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terça-feira, 18 janeiro, 2022
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O Brasil precisa urgente de uma Revolução capitalista

Analisando o Relatório sobre as Desigualdades Mundiais, esse é o segundo realizado desde 2018 e teve a colaboração de centenas de renomados pesquisadores internacionais. Um documento extenso e abrangente que inclui também a análise sobre o impacto da pandemia de covid-19, que exacerbou o aumento da fatia dos bilionários no total da riqueza global. A análise faz também referência ao Brasil como “um dos países mais desiguais do mundo” e aponta que a discrepância de renda no país é marcada por níveis extremos há muito tempo.

Sempre incomodado com o presente e o futuro do país, busquei apoio nos estudos de Joseph Stiglitz e Jean Tirole ambos já foram premiados com o Prêmio Nobel de Economia, exatamente nas abordagens sobre as imperfeiçoes do sistema capitalista e seus impactos na sociedade. Em o Grande Abismo, Stiglitz argumenta que a desigualdade é uma escolha, é o resultado acumulado de políticas injustas e prioridades equivocadas, algo comum na desgraça que assola milhões de brasileiros. Já na obra mais recente Povo, Poder e Lucro Stiglitz mostra como a economia tende a favorecer os grandes empreendimentos. Setores econômicos inteiros estão concentrados nas mãos de algumas poucas empresas, contribuindo para a disparada da desigualdade e para o lento crescimento econômico. Nessa direção é natural apontar que o processo de privatização no caso brasileiro poderá agravar ainda mais a situação da maioria da população e reduzir também o tamanho do mercado consumidor de bens duráveis, deixando milhões de pessoas dependentes da ajuda permanente do governo para satisfazer apenas as necessidades básicas e sem ao menos permitir o acesso ao conforto gerado pelo avanço das tecnologias. Para Tirole economista francês especialista em modelagem para o setor público, nos mostra que a regulação econômica conduzida por um Estado forte e independente é a única saída para equilibrar os interesses do grande capital e da sociedade. A China comunista com uma economia planificada atua de forma até abusiva para os padrões da democracia ocidental, para evitar a concentração empresarial. E dessa forma evitar que a mesma empresa possa atuar como monopsônio e monopólio e impor suas regras na cadeia de fornecimento em todo o planeta abusando do seu poder de barganha.

Uma revolução capitalista é possível no Brasil, mas para ocorrer será necessário um pacto social geral e irrestrito, e quem domina os meios de produção compreender que somente uma mudança nas condições da demanda do mercado interno vai garantir estabilidade econômica e permitir inovação e escala de vendas. Para tal transformação Stiglitz aponta algumas soluções reais como: “aumentar as taxas para grandes corporações e os mais ricos, oferecer mais assistência para as crianças pobres, investir em educação, ciência e infraestrutura, ajudar os donos das residências, em vez de bancos, e, mais importante, fazer mais para restaurar a economia de pleno emprego”. Essas modificações na organização social da produção são necessárias ocorrer também uma revisão na sanha de austeridade fiscal desnecessária e destrutiva que assola a sociedade brasileira e se torna um dos estímulos para a corrupção. Na realidade não vejo problemas no sistema capitalista, apenas na forma como está sendo aplicado sem restrições aos excessos, os quais levam a sociedade a ser refém dos mercados e não ao contrario. O capitalismo nesses moldes deu certo pra quem?

“A economia não é produto da natureza: como construção histórica, é passível de ser mudada e até revolucionada”. O capital no século XXI, Thomas Piketty

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor.

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