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segunda-feira, 22 abril, 2024

Exame de sangue demonstra precisão de 83% na detecção de câncer colorretal

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Um recente teste sanguíneo, projetado para a detecção do câncer colorretal (ou câncer de intestino), demonstrou uma precisão de 83% na identificação correta do tumor em pacientes previamente diagnosticados com a doença. Esta significativa descoberta aponta para uma potencial nova alternativa no diagnóstico precoce do câncer.

Os resultados foram divulgados em um estudo publicado recentemente, no dia 14, no The New England Journal of Medicine. A taxa de precisão deste teste é comparável àquela dos exames de fezes utilizados para a detecção do câncer colorretal.

“Os resultados do estudo representam um avanço promissor no desenvolvimento de ferramentas mais acessíveis para a detecção precoce do câncer colorretal, facilitando seu tratamento”, afirmou o autor correspondente do estudo, William M. Grady, gastroenterologista do Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle, nos Estados Unidos.

Ele complementou em um comunicado à imprensa: “Este teste, com uma taxa de precisão comparável aos exames de fezes usados para o diagnóstico precoce do câncer de cólon, pode oferecer uma alternativa viável para pacientes que, de outra forma, poderiam recusar as opções de rastreamento atuais”.

As descobertas foram alcançadas por meio do estudo ECLIPSE, um ensaio clínico envolvendo quase 8 mil pessoas com idades entre 45 e 84 anos. Neste estudo, o exame de sangue Guardant’s Shield foi comparado com a colonoscopia, considerada o padrão-ouro para o rastreamento do câncer colorretal atualmente.

O exame Guardant’s Shield detecta sinais de câncer de intestino no sangue através do DNA liberado pelas células tumorais, conhecido como DNA tumoral circulante (ctDNA).

Dentre os participantes do estudo que já haviam sido diagnosticados com câncer colorretal confirmado por colonoscopia, 83,1% apresentaram resultado positivo para ctDNA no exame de sangue, enquanto 16,9% obtiveram resultado negativo. O exame demonstrou maior sensibilidade para câncer colorretal em estágios iniciais e avançados, porém menor sensibilidade para lesões pré-cancerosas avançadas, que têm potencial de se transformar em câncer ao longo do tempo.

Para Grady, a sensibilidade do exame de sangue para câncer colorretal é comparável à dos exames de fezes, mas inferior à da colonoscopia, ainda considerada o método de rastreamento mais preciso para o tumor.

“Câncer colorretal é comum e muito evitável através do rastreamento, porém apenas cerca de 50% a 60% das pessoas elegíveis para o rastreamento realizam esses testes”, observa Grady, diretor médico do Programa de Prevenção do Câncer Gastrointestinal do Fred Hutch. “A adesão ao rastreamento do câncer é mais eficaz quando oferecemos opções de rastreamento e permitimos que as pessoas escolham o método que melhor se adapte a elas”.

Nos Estados Unidos, onde o estudo foi conduzido, o câncer colorretal é a segunda principal causa de morte por câncer em adultos e é esperado que cause mais de 53 mil mortes em 2024, de acordo com a American Cancer Society. No Brasil, estima-se que haverá 45.630 novos casos desse tipo de câncer a cada ano no triênio 2023-2025, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

As diretrizes atuais recomendam que o rastreamento para o câncer colorretal seja realizado regularmente a partir dos 45 anos.

“Continuamos vendo um aumento de casos de câncer colorretal em pessoas mais jovens e agora é o terceiro tipo de câncer mais comum em indivíduos com menos de 50 anos”, ressalta Grady. “Realizar um exame de sangue durante as consultas médicas de rotina pode ser uma oportunidade para aumentar a adesão ao rastreamento entre mais pessoas”.

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