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segunda-feira, 17 junho, 2024

A volta triunfante do lobo-guará

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Desde que o Banco Central passou a estampar animais nas cédulas, como a onça pintada na de R$ 50, ou a garoupa na de R$ 100 – animais são mais confiáveis que as pessoas – procurava-se outro típico brasileiro para figurar na nova cédula de R$ 200. E já se fala que logo virá a de R$ 500. Pensou-se a princípio na anta, mas anta existe em outros lugares também. Pensou-se na preguiça, mas também foi inviável – seria uma alusão à falta de vontade de trabalhar. Até o jegue foi cogitado, mas o problema era o mesmo da preguiça. O lobo-guará ganhou a parada.

Mas é um contraste e tanto – a cédula de maior valor a circular no Brasil terá um animal que é pouco valorizado, perdeu parte de sua população e é considerado vulnerável pelo Ministério do Meio Ambiente. O lobo tem sido vítima de donos de fazendas, que o abate a tiros, e de atropelamentos em rodovias. Ele é o maior da espécie na América do Sul e está em risco constante. Um dos principais símbolos do Cerrado, o lobo-guará é vítima da expansão do agronegócio. E vulnerável significa estar na lista de animais ameaçados de extinção. Há vinte anos, a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica o lobo-guará como uma espécie quase ameaçada. Estima-se que haja 24 mil lobos da espécie no Brasil.

Se o Banco Central se livrou de um problema, o de escolher um animal que não causasse polêmica, os ambientalistas entendem que a circulação da cédula de R$ 100 vai ajudar a população entender a necessidade de conservar a espécie, chamando a atenção para as dificuldades que o animal vive. Segundo o Banco Central, a escolha do lobo foi com base em pesquisa, feita em 2001. Nessa pesquisa, o animal que teve a primeira colocação foi a tartaruga-marinha, que hoje está na cédula de R$ 2. O segundo, o mico-leão-dourado, que está na nota de R$ 20. O terceiro foi o lobo-guará. Mas o lobo-guará já teve outros dias de glória – entre dezembro de 1993 a setembro de 1994, ele deu sua graça na cédula de 100 cruzeiros reais.

Institutos e ONGs tentam, há algum tempo, conscientizar fazendeiros a não matar os lobos-guará. Explicam que ele é importante para a natureza – os lobos comem um pouco de tudo, desde ratos e outros pequenos animais a frutas e insetos. Como andam em média 20 quilômetros por dia, e ainda defecam e urinam para marcar território, ajudam a espalhar sementes de árvores, além de conter possíveis pragas.

E por que os fazendeiros? Porque eles criam galinhas, e o logo é um expert em invadir galinheiros. E já houve casos de lobos nas cidades. Mas são as cidades que avançam para o mato, e não os lobos para as cidades. Agora é esperar a cédula de R$ 500.

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A Editora Urbem faz parte do Grupo Novo Dia e edita livros de diversos assuntos e também a Urbem Magazine, uma revista periódica 100% digital.
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