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sábado, 28 janeiro, 2023

De devedora a educadora financeira, como iniciar 2023 com saldo positivo

Daiane Gubert, 41 anos, era detentora de uma dívida quase que impagável. Mas deste quase fundo do poço chegou à posição de sócia do escritório de investimentos Phidias Investimentos. À primeira vista, quem ouve os comentários da bem-sucedida gestora para usufruir do dinheiro com tranquilidade não imagina os percalços que ela precisou superar ao longo dos anos. 

Sua história, porém, é parecida com a de muitos brasileiros, com enormes desafios para equilibrar as contas entre as necessidades e um orçamento escasso. Entre o início dos anos 2000, ela chegou a acumular R$ 100 mil em dívidas.

Sem medir esforço, ela conseguiu quitar todos os compromissos e, hoje, possui projetos de educação financeira para repassar seus conhecimentos às mulheres e crianças em Florianópolis (SC), cidade onde mora desde 2012

Primeira dívida

Logo que iniciou no mercado de trabalho, aos 15 anos, como “office girl” em um banco da capital catarinense de dia, enquanto terminava os estudos à noite, Daiane engravidou aos 17 e foi morar em São Paulo. As primeiras dificuldades começaram na mesma época. Já no nascimento, a filha, Larissa, foi diagnosticada com esclerose tuberosa, uma doença rara que pode provocar problemas como epilepsia ou deficiência mental.

Começou a atuar como operadora de telemarketing na cidade paulista, posição pela qual recebia R$ 330, mais R$ 60 de vale-alimentação. Só com os remédios para o tratamento para Larissa desembolsava R$ 180. A medicação não estava disponível no posto de saúde, e ela tinha a ajuda da mãe e do irmão para inteirar o dinheiro para preservar a saúde da menina.

Daiane foi reprovada uma seleção em uma vaga para iniciante no Unibanco (antes da fusão com o Itaú), onde recebia R$ 1.300. Ficou lá por cinco anos, de onde saiu para receber cerca de R$ 2.200 no Santander, onde ficou por mais dois anos. 

Com o nascimento do segundo filho, Guilhermo, com aos 27 anos, Daiane viveria “a fase mais complicada da vida”: o término do casamento. “Foi muito difícil. Na ocasião, eu estava muito debilitada. Queria voltar para Florianópolis, mas não fui para não afastar meus filhos do pai”, afirma.

Dificuldade com o mínimo

Daiane se manteve na capital paulista, e as contas começaram a apertar. Os gastos incluíam cerca de R$ 900 com aluguel e outros R$ 400 para água, luz, condomínio, e seguro-fiança. Sem uma reserva para dar de entrada, tinha uma parcela de R$ 900 com o financiamento do carro. As consultas da filha com um neurologista a cada seis meses consumiam outros R$ 1.000 por ano. Sem falar em roupa e alimentação. 

Por trabalhar no banco, tinha acesso fácil a crédito. Assim, foi um pulo até começar a utilizar o cheque especial para complementar a renda. “Não havia excesso de gastos com viagem ou bolsa de grife. Mas tinha telefone e roupa para o trabalho. No banco, eu precisava estudar e estar sempre bem arrumada”, diz. Também surgiam emergências, claro, como o conserto do carro ou da máquina de lavar. E precisava bancar, ainda, IPVA e seguro automotivo.

Quando entrou no Citibank, em 2018, recebia um salário de R$ 2.700. No banco norte-americano, tinha benefícios como 13º e 14º salários, bem como dissídio e férias. Ainda assim, a quantia era insuficiente para arcar com todas as contas. “Enquanto meus amigos viajavam, eu pegava o dinheiro do 13º e 14º para quitar as dívidas”, afirma Daiane. 

Chegou a dever R$ 25 mil só com cartão de crédito. Para piorar, caiu na malha fina da Receita Federal por conta da declaração da pensão alimentícia.

Pagando uma a uma

Nessa época, o nome da bancária constava no cadastro de devedores do Serasa, o que até hoje é inaceitável para colaboradores de instituições financeiras. Em suas palavras, aquilo era “constrangedor”. “Mas foi libertador, porque comecei o pagamento das dívidas. Trabalhei nos bancos, sei como eles negociam. Se você parcelar uma dívida de R$ 5.000, isso virá R$ 12 mil. Porém, se a pessoa oferece R$ 1.000, eles liquidam a dívida e acabou”, explica.

Até aquele momento, ela tinha certa estabilidade no emprego. Mas resolveu abrir mão para aceitar uma proposta do Banco Safra, em 2012, para ganhar por volta de R$ 8.000 —mais do que o dobro da sua remuneração até então.

Porém, não poderia ter nenhuma pendência no nome. Àquela altura, o carro já estava quitado e não pesava mais no orçamento mensal. Ela cortou despesas, voltou a morar com a mãe e negociou para liquidar as operações com o dinheiro que sobrava a cada mês. Com disciplina e um salário mais alto, conseguiu pagar os compromissos rapidamente.

Cinco anos depois de trabalho no Safra, resolveu empreender. Abriu uma casa de investimentos com outros sócios, e permaneceu no negócio de 2017 a 2021. No ano passado, abriu seu próprio escritório de investimentos credenciado à XP. (UOL)

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