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sexta-feira, 24 maio, 2024

Australiana bilionária pede retirada de seu retrato de exposição

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A arte é subjetiva. Embora muitos artistas queiram compartilhar suas obras com o mundo, não há garantia de que o público as compreenderá ou apreciará.

Esse parece ser o caso de uma pintura do artista indígena Vincent Namatjira, que retrata Gina Rinehart, a pessoa mais rica da Austrália e magnata da mineração.

Rinehart supostamente solicitou à Galeria Nacional da Austrália (NGA) que removesse seu retrato, uma das 21 obras individuais que compõem uma única peça na exposição “Australia in Colour”, de Namatjira.

A exposição está em exibição na galeria em Canberra, capital australiana, desde março. Outros temas retratados na obra incluem a falecida Rainha Elizabeth II, o músico americano Jimi Hendrix, o ativista dos direitos dos aborígenes Vincent Lingiari e o ex-primeiro-ministro australiano Scott Morrison.

De acordo com a mídia australiana, Rinehart abordou o diretor e presidente da NGA para solicitar a remoção da pintura. Em comunicado divulgado na quinta-feira (16), a NGA afirmou que “acolhe o diálogo do público sobre nossa coleção e exposições”.

“Desde 1973, quando a National Gallery adquiriu os ‘Blue Poles’ de Jackson Pollock, tem havido uma discussão dinâmica sobre os méritos artísticos das obras da coleção nacional e/ou em exibição na galeria”, continuou o comunicado da NGA. “Apresentamos obras de arte ao público australiano para inspirar as pessoas a explorar, experimentar e aprender sobre arte.”

Namatjira afirmou em comunicado que pinta “pessoas que são ricas, poderosas ou importantes – pessoas que tiveram influência neste país, e em mim pessoalmente, seja direta ou indiretamente, seja para o bem ou para o mal”.

“Eu pinto o mundo como o vejo”, disse ele. “As pessoas não precisam gostar das minhas pinturas, mas espero que reservem um tempo para olhar e pensar: ‘Por que esse cara aborígine pintou essas pessoas poderosas? O que ele está tentando dizer?’”

“Algumas pessoas podem não gostar, outras podem achar engraçado, mas espero que as pessoas olhem além da superfície e vejam o lado sério também”, acrescentou Namatjira.

Rinehart é presidente executiva da Hancock Prospecting, uma empresa privada de mineração fundada por seu pai, Lang Hancock. A reportagem entrou em contato com a Hancock Prospecting para comentar, mas não recebeu resposta.

Rinehart tem um patrimônio líquido estimado em US$ 30,2 bilhões (cerca de R$ 155 bilhões), segundo a Forbes. Ela “permaneceu inabalável” no topo da lista dos 50 mais ricos da Austrália da Forbes em 2024, informou o veículo em fevereiro.

A Associação Nacional de Artes Visuais da Austrália (NAVA) se manifestou em apoio a Namatjira, informou a 9News, afiliada da CNN. “Embora Rinehart tenha o direito de expressar suas opiniões sobre a obra, ela não tem autoridade para pressionar a galeria a retirar a pintura simplesmente porque não gosta dela”, disse a diretora executiva da NAVA, Penelope Benton, de acordo com a 9News.

A NAVA ofereceu seu “apoio inabalável” à Galeria Nacional da Austrália, afirmando estar preocupada com o fato de a exigência de Rinehart para remover o retrato “estabelecer um precedente perigoso para a censura e o sufocamento da expressão criativa”.

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