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domingo, 21 julho, 2024

Instabilidade fiscal torna real a moeda mais desvalorizada em 2024

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O aumento das incertezas em relação à direção da política fiscal nacional tem exercido uma pressão sobre o real brasileiro, levando-o a perder terreno em relação ao dólar. Até esta terça-feira (11), o real ocupava a sétima posição entre as moedas que mais se desvalorizaram em comparação com o dólar americano, com uma queda de 9,5%.

Acima do real no ranking, encontram-se países como o Japão, cuja moeda registrou uma queda de 10,1% no mesmo período, atingindo mínimas em décadas devido à recente mudança na política monetária do país, após anos de taxas negativas. Em quinto lugar, está o peso argentino, com uma desvalorização de 10,5%.

O primeiro lugar no ranking elaborado pela Austin Rating foi ocupado pela Nigéria, onde a naira teve uma queda de 42,8%.

Com uma desvalorização menor e, portanto, à frente do Brasil, estão: a lira turca (-8,7%), o peso mexicano (8,1%) e o franco suíço (-6,8%).

De maneira geral, todas as moedas têm sido impactadas pela política monetária contracionista adotada pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, juntamente com as incertezas globais, impulsionando o dólar a registrar ganhos significativos ao longo do primeiro semestre. No entanto, o Brasil tem razões adicionais para se preocupar.

“Quando observamos os fatores que têm contribuído para a desvalorização de várias moedas pelo mundo, especialmente nos países emergentes, o principal deles é a decisão sobre os juros nos Estados Unidos. No entanto, vemos o Brasil figurando no topo do ranking, ao lado da Argentina, que enfrenta uma crise profunda, e de outros países africanos que, em geral, lidam com conflitos. Então, precisamos entender quais são os motivos, já que não estamos passando por um confronto civil nem uma crise como a argentina. O que sobra? O descontrole fiscal”, afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Nesse contexto, as moedas emergentes, como o real, perdem terreno. No entanto, o real se destaca negativamente por uma série de razões, que incluem tanto a mudança da meta de inflação a partir de 2025 quanto os planos recentes para aumentar a receita do governo.

“A alteração da meta em abril, conforme declarado no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2025, minou a confiança dos investidores em relação ao controle e equilíbrio das contas públicas. Além disso, a postura do ministro da Fazenda, que recentemente afirmou não ter um plano B para cobrir o déficit causado pela desoneração fiscal, coloca o governo em uma posição bastante delicada”, explicou o economista.

Cenário externo se mantém de mau-humor nesta quarta-feira

No cenário externo, o estresse cambial aumenta à medida que o pessimismo do mercado financeiro em relação à política de juros dos Estados Unidos cresce. Esse mau humor pode se intensificar na quarta-feira (12), caso o Fed opte por adotar um tom mais rígido em seu comunicado sobre a decisão da taxa de juros.

A reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), o comitê de política monetária dos EUA, provavelmente confirmará a expectativa do mercado de que os juros americanos permanecerão inalterados entre 5,25% e 5,50% ao ano. Embora essa decisão já seja esperada, o conteúdo do comunicado influenciará as expectativas e pode aumentar ainda mais o valor do dólar no mercado cambial.

O desafio do banco central dos EUA é alcançar a meta de inflação estabelecida em 2% ao ano. Atualmente, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) está em torno de 3,3%, o que está acima da meta.

A plataforma que avalia as expectativas dos agentes financeiros em relação à política monetária dos EUA, o CME Group, indica uma probabilidade de 61,3% de que o primeiro corte nas taxas ocorra em setembro.

Além das questões relacionadas aos juros americanos, as incertezas globais também exercem pressão. Conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu permanecem como preocupações nas mesas de negociação.

Na B3, a cautela global se reflete nos pregões desta semana. Ontem, o dólar fechou cotado a R$ 5,359 na venda, mantendo-se nas máximas desde janeiro de 2023.

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