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terça-feira, 18 janeiro, 2022
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Cinema nacional sofre com mudança de hábito durante pandemia

Para Carlos Augusto Calil, apesar de incentivos para fomentar o consumo de produções nacionais, a má administração ainda afeta o mercado cinematográfico

O cinema foi um dos setores mais afetados pela pandemia. Com o crescimento no números dos casos de Covid, as produções cinematográficas tiveram de ser interrompidas pelo mundo inteiro, incluindo o Brasil. Apesar da pandemia, o cinema brasileiro já passava por momento de crise, por questões administrativas de órgãos relacionados ao assunto e pela mudança de hábitos do público.

“O efeito foi generalizado porque, como os contatos passaram a ser, no mínimo, não recomendados, em alguns casos e em alguns países, no começo, foram proibidas as produções de cinema”, afirma Carlos Augusto Calil, secretário municipal de Cultura de São Paulo e professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP.

“Em um primeiro momento foi interrupção total, os filmes que tinham começado simplesmente tiveram que se interromper, porque não sabíamos como lidar nem a extensão da pandemia”, explica Calil. De acordo com ele, mesmo com as incertezas, o mercado cinematográfico foi retomando aos poucos suas atividades, adotando as medidas sanitárias para garantir a segurança dos envolvidos na produção.

Como explica Calil, a pandemia não afetou a forma como se produz filmes nacionais, contudo, acentuou uma crise que era anterior a ela e acelerou a mudança de hábitos de consumo do público. Um dos fatores que contribuíram para a criação da crise foi a má administração feita por parte da Agência Nacional do Cinema (Ancine), responsável por fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica brasileira.

“O fenômeno de gestão, para dizer o mínimo, foi imprudente ao liberar muito mais produções do que ela (Ancine) poderia acompanhar; isso criou um problema de governança, é um problema de controle que o Tribunal de Contas da União apontou e começou a tentar disciplinar anterior à pandemia”.

Mesmo com a migração da preferência de onde se assiste às produções nacionais, elas continuam tendo espaços nas salas de cinemas graças à chamada Lei de Cotas, que se tratava de uma medida provisória e virou lei permanente neste ano, obrigando a que um certo número de salas seja reservado a produções nacionais durante o ano.

Para Calil, apesar de benéfica, a lei possui problemas. “A cota sempre foi um espaço para o exibidor programar filmes brasileiros. Mas a cota jamais disse e nem pretendeu dizer que todo filme brasileiro seria exibido”, afirma. Dessa forma, o espaço reservado tende a ser utilizado para filmes de alta procura pelo público, excluindo do circuito de exibição pequenos produtores nacionais. O principal componente que influencia nessa escolha por parte das redes de cinema é o custo-benefício que um filme nacional pode trazer.

“Então, o dono do cinema não tem interesse em programar um filme que não tem atrativo comercial. Ele só tem interesse pelo grande sucesso. O grande sucesso, por outro lado, também tem interesse que o cinema tenha interesse nele, porque, se não, os americanos pressionam para que o dono do cinema retire o filme brasileiro”, ilustra Calil, ao explicar a relação que filmes nacionais de grande sucesso têm com as redes de cinema.

A segunda questão apontada por Calil foi a mudança nos hábitos de consumo dos espectadores. De acordo com o professor, a experiência relacionada ao cinema, atualmente, está ligada aos filmes-espetáculos ou blockbusters de grande orçamento. “Sair de casa hoje significa sair para ver uma coisa extraordinária; para ver um cinema mais ou menos comum, mesmo que muito bom, se vê em casa”.

O crescimento das plataformas de streaming on-line, como a Netflix, foi afetado positivamente com a pandemia, acelerando a migração de consumo das telas de cinema para as da televisão. Atualmente, a Netflix possui mais de 17 milhões de usuários ativos no Brasil.

Para Calil, a plataforma abriu uma oportunidade para os produtores que foram afetados pela pandemia, por dar a chance de distribuir a sua obra numa plataforma global, com alcance maior que as salas de cinema brasileiras. Porém, o professor destaca que, para isso, o produtor ou autor da obra audiovisual precisa vender a propriedade intelectual do filme para a plataforma, o que tiraria o controle criativo final de suas mãos.

“As plataformas estabeleceram uma disputa entre elas, uma concorrência, coisa que não existia. Agora, você tem todas as plataformas contratando filmes, então, seria o mundo dos sonhos se o contrato dessas plataformas não fosse leonino, porque ela transforma o produtor em um prestador de serviço”.

Para Calil, apesar de contraditório, o saldo dessa migração é positivo: “O que está acontecendo no Brasil, agora, é que todos os profissionais estão trabalhando ou estão produzindo para as plataformas. Portanto, é um ciclo novo que começa, completamente diferente”, conclui.

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