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quarta-feira, 7 dezembro, 2022

“Wakanda para sempre” supera fracasso do Pantera Negra

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Desde o começo, Wakanda sofre com a morte de seu herói, o Pantera Negra Chadwick Boseman. No entanto, para a Marvel, talvez não tenha sido este um mau negócio assim. Se o carisma de Boseman era inegável, o vazio que deixou obrigou o roteiro a incluir algumas reviravoltas que, afinal, tornaram “Wakanda para sempre”, em cartaz nos cinemas, provavelmente mais interessante do que seria uma mera continuação. O longa é destaque nas salas do Moviecom de Jundiaí e os ingressos podem ser adquiridos on-line pelo moviecom.com.br.

Assim, logo na primeira sequência a nova rainha, Ramonda, mãe do Pantera, faz uma visita a um conselho da ONU reunido em Bruxelas e esculhambando nações bélicas (EUA à frente) que, por seu militarismo, querem pôr as mãos no vibranium, o poderoso metal que só Wakanda possui.

Por um instante estamos livres dos super-heróis. Por mais que o Pantera Negra tenha se mostrado talvez o mais estimável deles em seu filme de estreia, é sempre um consolo que nossos heróis sejam pessoas razoavelmente comuns.

Na contramão de tudo o que já foi visto também é o reino de Wakanda, mistura colorida de costumes tribais e tecnologia de ponta. Essa tecnologia que, no mais, Shuri, a irmã mais nova do Pantera, domina perfeitamente. Até aqui estamos num reino de mulheres. Mulheres negras e poderosas: não é pouco para um filme que parecia num beco sem saída com a morte de Boseman.

Namor é o homem que surge para bagunçar essa dominação, cujo prodigioso reino nas profundezas oceânicas tem início no século 16, quando a América Central é invadida pelo homem branco e, graças a umas tantas mágicas, Namor, ainda menino, consegue eliminá-los. Pois bem: ao contrário do que se imaginava, Wakanda não é o único lugar a possuir o vibranium: o fundo do mar também.

Pacto

O óbvio acontece, quando os EUA querem pôr as mãos no precioso mineral, capaz de colocar o mundo de joelhos com seu poder. Conversa vai, conversa vem, Namor propõe a Wakanda um pacto entre as duas nações, a fim de controlar o vibranium e evitar que os países guerreiros (e colonialistas ou imperialistas) o utilizem.

Wakanda até percebe que a associação proposta não é saudável, mas Namor é poderoso e, na falta de um parceiro para enfrentar a dominação do homem branco, decide ir à guerra contra Wakanda. O vingativo Namor, não seria senão a Venezuela com seu petróleo. Pode, perfeitamente, fazer o papel de vilão belicoso, o que permite à Marvel deixar os EUA em segundo plano (mas não com a barra de todo limpa). E permite ao filme, mais do que tudo, entrar no universo do blockbuster.

Foi quando, então, Shuri decide combinar a força da tecnologia mais sofisticada com o poder de uma Erva (com maiúscula) ancestral para se tornar, ela própria, uma superguerreira e demonstrar que tem também o sangue de pantera. O pacifismo de Wakanda fica para trás e voltamos ao reino dos super-heróis, com suas lutas intermináveis e bem ao gosto infantil.

O interesse do filme decai à medida que seus subplots, um tanto delirantes com a criação de um Olimpo de deuses (deusas, sobretudo) dão lugar à exibição de poderes ilimitados, quer dizer, vão se adaptando às necessidades da luta que têm pela frente.

Por tudo isso, “Wakanda para sempre” tem um maior interesse, para espectadores adultos, do que o habitual das sagas enjoativamente repetitivas do universo Marvel. Isso não impedirá o espectador de sentir em diversos momentos o peso dessas imagens supercarregadas de elementos mágicos, que passam à nossa frente, em quase toda a extensão do filme, à razão de um plano por segundo, mais ou menos, sobrecarregados por efeitos especiais de todo tipo. Mas isso são as leis do gênero.

A ideia de que com o Pantera Negra e seus sucessores os pretos têm acesso ao mundo dos superpoderes. É certo, portanto, que tomam uma fatia do mundo do puro espetáculo: será que com isso o cinema poderá colaborar com a luta antirracista, ou terá isso o mesmo efeito dos comerciais de TV, onde modelos negros desfilam com elegância e desenvoltura? 

Fora deste contexto, no entanto, não faltam demonstrações, a cada dia, de que o racismo continua a correr solto. A ver os próximos capítulos dessa história onde, no mais, não faltam órfãos (Shari e Namor, entre outros).

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