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Jundiaí
terça-feira, 27 outubro, 2020

Prefiro comemorar outras coisas

O 4 de julho é a data nacional dos americanos, o dia de sua independência. Nacionalistas, patriotas, os americanos se enrolam em bandeiras e saem às ruas com a cartola do Tio Sam na cabeça. No Brasil, na mesma data, é comemorado o Dia do Telemarketing. Poderia ser o Dia do Inferno. Ou o Dia do Aborrecimento Nacional. Não existe praga maior que o telemarketing.

Também se comemoram em 4 de julho o Dia Internacional do Cooperativismo e Dia Internacional das Cooperativas. Mas alguém resolveu que precisa comemorar o telemarketing. Cá pra nós, telemarketing é sinônimo de perturbação. Porque aqui ele é mal usado. Em todo o mundo o serviço é bem vindo. As pessoas atendem com satisfação uma ligação de telemarketing.

Situações rotineiras no telemarketing tupiniquim: você recebe ligações de números localizados até nos Estados Unidos e resolve não atender. As centrais usam muitas linhas, e à medida que você vai bloqueando as ligações, elas usam outra para tentar lhe surpreender. Quando você resolve atender, a falta de educação é gritante. Por sinal, ao ligar para um celular, a primeira coisa que alguém deve fazer é perguntar se a pessoa que atendeu pode falar. Mas aqui não.

Mal você atende o telefone e a central de telemarketing despeja aquele discursinho que não cola. Há um script a ser seguido. Se você for aposentado, vai precisar aturar o telemarketing de financeiras oferecendo cartão de crédito e crédito consignado. E vai ouvir argumentos que arrepiam o fígado, tais como “agora que o senhor se aposentou, precisa pegar sua esposa e fazer um cruzeiro”, ou “está na hora de comprar um carro novo e viajar”.

Uma época, que eu acho que estava com Jesus no coração, resolvi dar o troco. Depois de receber seis ligações do mesmo número, atendi. A mocinha (sim, eles colocam mulher para vender quando o alvo da venda é homem) ofereceu crédito e caiu na bobagem de falar que já havia ligado diversas vezes naquele dia. Resolvi justificar, e disse que não atendi porque estava no enterro da minha mãe. Acreditem – ela quase chorou ao dizer o tradicional “meus pêsames”.

Numa outra vez, a mocinha falou que eu precisa fazer um cruzeiro com minha esposa. Nâo tenho esposa, sou divorciado, moro sozinho, sei cozinhar, passo minha roupa (quem lava é a máquina), cuido da minha casa e explicando essa situação para ela, resolvi dar o troco – convidei-a para me acompanhar nesse cruzeiro. Educadinha, saiu pela tangente e insistiu em oferecer crédito consignado. Recusei, muito obrigado, se precisar lhe procuro etc.

Só que o tiro saiu pela culatra. Acredito que ela tenha comentado isso com suas coleguinhas de trabalho e dado o número falando “liga pra esse cara e veja o que ele fala”. Virou um inferno. Bloqueei, até agora, 72 números de telemarketing. E vou continuar bloqueando mais.

Mas esse inferno não se resume às financeiras. Tem ONGs, creches, hospitais e outros do tipo que pedem doações. Na negativa, ficam indignados. “Mas como o senhor não pode ajudar? Pensa nas pessoas que estão precisando, Deus vai lhe recompensar”. Tem a Vivo também, que coloca gravação para lhe oferecer seus produtos. Tem a Net – que agora é Claro, mas poderia ser Escuro – que também torra sua paciência com gravações e mensagens.

Mas há uma pergunta que não quer calar – quem passou meus dados para essas financeiras? Suponho que o INSS não faz isso oficialmente. Suponho que alguém, um funcionário do INSS, ou muitos talvez, esteja vendendo essas informações. As financeiras têm sua ficha completa, com nome, endereço, números do RG e CPF etc. E vender essas informações é crime. Mas como tudo, nada acontece. Ou melhor, acontece: sua vida vira um inferno com essas ligações em qualquer dia e horário.

Pensando bem, no 4 de julho vou comemorar outras coisas. Nem que seja a independência americana. Com bandeira e cartola do Tio Sam. Porque, se eu puser uma Bandeira Nacional, como deveria, vão me acusar de fascista, bolsonarista, anti-democrático, homofóbico, xenófobo e outras coisas. Pensando melhor, vou pegar um crédito consignado e me mudar para Miami.

ANSELMO BROMBAL
Jornalista

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