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sexta-feira, 24 maio, 2024

Por que e quando a perda de peso pode estagnar?

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Quando você está em processo de perda de peso, seja através de novos medicamentos eficazes, após uma cirurgia de redução de peso, ou adotando uma rotina de exercícios e redução de calorias, chegará um momento em que os números na balança simplesmente estagnarão, marcando a chegada do tão temido platô de perda de peso.

Recentemente, em uma pesquisa conduzida por Kevin Hall, um renomado pesquisador do National Institutes of Health especializado em metabolismo e mudança de peso, foi analisado o momento em que a perda de peso tipicamente estagna, dependendo do método adotado pelas pessoas para emagrecer.

Hall dividiu o fenômeno do platô em modelos matemáticos, utilizando dados provenientes de ensaios clínicos de alta qualidade que exploraram diversas abordagens de perda de peso. O objetivo era compreender os motivos pelos quais as pessoas encontram dificuldades em continuar perdendo peso. Os resultados desta pesquisa foram publicados na segunda-feira (22) no periódico Obesity.

A pesquisa revelou que parte da eficácia da cirurgia de bypass gástrico, uma forma de cirurgia bariátrica, e de novos medicamentos para perda de peso, como Wegovy e Zepbound, reside no fato de que eles prolongam o período necessário para alcançar um platô de perda de peso. Isso significa que as pessoas são capazes de continuar perdendo peso por um período maior em comparação com apenas a redução de calorias.

O corpo humano regula o peso através de um delicado equilíbrio entre as calorias consumidas e as calorias gastas. Quando começamos a queimar nossa reserva de energia, o corpo responde aumentando o apetite, incentivando-nos a comer mais. Os estudos conduzidos por Hall indicam que à medida que uma pessoa perde mais peso, o apetite se torna mais intenso, podendo até mesmo anular os esforços iniciais para perda de peso.

Esse mecanismo de feedback era crucial para nossos ancestrais caçadores-coletores, ajudando-os a sobreviver em ambientes onde a comida era escassa e imprevisível. No entanto, para os seres humanos modernos, que têm fácil acesso a alimentos ultraprocessados ricos em calorias, esse sistema não funciona tão bem. A disponibilidade abundante de alimentos densos em calorias torna mais desafiador para nós regularmos naturalmente a ingestão de alimentos e mantermos um peso saudável.

Diferentes platôs

Em um estudo abordando a trajetória da perda de peso através da restrição calórica, Kevin Hall utilizou como modelo os resultados do estudo CALERIE. Neste estudo, 238 adultos foram aleatoriamente designados para seguir uma dieta de restrição calórica de 25% ou para manter seus hábitos alimentares normais ao longo de dois anos. Conduzido de 2007 a 2010 e financiado pelo NIH, os participantes que reduziram calorias perderam em média cerca de 16 libras (aproximadamente 7,5 kg), enquanto o grupo que seguiu sua dieta normal ganhou cerca de 2 libras (cerca de 0,9 kg).

Embora os participantes tenham mantido seus esforços ao longo de dois anos, a perda de peso estagnou em torno do 12º mês, quando o aumento do apetite se tornou mais pronunciado.

É importante ressaltar que o momento em que ocorre o platô de perda de peso pode variar de pessoa para pessoa, como observado por Hall.

O modelo de Hall previu que para alcançar a perda de peso relatada no estudo CALERIE, as pessoas que começaram com uma ingestão diária de 2.500 calorias precisariam cortar um pouco mais de 800 calorias por dia. Conforme perdiam peso, seus corpos respondiam aumentando o apetite, levando-os a adicionar à sua ingestão calórica diária estimada cerca de 83 calorias para cada quilograma de peso perdido.

Para os participantes que perderam em média 7,5 kg, isso significava um aumento de cerca de 622 calorias por dia no apetite, mesmo enquanto mantinham o esforço inicial para cortar 800 calorias por dia.

No entanto, ao longo do estudo, os participantes acabaram encontrando dificuldades para manter o mesmo déficit calórico diário. No final do estudo, eles estavam trabalhando tão duro quanto no início para resistir à comida, mas só conseguiram cortar cerca de 200 calorias por dia, em vez das 800 que inicialmente almejavam. Isso resultou na estagnação da perda de peso.

Christopher Gardner, do Stanford Prevention Research Center, explicou que esse mecanismo de feedback é o motivo pelo qual a perda de peso se torna mais desafiadora à medida que se progride.

No modelo de Hall, à medida que os participantes do estudo CALERIE perdiam mais peso, seus apetites aumentavam, e por volta do 12º mês, a perda de peso cessava.

Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, que imitam hormônios intestinais para auxiliar na perda de peso, promoveram uma restrição calórica ainda maior. Esses medicamentos reduziram não apenas o número de calorias que as pessoas cortavam de suas dietas, mas também enfraqueceram seus apetites à medida que perdiam peso, permitindo-lhes continuar perdendo peso por mais tempo em comparação com a restrição calórica isolada.

A cirurgia de perda de peso teve o efeito mais significativo, levando as pessoas a cortar drasticamente as calorias de suas dietas diárias e a reduzir ainda mais o apetite, resultando em uma perda de peso prolongada em comparação com outras abordagens.

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