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sábado, 13 abril, 2024

Comunidades periféricas de São Paulo recebem bem os agentes de combate à Dengue

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A seleção dos locais prioritários para o combate à dengue em São Paulo é baseada em estatísticas de infecção. Em toda a cidade, as operações seguem as diretrizes do Ministério da Saúde. Entretanto, nas áreas periféricas, a tarefa é mais facilitada.

De acordo com Luiz Artur Vieira Caldeira, coordenador de Vigilância e Saúde da Cidade de São Paulo, a diferença está no comportamento das pessoas. “Nas regiões periféricas, as pessoas tendem a facilitar o acesso das equipes e recebê-las de forma mais receptiva. Além disso, há mais pessoas nas residências”.

Nas áreas centrais, é mais comum encontrar residências desocupadas, dificultando o acesso dos agentes de saúde. Quando os moradores estão presentes, frequentemente há resistência por parte dos proprietários. Em muitos casos, empregadas domésticas são instruídas a não abrir o portão para estranhos.

“Em grandes condomínios de padrão médio e alto, muitas vezes as equipes precisam retornar várias vezes até conseguirem entrar”, explica Caldeira. Nestes locais, a entrada precisa ser autorizada por síndicos e administradores. “As equipes estão se adaptando a essas situações”, acrescenta o responsável pelo combate à dengue na cidade de São Paulo.

O que é o “equipamento costal”?

Nas áreas como favelas, ruas estreitas, vielas e encostas íngremes, onde veículos nebulizadores não podem acessar, os agentes de saúde recorrem ao “equipamento costal”. Este consiste em um tanque plástico transportado nas costas, semelhante a uma mochila.

Atualmente, duzentos desses equipamentos estão sendo empregados no combate à dengue. Cada um deles pode conter até cinco litros. “Trata-se de um dispositivo relativamente simples, constituído por um tambor de plástico com um pequeno motor que gera pressão e produz o vapor do inseticida, dispensando a necessidade de bombear manualmente”, explica Caldeira.

Para cada lugar, um veneno

Quando não é viável remover água parada, como em piscinas abandonadas, aplica-se larvicida. Este interfere na fase entre a larva e o ovo, impedindo a transformação em mosquito. A eficácia da aplicação dura pelo menos um mês.

A nebulização, conhecida como “fumacê”, consiste na aplicação de inseticida, visando atingir mosquitos adultos em voo, que estão se alimentando de sangue e transmitindo a doença. O fumacê é dispersado por veículos, com um alcance de cerca de 150 metros.

Segundo o coordenador de Vigilância e Saúde, a prefeitura tem autorização para acessar locais abandonados. “Embora haja legislação para isso, estamos optando por usar drones. Com essa abordagem, podemos realizar intervenções específicas em áreas identificadas também por drones, vizinhos e agentes de saúde, o que se mostra mais eficiente”, destaca Caldeira.

Drones

Desde o dia 5 de março, a prefeitura de São Paulo vem utilizando cinco drones para a aplicação de larvicida em residências e terrenos abandonados. Além disso, cerca de 400 propriedades foram mapeadas por 26 drones menores pertencentes à Guarda Civil Metropolitana.

Até o momento, 101 desses locais prioritários receberam a aplicação do larvicida. “Não é necessário criar uma poça de larvicida, apenas garantir que ele atinja o alvo”, explica Caldeira. Quando misturado com água, o larvicida desencadeia uma reação química que impede o desenvolvimento dos mosquitos.

Nos primeiros três dias, o foco do trabalho estava na região leste de São Paulo, onde o percentual de novos casos era mais alto. Atualmente, um drone opera em cada região durante o horário comercial, de segunda a sexta-feira. Os voos estão sujeitos à autorização dos órgãos de controle do espaço aéreo.

Em algumas situações, é necessário interditar e sinalizar ruas, uma tarefa realizada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Cada drone pode transportar até 8 litros de larvicida. “Apesar de as larvas e os ovos serem abundantes, eles são extremamente sensíveis ao veneno”, esclarece Caldeira.

Ele acrescenta que a quantidade de drones – um para cada região da cidade – é adequada, pois o trabalho realizado por eles complementa as atividades das equipes em terra.

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