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quarta-feira, 26 janeiro, 2022
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Por que adaptações cinematográficas de games costumam fracassar?

Para quem é fã de cinema, fã de games ou fã dos dois, existe uma máxima (quase um ditado popular) que é: “adaptações de games não dão certo” e a mais nova versão de “Resident Evil” que estreou nos cinemas na última quinta-feira (2) parece que mais uma vez veio confirmar essa teoria. “Resident Evil: Bem-Vindo a Racoon City” (2021) vem amargando um resultado péssimo nas bilheterias de todo mundo, salas vazias no Brasil e também apenas 27% de avaliações positivas no site Rotten Tomatoes, o maior agregador de críticas da internet na atualidade. O ator que dá vida ao personagem Leon S. Kennedy nessa nova versão, Avan Jogia, simplesmente desativou a sua conta no Instagram tamanha a quantidade de mensagens e comentários negativos ao seu desempenho cênico assim como críticas ao filme todo, de maneira geral. A gente sabe que o fã é “chato” (quer ver sempre o melhor resultado possível na tela, obvio) e a Sony Pictures mais uma vez pisou na bola, o que pode devolver a franquia de zumbis novamente para a gaveta, como foi após o lançamento do último filme da franquia, estrelado por Mila Jovovich, de 2016 (Resident Evil 6 – O Capitulo Final).

Mas a franquia de games Resident Evil não é de longe a única a sofrer com adaptações sofríveis e odiadas para a grande tela, e os exemplos infelizmente são inúmeros. Mas mesmo a máxima sendo comprovada filme após filme, ficamos ainda na curiosidade de tentar simplesmente entender: por que não conseguem fazer um bom filme (ou sonhando alto, um filme excelente) de alguma história saída dos games? Obviamente, a resposta para essa pergunta é extremamente complexa pois um filme é feito de muitas camadas e são muitas decisões, certas e erradas, que o estúdio pode tomar até o filme chegar na grande tela. Mas mesmo assim, começamos pouco a pouco a entender.

Uma preocupação frequente com relação a qualquer filme obviamente tem que ser o roteiro, e esse parece ser um ponto negativo em comum com todas essas adaptações mal fadadas: roteiros mal escritos, personagens mal desenvolvidos e principalmente, uma falta absurda de proximidade, fidelidade e identidade baseada no material original, ou seja, em suma o filme acaba se tornando um produto extremamente diferente do jogo que o originou, o que desagrada completamente qualquer tipo de fã. Geralmente, essas tentativas ocorrem pois os grandes estúdios tomam para si a verdade absoluta de que para ter o lucro maximizado, esses filmes simplesmente precisam abraçar todo o tipo de público, sem exceção, desde o fã raiz do game até o sujeito que só conhece a franquia pelo nome, nunca jogou nenhum dos jogos e simplesmente ficou curioso pra ver o filme. “Mortal Kombat” (2021) é o típico exemplo: com uma centena de personagens criados para a franquia ao longo dos anos, a Warner simplesmente desistiu de injetar dinheiro no filme (pois se tratava de um filme para maiores, devido ao seu grau de violência) e optou em criar um personagem novo para ser o protagonista do filme, um lutador de MMA genérico, o pouquíssimo carismático Cole Young (nome horroroso), pois eles acreditavam que isso traria uma identificação mesmo com quem nunca jogou os jogos e ainda assim, é fã de lutas. Ledo engano.

Outro fator determinante e que hoje em dia deveria ser um facilitador para esse tipo de adaptação é que os jogos de vídeo game da nova geração estão cada vez mais cinematográficos e bem produzidos. Ouso dizer que algumas franquias já possuem produtos com roteiros melhores que alguns dos grandes lançamentos de Hollywood da atualidade. Antigamente os jogos mal possuíam um enredo, o que realmente forçava os estúdios a simplesmente criarem uma história do zero, que fizesse o mínimo de sentido, para que os personagens se encontrassem e a trama do filme se desenrolasse. Mas nem isso costumava dar certo, basta relembrar “Super Mario Bros”, “Double Dragon” e “Street Fighter”, todos dos anos 90. Outra alternativa que parece ter agradado aos estúdios (e ao público) é fazer filmes baseados no universo dos games e na experiência dos jogadores em si, mas sem adaptar nenhuma franquia especifica, como é o caso de “Jogador Nº 1” da Warner Bros, de Steven Spielberg (que adapta um livro, baseado no universo de games).  E agora, com “Free Guy” da Walt Disney, estrelado por Ryan Reynolds, lançado em 2021 (após um gigantesco atraso por conta da pandemia).

O que me parece ser e vislumbrando a chegada no ano que vem do longa-metragem de “Urcharted”, produzido pela Sony e estrelado por Tom Holland, assim como a série de “The Last of Us” com Pedro Pascal pela HBO, fica fácil de dizer que as adaptações de game para o audiovisual não deixarão de existir tão cedo. Muito pelo contrário, alias. Agora, se elas vão começar de fato a agradar o coração dos fãs, é a pergunta de todos nós fazemos, no nosso intimo. Todo mundo sempre tem algum filme ou alguma série baseada em games de que gosta muito (como é o meu caso com o primeiro longa de Mortal Kombat, dos anos 90, que assumo também ter os seus honestos defeitos) mas o fato é que realmente parece que os estúdios precisam começar a tratar essas produções com mais carinho (ou com mais dinheiro, em alguns casos, feito o próprio “Resident Evil” que me motivou a escrever esse texto).

Vamos ver o que o futuro em 2022 nos reserva.

Felipe é produtor de conteúdo no canal Sessão Set e colunista de cultura pop nos jornais Novo Dia Notícias e Portal da Cidade Jundiaí.

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