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sexta-feira, 19 julho, 2024

Estudo sugere ligação entre autismo e mudanças no microbioma intestinal

Um estudo recente publicado na Nature Microbiology sugere que componentes bacterianos e não bacterianos presentes no microbioma intestinal podem estar associados ao transtorno do espectro autista (TEA) em crianças. Os pesquisadores apontam que essa descoberta pode ser crucial para aprimorar os métodos de diagnóstico do transtorno. A pesquisa foi divulgada na segunda-feira (8).

A microbiota intestinal é composta pelos genes da população microbiana que inclui fungos, bactérias, protozoários e vírus que habitam o intestino humano. Essa comunidade desempenha um papel crucial na digestão de alimentos, na síntese de vitaminas essenciais, além de influenciar a produção de neurotransmissores como a serotonina, conhecida como hormônio do bem-estar, e a dopamina, associada ao prazer.

A relação entre o microbioma intestinal e o autismo já foi investigada em pesquisas anteriores, mas poucas focaram nas mudanças na composição das bactérias intestinais em indivíduos com autismo comparados a neurotípicos. Até agora, não estava claro se outros membros do microbioma intestinal, como arqueias, fungos e vírus, além dos genes microbianos, também sofrem alterações em pessoas com autismo.

Para explorar isso, pesquisadores realizaram sequenciamento metagenômico em amostras fecais de 1.627 crianças chinesas, tanto com quanto sem TEA, com idades entre 1 e 13 anos. Eles analisaram essas amostras levando em conta fatores como dieta, medicamentos e condições médicas adicionais.

Após ajustar para esses fatores, os pesquisadores identificaram que crianças com TEA apresentavam alterações significativas em 14 arqueias, 15 tipos de bactérias, sete fungos, 18 vírus, 27 genes microbianos e 12 vias metabólicas em comparação com seus pares neurotípicos. Essas descobertas sugerem um novo caminho para entender e potencialmente tratar o autismo, focando nas interações complexas do microbioma intestinal.

Após isso, utilizando aprendizado de máquina (uma forma de inteligência artificial), os cientistas desenvolveram um modelo com base em um conjunto de 31 microrganismos que conseguiu identificar com uma precisão de 82% crianças do sexo masculino e feminino com TEA.

Os pesquisadores afirmam que esses 31 marcadores têm potencial para serem utilizados clinicamente no diagnóstico da doença, oferecendo uma nova abordagem complementar às informações tradicionais baseadas em comportamento, dificuldades de aprendizado, uso da linguagem, agitação sem causa aparente e comportamentos repetitivos que atualmente são usadas para diagnosticar o autismo.

Além disso, as descobertas do estudo podem abrir novas perspectivas para futuras pesquisas sobre a relação entre microbioma intestinal e autismo.

Entretanto, o estudo possui limitações significativas: os dados disponíveis não permitem determinar se as diferenças no microbioma intestinal são uma causa direta do autismo ou se são consequências de fatores como dieta e outros ambientes relacionados às crianças no espectro. Além disso, é crucial que outras equipes repliquem esses resultados em diferentes populações para validar sua robustez e aplicabilidade geral.

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