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segunda-feira, 22 abril, 2024

Avanços no tratamento do Alzheimer podem aliviar efeitos colaterais da quimioterapia

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O tratamento oncológico através da quimioterapia pode acarretar uma série de efeitos secundários nos pacientes, incluindo perda de apetite, náuseas, vômitos, enfraquecimento do sistema imunológico e, em certos casos, impactos na memória e dificuldades de concentração.

Uma pesquisa recente, divulgada em 6 deste mês, revelou que um método de tratamento não invasivo surge como uma esperança na redução dos efeitos cognitivos provocados pela quimioterapia. Os achados foram publicados na revista Science Translational Medicine.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descobriram que a exposição diária à luz e ao som em uma frequência de 40 hertz (ciclos por segundo) pode proteger as células cerebrais contra danos induzidos pela quimioterapia, incluindo perda de memória e comprometimento de outras funções cognitivas.

Este tratamento com luzes piscantes foi originalmente desenvolvido como uma abordagem para tratar a doença de Alzheimer. No entanto, segundo os pesquisadores, parece ter efeitos que podem beneficiar o tratamento de uma variedade de distúrbios neurológicos.

“O tratamento pode reduzir os danos ao DNA, diminuir a inflamação e aumentar o número de oligodendrócitos, que são células responsáveis pela produção de mielina ao redor dos axônios”, explicou Li-Huei Tsai, diretor do Instituto Picower de Aprendizagem e Memória do MIT e professor no Departamento de Cérebro e Ciências Cognitivas do MIT, em um comunicado à imprensa. “Também descobrimos que este tratamento melhorou a aprendizagem e a memória, e aprimorou a função executiva nos animais”.

Efeito da luz e do som nas ondas cerebrais

Pesquisas anteriores indicaram que pessoas com Alzheimer tendem a apresentar frequências gamas — ondas cerebrais variando de 25 a 80 hertz — prejudicadas, as quais desempenham um papel crucial em funções cerebrais como atenção, percepção e memória. Diante dessa constatação, Tsai e sua equipe começaram a explorar o uso de luzes piscantes a 40 hertz como uma possível maneira de melhorar os sintomas cognitivos da demência.

Em suas investigações com ratos, os pesquisadores observaram que a exposição à luz piscante a 40 hertz, bem como a sons na mesma frequência, pode estimular as ondas gamas no cérebro, desencadeando efeitos protetores, inclusive a prevenção de placas beta amiloides — um dos principais biomarcadores do Alzheimer.

Os ensaios clínicos de fase 1, conduzidos em pessoas com Alzheimer em estágio inicial, também indicaram que esse tratamento pode proporcionar benefícios tanto neurológicos quanto comportamentais.

As descobertas

No novo estudo, os pesquisadores optaram por investigar se esse tratamento também poderia mitigar os efeitos cognitivos da quimioterapia. Pesquisas anteriores indicaram que o tratamento para o câncer pode desencadear inflamações no cérebro e reduzir a substância branca, responsável por conectar diferentes regiões cerebrais.

Ademais, os medicamentos quimioterápicos podem causar a perda de mielina, a camada que facilita a transmissão de sinais elétricos entre neurônios.

Para tal, os pesquisadores analisaram ratos que receberam cisplatina, um medicamento quimioterápico comum para câncer de testículo e ovário, durante cinco dias, seguido de uma pausa de cinco dias, e então retomando o tratamento pelo mesmo período. Um grupo de roedores recebeu apenas o medicamento quimioterápico, enquanto outro também foi submetido à terapia com luz e som de 40 hertz diariamente.

Após três semanas, os ratos que receberam cisplatina sem a terapia gama demonstraram os efeitos esperados da quimioterapia, como redução do volume cerebral, danos ao DNA e inflamação. Por outro lado, o grupo que recebeu a terapia gama em conjunto com o medicamento apresentou uma redução significativa de todos esses sintomas.

Além disso, o estudo apontou que o tratamento com luz e som a 40 hertz também resultou em melhorias comportamentais. Os ratos submetidos à terapia gama demonstraram um desempenho superior em testes que avaliaram a memória e a função executiva.

Adicionalmente, os pesquisadores descobriram que os benefícios do tratamento gama em conjunto com a cisplatina persistiram por até quatro meses. Entretanto, a terapia com luz e som foi menos eficaz quando iniciada três meses após o término da quimioterapia.

A equipe de pesquisa agora planeja investigar o efeito do tratamento gama em outras doenças neurológicas, incluindo Parkinson e esclerose múltipla. “O foco principal do meu laboratório agora, em termos de aplicação clínica, é o Alzheimer; mas esperamos que possamos testar esta abordagem também para algumas outras indicações”, afirmou Tsai.

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