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quarta-feira, 6 julho, 2022

Quer andar de carro velho?

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O meio automobilístico anda se queixando que pequena parte da frota brasileira é de carros com até cinco anos de uso. As queixas vem via assessorias de imprensa, com estatísticas e argumentos que não convencem nem uma criança. Um desses argumentos é que carros produzidos em 2012 poluem mais que os carros produzidos atualmente. Essas queixas têm um motivo – o povo está comprando menos carros novos do que comprava há dez ou quinze anos.

E tomara que continue assim. A indústria exagerou nos preços. Hoje, qualquer carro popular custa mais de 50 mil reais. E 50 mil reais não é preço popular em lugar nenhum do mundo. Peças e serviços acompanharam essa alta exagerada. E isso sem contar os modelos mais bem acabados (e longe de serem de luxo), que chegam a custar 300 mil reais. Então é natural que haja menos venda. Não está sobrando dinheiro para ninguém.

Nos anos 1960 a 1980, ter um Fusca era ter dinheiro em caixa. A própria Volkswagen valorizava seus modelos usados, e com isso vendia mais carros novos. Era comum a troca em todo fim de ano do usado, do ano, por outro zero quilômetro. Mas hoje a própria VW tem o Gol, chamado de popular, custando mais de 70 mil reais. O jeito é continuar com o velho.

Poluir todos poluem, uns mais outros menos. Mas não serão as miligramas de diferença de poluentes dos usados para os novos que vão salvar o planeta. E para complicar, há uma certa guerra entre as montadoras ditas nacionais e os modelos importados. Os carros chineses, por exemplo, são mais baratos e melhores. O QQ, outro exemplo, sai de fábrica com ar condicionado, vidros e travas elétricos, desembaçador traseiro. E é bem econômico. Mas as “nacionais” plantam os boatos que o carro não presta. E não lhe dão o devido valor. E o mais prejudicado é o JAC, uma desgraça para vender o usado.

Levando em conta a qualidade dos mais antigos com os atuais, os mais antigos ganham de lavada. Foram feitos para durar. Os atuais são feitos para quebrar logo. E aí surge outro argumento inócuo da indústria: carro mais velho dá mais manutenção. E isso é verdade.

Mas é preciso levar em conta outros fatores. Um carro com 15 anos de uso, por exemplo, exige mais atenção, mais visita ao mecânico, mais compra de novas peças. Mas sai bem mais barato fazer essas manutenções, ao longo dos anos, do que desembolsar uma fortuna para comprar um carro zero, que logo… vai quebrar.

Pra resumir: um carro com 15 ou 20 anos, bem cuidado, vai levar seu dono para o mesmo lugar que um zero quilômetro levaria. Pode ser que gaste um litro de óleo a mais, um litro de gasolina a mais, que chegue dez minutos depois. Pode ser, mas vai chegar. Eu que o diga.

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