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quarta-feira, 29 maio, 2024

Enchentes no RS: Arroz e laticínios podem ter alta nos preços

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Especialistas alertam que a tragédia desencadeada pelas chuvas no Rio Grande do Sul pode influenciar os preços de itens essenciais na dieta dos brasileiros, como arroz e produtos lácteos. Ainda aguardam mais informações sobre a extensão do desastre para avaliar os possíveis impactos nos índices de inflação.

O Rio Grande do Sul responde por 70% da produção nacional de arroz, um produto com grande peso no subitem “alimentação no domicílio” do índice de inflação ao consumidor IPCA. Além disso, o estado é um importante produtor de carnes e laticínios.

Uma fonte do IBGE, responsável pela coleta de dados para o índice, enfatizou que, no caso do arroz, grande parte da safra já foi colhida. No entanto, a preocupação recai sobre o escoamento da produção, pois as estradas e pontes foram severamente afetadas pelas chuvas, deixando várias regiões do estado isoladas.

“A parte que estiver armazenada nas áreas isoladas pode afetar a inflação”, afirmou a fonte.

Atualmente, um acompanhamento realizado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP indica um leve aumento no preço do arroz no estado, de acordo com dados até a última segunda-feira (6). Naquela data, o valor da saca, incluindo frete, estava em 106,74 reais, em comparação com os 105,98 reais registrados na segunda-feira anterior, dia 29 de abril.

Entre as commodities, o Rio Grande do Sul também se destaca na produção de soja e milho, itens que têm uma influência mais indireta na inflação do varejo, pois são utilizados principalmente como componentes de ração animal. Nesse sentido, a avaliação inicial sugere que a demanda possa ser suprida pela produção de outras regiões do país.

No entanto, André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), ressalta que esses produtos podem impactar a inflação ao produtor. “No nosso caso, que medimos preços no atacado, o impacto será maior porque as safras de milho, soja e arroz ainda não foram totalmente colhidas, então algum efeito na inflação é esperado”, afirmou.

Desabastecimento

Na segunda-feira, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reportou que dez unidades processadoras de carnes de aves e suínos no Rio Grande do Sul estão paralisadas ou enfrentam dificuldades operacionais devido à impossibilidade de processar insumos ou transportar funcionários, alertando para o risco de desabastecimento no estado.

Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, destacou que a indústria de leite e laticínios é uma preocupação central. “Pode haver perdas devido à interrupção da logística para distribuir leite para outros estados, o que pode causar um impacto significativo no IPCA”, afirmou.

No Ministério da Fazenda, uma fonte indicou que uma análise completa ainda não é viável devido à evolução dos problemas no estado, tornando difícil calcular com precisão os gargalos na produção e distribuição de produtos que poderiam pressionar os preços.

Segundo a fonte, a análise inicial do governo para medir o impacto do desastre se concentrará na inflação de alimentos. Embora a pressão sobre os preços no país pareça inicialmente modesta, será necessário um estudo mais aprofundado.

Argenta também questionou como o IBGE, responsável pela coleta e divulgação dos dados do IPCA, lidará com essa situação no estado, em meio ao caos provocado pelas chuvas. “Porto Alegre representa quase 9% do indicador. A metodologia para a coleta desses dados pode ter um impacto mais significativo do que a própria variação. Não há um protocolo estabelecido para lidar com situações como essa”, explicou.

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