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quarta-feira, 16 junho, 2021
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Pandemia leva sócios torcedores a abandonarem seus clubes de coração

Sem jogos, com emprego ameaçado e com a incerteza provocada pela pandemia, sócios torcedores estão abandonando seus clubes. Organizadas podem ser as próximas

Dois meses sem futebol. Dois meses sem venda de ingressos, sem choradeira ou comemorações. Acompanhando a vida de cada clube, há a torcida e há torcedores especiais, os sócios torcedores. Eles pagam uma mensalidade e ganham descontos e promoções. Mas em tempos de crise, como agora, a preocupação desses sócios é com o emprego e com a família. O futebol pode esperar. E mensalidade de torcida foi a primeira a ser cortada do orçamento.

O Cruzeiro, de Belo Horizonte, é um dos clubes mais prejudicados com a falta do sócio torcedor. Rebaixado para a segunda divisão do Brasileirão, o clube tem dívidas de R$ 800 milhões e a perspectiva não é nada boa – 50% de seus sócios torcedores deixaram de pagar a mensalidade. “Entre colocar comida na mesa e pagar o sócio, o time de futebol fica em segundo plano”, afirma um deles.

Uma das maiores – talvez a maior – torcida organizada do Cruzeiro é a Pavilhão Independente, que, com a pandemia, também foi para a pindaíba – o aluguel da sede não é pago há três meses e dois funcionários não recebem salários também há três meses.

O Flamengo do Rio de Janeiro também tem esse tipo de programa. O Rio do futebol é um dos mais atingidos pela crise. Seus sócios torcedores – normalmente os mais apaixonados – estão indignados com o clube e já foram ao Procon para suspender a cobrança de mensalidades. Não todos – há os mais apaixonados ainda que acreditam que precisam, que devem ajudar o Flamengo a pagar suas contas.

Não há bolso que resista. Em 2019, o Flamengo levou para suas contas quase um bilhão de reais. Com a crise, já perdeu dez mil sócios torcedores. Fora o pessoal que não está pagando. O Vasco, outro dos grandes cariocas, deve na praça R$ 700 milhões. Se deu bem no ano passado, quando fez promoção e conseguiu 150 mil novos sócios torcedores. Metade deles já abandonou o clube desde o começo da pandemia.

O Fluminense, também do Rio, está dando descontos na adesão e nas mensalidades. Sua diretoria afirma que para cada sócio que sai consegue três novos. Mas isso é conversa de diretoria, tipo comunicado oficial, daqueles que ninguém acredita. O Bahia foi além – fez campanha para que seus sócios torcedores antecipassem o pagamento de três mensalidades. Para incentivar, o presidente do clube pagou suas mensalidades até 2031. Pouco mais de mil torcedores aderiram à idéia.

Outros clubes, como Atlético Mineiro e o Fortaleza, estenderam a gratuidade por dois meses. Mas com o futebol parado, será difícil equilibrar as contas somente com mensalidades. Exceção é o Palmeiras, que com sua campanha Avanti Palestra conseguiu milhares de sócios torcedores. E os que deixaram de pagar mensalidade parece não estarem fazendo falta – a patrocinadora, Crefisa, banca todas as contas dessa italianada.

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A Editora Urbem faz parte do Grupo Novo Dia e edita livros de diversos assuntos e também a Urbem Magazine, uma revista periódica 100% digital.

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