22.8 C
Jundiaí
terça-feira, 29 novembro, 2022

Unidos por Elvis, Erasmo e Roberto ficaram seis meses sem se falar

PUBLICIDADEspot_img

O ‘Tremendão’, Erasmo Carlos, morto aos 81 anos nesta terça-feira (22), teve em sua trajetória um grande parceiro musical: Roberto Carlos. Amigos por mais de seis décadas, os cantores assinaram juntos músicas que se tornariam clássicas, como “Minha fama de mau”, “É preciso saber viver”, “Quero que vá tudo pro inferno” e “Se você pensa”.

O encontro dos Carlos ocorreu pela primeira vez em 1958 impulsionado pelo Rei do Rock, Elvis Presley. Na ocasião, Roberto procurou Erasmo para consultar a letra de “Hound dog”, sucesso do astro. Roberto iria performar a música no “Clube do Rock”, um programa de televisão da extinta TV Tupi, e soube por um amigo em comum que Erasmo tinha a letra em casa.

Logo depois desse encontro, Erasmo topou um convite de Roberto para ir à TV e nunca mais se desgrudaram. “Casamento musical perfeito”, disse em entrevista ao “Domingo Espetacular” (Record TV) em 2021.

De lá para cá, a dupla foi considerada quase inseparável. Quase. Só deixaram de se falar uma vez e por um equívoco. Quando o Tremendão cantou em um programa comandado por Wilson Simonal, a edição esqueceu de incluir o nome de Roberto entre os compositores.

“Apresentou-se um programa, eu cantei um monte de músicas que já eram sucesso na época e ninguém falou que as músicas eram dele (Roberto) também. Parecia que as músicas eram só minhas. Alguém contou para ele, que não gostou, e brigou comigo. Eu não tinha relativamente culpa. O programa que não apresentou a parceria com ele nos créditos, mas tudo se resolveu”, explicou Erasmo. 

“Ficamos seis meses sem se falar, mas depois voltamos às boas. E até hoje, a gente só discute na hora das músicas, das composições, mas é tudo coisa de trabalho”, continuou ele.

Irmãos ou não?

Durante a parceria de Erasmo e Roberto, houve quem questionasse o grau de parentesco da dupla, já que compartilhavam do mesmo “sobrenome artístico”, Erasmo Carlos e Roberto Carlos não eram irmãos. Nascido Erasmo Esteves, ele adicionou o Carlos ao nome artístico em homenagem ao seu amigo e maior parceiro musical, Roberto Carlos, e também a Carlos Imperial, produtor musical com quem escreveu canções como o rock “Eu Quero Twist” e de quem foi secretário pessoal.

Roberto Carlos era padrinho do filho de Erasmo, Alexandre, que morreu em 2014. Isso fez com que Roberto e Erasmo fossem compadres.

Em abril de 2021, aniversário do Rei, Erasmo Carlos prestou uma homenagem em que se diz “irmão” e “compadre” do amigo.

“Parabéns, meu irmão. Eu agradeço tanto o destino por ter colocado a nossa vida na mesma estrada, e eu sou testemunha desse seu sucesso maravilhoso, da sua luta, do seu amor, da sua garra para ser o grande artista que você é. Eu já sou seu compadre, já sou seu parceiro, mas por favor não deixe de ser meu amigo porque eu te amo, muito e muito!”, disse o cantor.

Erasmo por Erasmo

Nascido no bairro da Tijuca, na zona norte do Rio, Erasmo Carlos também conviveu com Tim Maia desde a infância, parte da turma da Tijuca. Foi o Síndico quem o ensinou a tocar violão. A cena aparece na cinebiografia “Minha Fama de Mau”, lançada em 2019.

“Amor É Isso”, penúltimo album de Erasmo Carlos, foi lançado “Novo Love”, uma parceria póstuma com Tim Maia. A música é uma versão em português de Erasmo para “New Love”, lançada por Tim Maia em 1973. Em uma entrevista ao programa “Conversa Com Bial”, em 2018, Erasmo contou que já conhecia a canção desde 1961, quando Tim estava morando nos Estados Unidos e enviou a gravação em um compacto para a namorada na época.

Antes de seguir carreira solo, Erasmo Carlos participou do grupo The Boys Of Rock, rebatizado de The Snakes por Carlos Imperial, com Arlênio Lívio, Edson Trindade e José Roberto, o China. O The Snakes chegou a acompanhar Cauby Peixoto no primeiro rock brasileiro, a canção “Rock N’ Roll Em Copacabana”, de 1957.

Erasmo Carlos estouraria de vez com a Jovem Guarda, em 1965. O programa exibido pela TV Record era apresentado por ele, Roberto Carlos e Wanderléa, criando um movimento cultural de música e comportamento iniciado com os três. Essa época também está detalhadamente representada na cinebiografia de Erasmo dirigida por Lui Farias.

Erasmo foi destaque no cinema, ao atuar em “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa” (1970), Roberto Carlos a 300 Quilômetros Por Hora” (1971), ambos dirigidos por Roberto Farias, pai do cineasta que faria sua cinebiografia quatro décadas depois. Ele ainda participou de “Os Machões” (1972), “O Cavalinho Azul” (1984) e Paraíso Perdido” (2018). Em 2020 estreou na Netflix no filme “Modo Avião”, em que interpreta o avô de Larissa Manoela. É o filme de língua não-inglesa mais visto da plataforma.

Na vida pessoal, Erasmo Carlos sofreu com duas perdas. Narinha, o grande amor de sua vida com quem ficou casado por 15 anos, suicidou-se em 1995, quatro anos após se divorciar do cantor. Já seu filho do meio, Alexandre, morreu aos 40 anos em 2014 após um grave acidente de moto.

Com Narinha, Erasmo ainda teve Gil Eduardo e Leonardo Esteves. Ele deixa os dois filhos, netos, e a atual esposa, a pedagoga Fernanda Passos, de 32 anos. (Fonte: UOL)

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.
PUBLICIDADEspot_img

SUGESTÃO DE PAUTAS

PUBLICIDADEspot_img

notícias relacionadas