

Segue abaixo a lista completa dos motivos mais citados pelos entrevistados:

  • Melhores oportunidades em outras empresas;
  • Falta de oportunidades de crescimento na empresa;
  • Salários abaixo da média do mercado;
  • Problemas de conciliação entre trabalho e vida pessoal;
  • Falta de reconhecimento e recompensas;
  • Retorno ao trabalho presencial;
  • Dificuldades de comunicação e feedback.

Essa análise integra a 26ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), resultado de uma sondagem realizada pela empresa com a participação de 387 recrutadores, profissionais responsáveis pelo recrutamento nas empresas ou envolvidos no preenchimento das vagas.

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