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domingo, 26 maio, 2024

Prevenção: estudo sugere ampliar para 15 anos intervalo entre colonoscopias

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Um recente estudo propõe estender o período entre colonoscopias — um exame crucial para o rastreamento do câncer colorretal — de 10 para 15 anos. A pesquisa, conduzida por especialistas em saúde de várias nações, foi divulgada na revista científica JAMA Network Open em 2 de maio.

A colonoscopia é um procedimento que envolve a inspeção do cólon (intestino grosso) e do íleo terminal (a parte final do intestino delgado), permitindo a visualização detalhada da superfície da mucosa intestinal. Essa técnica desempenha um papel crucial na detecção precoce do câncer colorretal, o que pode significativamente aumentar as chances de sucesso no tratamento.

Atualmente, as entidades médicas recomendam que a colonoscopia seja repetida a cada 10 anos após um resultado negativo para o câncer. No entanto, novas evidências sugerem a possibilidade de estender o intervalo entre os exames.

Em 2023, um estudo indicou que a detecção precoce de câncer colorretal avançado até 10 anos após uma colonoscopia negativa é rara. Os pesquisadores encontraram uma baixa prevalência contínua de câncer colorretal avançado, cerca de 6% a 7% em homens e 4% a 5% em mulheres, mesmo mais de dez anos após uma colonoscopia negativa. Isso sugere que o intervalo entre os exames poderia ser prolongado.

O estudo

Para o novo estudo, os pesquisadores examinaram 110.074 adultos suecos sem histórico familiar de câncer colorretal, os quais obtiveram resultados negativos em sua primeira colonoscopia de rastreamento, realizada entre 1990 e 2016. A maioria dos participantes era do sexo feminino, com uma idade média de 59 anos.

O objetivo dos pesquisadores era comparar os resultados de câncer colorretal entre indivíduos sem histórico familiar da doença (que receberam uma colonoscopia inicial negativa) e indivíduos que nunca tinham realizado o exame antes (grupo controle), composto por quase 2 milhões de pessoas.

Os pesquisadores analisaram a taxa de incidência padronizada em 10 anos e a taxa de mortalidade padronizada em 10 anos. Segundo o estudo, o grupo que recebeu as primeiras colonoscopias negativas apresentou um risco menor de desenvolver câncer colorretal e de morrer em decorrência do tumor durante o período de 15 anos.

Com base nesses resultados, os autores do estudo sugerem que o intervalo de 10 anos entre os exames de colonoscopia para indivíduos com um primeiro resultado negativo para câncer colorretal poderia ser estendido para 15 anos. Eles argumentam que “um intervalo mais longo entre os exames de colonoscopia pode ser benéfico para evitar exames invasivos desnecessários”.

Sem generalizar

Apesar dos resultados promissores, os autores do estudo reconhecem algumas limitações que devem ser levadas em consideração. Por exemplo, eles observam que a maioria dos participantes analisados era composta por indivíduos brancos e suecos, o que sugere que os resultados obtidos podem não ser generalizáveis para todas as populações.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) continua recomendando que a colonoscopia seja realizada a cada 10 anos por pessoas a partir dos 45 anos, mesmo entre aqueles sem histórico familiar de câncer e que tenham obtido resultados negativos no primeiro exame. Essa recomendação é feita com base nas diretrizes atuais e pode ser ajustada à medida que novas evidências científicas surgirem.

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