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terça-feira, 9 agosto, 2022

Quadrilha passava cocaína pelo raio-x e alambrado do aeroporto

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Uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (19), levou a um grupo suspeito de cooptar funcionários do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, para o tráfico internacional de drogas. Foram detidos suspeitos de integrar a célula de quadrilha vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme investigação da PF. Os criminosos chegaram a passar carregamentos de cocaína pelo raio-x de bagagens e até pelo alambrado que dava acesso às pistas do terminal. As informações são do Estadão Conteúdo.

A maioria dos 23 investigados trabalhava infiltrada entre funcionários de empresas terceirizadas do aeroporto, o que os permitiu descobrir brechas de segurança e diversificar as estratégias de tráfico de drogas. Ao todo, 15 foram presos e oito estão foragidos – entre eles, os dois chefes do esquema.

“Existiam diversas formas de a droga entrar no caso dessa investigação específica”, disse a reportagem o delegado da Polícia Federal Fabrizio Galli, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes. Como exemplo, ele cita situações em que os carregamentos passaram pelo check-in, mas foram descobertos por funcionários de companhias aéreas. “(Os criminosos) Eram terceirizados que, após o fechamento do check-in, de alguma forma, tentavam introduzir as bagagens.”

Galli explicou que, em alguns casos, essas tentativas foram bem sucedidas, até pelo conhecimento que integrantes da quadrilha adquiriram sobre o funcionamento do aeroporto. “Houve episódios em que a droga foi passada pelo alambrado. Havia funcionários – tratoristas e outros funcionários que prestavam serviços – que aguardavam em local impróprio, onde normalmente não deveriam estar, para receber essa droga.”

As investigações tiveram início em abril do ano passado e, desde então, foram feitas nove ações e apreendidos 887,5 kg de cocaína. Dos 23 suspeitos, 18 trabalhavam (ou chegaram a trabalhar em algum momento) em empresas que prestam serviço ao Aeroporto de Guarulhos, três faziam apoio logístico à quadrilha e outros dois comandavam o esquema. A PF não divulgou os nomes das empresas terceirizadas que tinham empregados entre os suspeitos.

“Os dois principais alvos, que são os responsáveis pela cooptação, são faccionados pelo PCC”, disse o delegado. Os investigadores, no entanto, não chegaram a capturá-los. “Um deles não se encontrava no endereço e é dado como foragido, embora as equipes da Polícia Federal ainda estejam atrás dele. E o outro se encontra no exterior, razão pela qual foi feito um pedido de prisão internacional decretado pela Justiça do Brasil e feita a difusão vermelha via Interpol”, disse o delegado.

“Existem outras células que estão sendo investigadas pela Polícia Federal, e já foram feitas diversas operações no aeroporto para que essas células sejam eliminadas”, disse Galli. Segundo ele, o crime organizado traz a droga de países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, e depois organiza a entrega para países normalmente da Europa, quando entram as células como a que foi presa nesta terça.

“Como o Brasil é uma rota de escoamento de drogas, e (a quadrilha) utilizava, nesse caso específico, uma rota aérea, foi feito esse trabalho”, explicou o delegado. Como destinos já mapeados, ele cita cidades como Frankfurt, na Alemanha), Lisboa, em Portugal, e Amsterdã, na Holanda.

Os policiais federais cumpriram mandados expedidos pela 5ª Vara da Justiça Federal em Guarulhos. Além dos 23 mandados de prisão preventiva, foram 24 de busca e apreensão. Além de Guarulhos, as medidas ocorreram também na capital paulista, em Sorocaba e em Praia Grande. E também em Portugal, onde um dos mandantes estaria. Os investigados serão indiciados pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, cujas penas variam de 10 a 25 anos de prisão.

A GRU, concessionária responsável pelo aeroporto, foi procurada pela reportagem e disse que informações sobre a operação serão repassadas pela Polícia Federal. A operação ganhou o nome de Bulk, em alusão a um dos compartimentos de carga de aeronaves comerciais de longo curso: o bulk cargo, que fica no porão, perto da parte traseira da aeronave.

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