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sexta-feira, 20 maio, 2022

Estilosa mendicância

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É de chorar: uma empresa lançou um tênis todo estropiado por um preço absurdo. O tênis vem
detonado, sujo, deformado, e pior, está vendendo. Tem alguma coisa errada no nosso mundo. Ou
idiotas demais ou espertos em excesso. E já faz algum tempinho que essa moda de usar tudo o que é podre está em evidência.

O tênis foi a última. Mas já há bastante tempo a moda das calças rasgadas foi adotada. Principalmente por mulheres. E não é rasgada por tempo de uso, por acidente. Vem rasgada de fábrica. Algumas mais outras menos. E custam caro.

Bem antes disso havia a moda das camisetas desbeiçadas e com manchas feitas por tintura. E muita gente achava bonito. Felizmente isso passou. E toda vez que aparece esse modismo do putrefato, vem à lembrança outros tempos. Não é saudosismo. É bom gosto, elegância, cuidado, respeito. Vamos lá.

Nos anos 1950 e 1960 não se entrava num cinema sem terno e gravata. Terno não, costume. Terno são três peças: calça, paletó e colete. Quando se usa somente calça e paletó é costume. Era um exagero, mas todos respeitavam. Mulher que usasse calça comprida não era bem vista – então todas usavam saias ou vestidos.

Os hippies formam um capítulo diferente, sem qualquer contexto. Eram sujos, porcos, não tomavam banho, vestiam-se horrorosamente, não davam a mínima para os outros. Preferiam a maconha ao sabonete e diziam gostar de rock. Mas banho que era bom…

Nos anos 1970, não se entrava na maioria dos clubes de calça jeans ou tênis. Ou ambos. E nem se falava “calça jeans”. Era “calça lee”. Exigia-se postura e elegância em respeito aos elegantes e
educados. Muitos bailes de formatura exigiam vestido longo e smoking. Hoje, se alguém for a um clube ou festa de smoking será confundido com garçom. E, por sinal, garçom não usa smoking – usa summer, que é branco.

Com o passar do tempo os costumes foram sendo liberados. Vieram outros modismos, como a mini-saia, as botas para mulheres, a calça boca-de-sino para homens… Mas mantinha-se um mínimo de bom gosto. As adaptações são úteis e necessárias. Como exemplo: nos anos 1920-1930, os homens usavam ternos de casemira ou lã. Seguiam a moda dos europeus. E aqui, que faz mais calor do que no inferno, todo mundo sofria.

Costumes liberados, evolução, tudo bem. Mas pagar caro por uma calça rasgada ou tênis estropiado deve ser burrice, idiotice, retardo mental. Coisa normal não é. Tem gente fumando cigarrinho de orégano estragado. Ou cheirando pozinho vencido. Pode ser que boa parte dos humanos ainda viva de lembranças. Mas é bem melhor viver dessas lembranças – paletó, vestidos longos – do que se apresentar com a mendicância com grife.

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