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sexta-feira, 21 junho, 2024

Caixões encontrados próximos à Torre Eiffel teriam possível conexão com a Rússia

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No sábado (1°), cinco caixões foram descobertos aos pés da Torre Eiffel, ostentando as cores da bandeira francesa e a inscrição: “Soldados franceses que perderam a vida na Ucrânia”.

Após a autorização para a Ucrânia utilizar armamentos franceses em solo russo, o incidente que envolveu a descoberta dos cinco caixões junto à Torre Eiffel resultou na detenção de três indivíduos.

Autoridades suspeitam que esses indivíduos tenham vínculos com o responsável por uma pichação no Museu do Holocausto, a qual a polícia francesa alega ter sido orquestrada por entidades russas.

Fontes policiais, citadas pelo jornal francês Le Monde e corroboradas pela BFM, afiliada francesa da reportagem, revelaram detalhes sobre a alegada conexão dos caixões encontrados com a operação anterior, supostamente vinculada à Rússia.

Os três caixões foram colocados por indivíduos no Quai Branly, próximo às margens do Rio Sena e à Torre Eiffel, durante a manhã de sábado. Para simular peso, foram preenchidos com sacos de gesso.

O condutor da van que transportou os caixões e os outros dois suspeitos foram detidos após uma grande operação policial, que envolveu unidades especializadas em desarmamento de explosivos. Segundo informações da BFM, a polícia utilizou um robô e três cães da brigada canina para investigar inicialmente o conteúdo dos caixões. Após duas horas, a dúvida sobre o que estava dentro dos caixões foi esclarecida e o cordão de isolamento foi removido.

Os três suspeitos foram colocados sob custódia policial por “violência premeditada” e serão investigados judicialmente. De acordo com fontes policiais informadas à BFM, o condutor da van é um búlgaro de 38 anos, enquanto os outros dois suspeitos são um ucraniano de 16 anos e um alemão de 25 anos.

Os três suspeitos afirmaram estar desempregados e precisando de dinheiro, conforme relatado pela emissora francesa. O motorista disse ter recebido 120 euros, enquanto os outros dois receberam 400 euros cada.

Segundo apuração do jornal Le Monde, confirmada pela BFM, o conteúdo do telefone de um dos suspeitos e os depoimentos dos três homens permitiram aos investigadores identificar que eles estavam em contato com uma quarta pessoa: um homem búlgaro de 38 anos, suspeito de ter sido um dos autores da pichação de mãos vermelhas no Muro dos Justos, no Memorial do Holocausto, em Paris, em 14 de maio.

Na ocasião, a prefeitura de Paris identificou os suspeitos por meio de gravações de câmeras de segurança e sugeriu que a interferência russa era a hipótese mais provável. Poucos dias após o incidente no Memorial do Holocausto, fotos do muro vandalizado foram compartilhadas online por contas associadas ao Doppelganger, uma rede de desinformação russa.

A polícia destacou que o modus operandi desse incidente foi semelhante ao caso das estrelas de Davi azuis que foram pintadas nas fachadas de instituições judaicas em Paris, logo após o ataque do Hamas a Israel, em outubro do ano anterior. Inicialmente, esse caso foi interpretado como uma reação de grupos antissemitas à guerra.

No entanto, uma investigação da agência francesa Viginum, responsável por combater a interferência digital estrangeira, revelou que os desenhos faziam parte de uma operação de desestabilização da França liderada pelo FSB, serviço de inteligência russo, sucessor da KGB soviética.

A polícia francesa também acusa Moscou de estar por trás de outra ação, relacionada às Olimpíadas de Paris 2024. Edifícios da Île de la Cité, que abriga a Notre-Dame, foram pichados com a frase “cuidado, possível queda da varanda”, acompanhada dos anéis olímpicos.

A suspeita de conexão entre o caso dos caixões franceses e outras ações com possível envolvimento russo surge poucos dias após o presidente francês Emmanuel Macron autorizar Kiev a utilizar armas francesas em solo russo. Isso também acontece após discussões sobre o envio de instrutores militares franceses para a Ucrânia.

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