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terça-feira, 9 agosto, 2022

Campo Limpo Paulista cria fluxo para atender mulheres vítimas de violência

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Durante evento, Campo Limpo Paulista mostrou que articulação e trabalho em conjunto é importante para combater a violência

A Prefeitura de Campo Limpo Paulista apresentou na sexta-feira (25) o Fluxo de Atendimento à Mulher Vítima de Violência que representa um avanço no acolhimento prestado dentro do município. A iniciativa dirigida pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social tem respaldo das polícias Civil e Militar, GM e Ministério Público. O objetivo é dar eficiência e eficácia ao processo.

Hoje, a cada quatro mulheres, uma é vítima de violência (Datafolha/2021). Ainda não existem dados compilados dentro do município, mas o aumento do número de casos e as barreiras enfrentadas pela administração municipal, bem como as vítimas de violência, levou a criação de um fluxo para efetivar o trabalho em parceria.

A secretária de Assistência Social Vera de Lourdes Gonçalves esclarece que o fluxo vem para prestar o atendimento posterior para as vítimas que fizeram ou não boletim de ocorrência – até porque a maioria não busca sequer auxílio. “Essa parceria envolve segurança, assistência social, saúde etc. É essa organização que trará novos caminhos”.

Para o capitão Caio Dias Baptista do 49° Batalhão da Polícia Militar de Várzea Paulista e Região, a questão é realmente o pós, para que a mulher que sofreu a violência seja acolhida mas também tenha a oportunidade de seguir adiante. “Tenho certeza que estamos dando um passo bem importante”, diz. A PM também orientou sobre o uso do SOS Mulheres, um aplicativo que pode ser usado pelas vítimas que contam com adoção de medidas protetivas.

A advogada Andrea Castro, representante da Comissão de Mulheres da OAB e coordenadora do núcleo Mulheres do Brasil de Jundiaí alertou para o avanço da violência doméstica e para a importância de denunciar. Principalmente para as mulheres que sofrem agressões psicológicas. Para ela, o projeto é um exemplo de como tratar a mulher que foi vítima de violência. “Porque o maior acolhimento é dizer que ela não está sozinha”, diz Andrea.

A assistente social Juliana Ramos foi a responsável pela apresentação do Fluxo de Atendimento à Mulheres Vítimas de Violência, em Campo Limpo Paulista. Ela que é gerente do Centro de Referência de Assistência Social Especializado (CREAS) diz que o grande objetivo é motivar a mulher que teve coragem de denunciar.

A partir da denúncia, feita pela vítima ou de outra pessoa, terá uma ficha de atendimento preenchida para que seja encaminhada para os serviços necessários. “Nem sempre a mulher se reconhece como vítima de violência mas é a prevenção a partir dos primeiros sinais de que ela existe, que não deixará ela chegar a um caso mais grave e que comprometa a saúde da mulher”.

A mulher vítima de violência será acolhida, explica Juliana. Caso não tenha uma rede de proteção, ela será encaminhada para programas específicos e receberá não apenas tratamento psicológico e físico, como a chance de compor o ciclo de violência, com ressignificação para uma nova vida.

Geralmente as agressões contra a mulher acontecem no espaço familiar, escolar ou institucional, consideram-se como principais tipos: a violência física, a sexual, a psicológica ou por negligência. Dentre as formas mais generalizadas de violência contra a mulher, destacam-se a violência física praticada por parceiro íntimo e a violência sexual. Estudos apontam que parceiros e ex-parceiros são os principais autores da violência doméstica contra a mulher.

Nas últimas décadas, iniciativas foram criadas para modificar a situação, como a criação das Delegacias de Defesa da Mulher e a promulgação da Lei n. 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, possibilitando a figura do “flagrante” e a decretação de prisão preventiva, além de aumentar a pena e instituir medidas protetivas. No entanto, o medo e a dependência financeira da mulher em relação ao parceiro são os principais motivos para não ocorrer uma denúncia. Denúncias: 100, 190, 153 ou 180.

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