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quarta-feira, 29 maio, 2024

Medicamento para diabetes pode desacelerar avanço do Parkinson

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Um estudo recente, publicado no The New England Journal of Medicine, sugere que o medicamento lixisenatida, utilizado no tratamento da diabetes, pode desacelerar o desenvolvimento dos sintomas de Parkinson.

Este medicamento pertence à mesma família de compostos que inclui outros medicamentos utilizados no tratamento da diabetes e da obesidade, como o Ozempic e o Wegovy. Os resultados deste estudo oferecem uma nova perspectiva interessante para o tratamento da doença de Parkinson, mas mais pesquisas são necessárias para confirmar e entender melhor esses achados.

Durante os 12 meses do estudo, os participantes que receberam lixisenatida não mostraram progressão dos sintomas de Parkinson. Embora sejam necessárias mais pesquisas para controlar os possíveis efeitos colaterais da medicação e determinar a dose ideal para a prevenção do Parkinson, os autores do estudo consideram esse um passo promissor no combate a essa doença neurodegenerativa.

“Este é o primeiro ensaio clínico multicêntrico em grande escala que fornece os sinais de eficácia que têm sido procurados há tantos anos”, afirma Olivier Rascol, pesquisador de Parkinson no Hospital Universitário de Toulouse, na França, e líder do estudo, em comunicado.

A lixisenatida é um agonista do receptor do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1). A semaglutida, presente no Ozempic e Wegovy, também é um composto GLP-1. Estudos anteriores já haviam sugerido que alguns medicamentos com esse composto poderiam retardar os sintomas de Parkinson. Ensaios menores, publicados em 2013 e 2017, sugeriram que a molécula GLP-1 exenatida, outro medicamento para diabetes, poderia ter o mesmo efeito.

Esses resultados podem estar relacionados ao fato de que esses medicamentos influenciam nos níveis de insulina e glicose no sangue, controlando o diabetes, que, segundo estudos já realizados, pode aumentar a probabilidade de desenvolver Parkinson.

No estudo mais recente, os pesquisadores investigaram a lixisenatida em 156 pessoas com sintomas leves a moderados de Parkinson. Todas elas já tomavam um medicamento padrão para Parkinson. Metade dessa amostra recebeu o medicamento para diabetes durante um ano, enquanto o restante recebeu placebo (grupo controle).

Após 12 meses, os participantes do grupo controle apresentaram piora dos sintomas de Parkinson — a pontuação deles aumentou três pontos em uma escala para avaliar a gravidade da doença, segundo o estudo. Já aqueles que tomaram lixisenatida não tiveram suas pontuações alteradas nesta mesma escala.

No entanto, mais estudos e avaliações são necessários para entender se os efeitos do medicamento para desaceleração do Parkinson duram mais de um ano (período do estudo). Outra questão a ser considerada é como esse tipo de medicamento pode proteger contra o Parkinson. Algumas hipóteses apontam para o fato de o GLP-1 reduzir a inflamação, o que poderia prevenir a perda de neurônios produtores de dopamina que impulsionam a doença.

Os pesquisadores do atual estudo estão aguardando os resultados de um ensaio clínico maior que examina os efeitos de um tratamento de dois anos com exenatida em pessoas com doença de Parkinson.

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