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terça-feira, 18 janeiro, 2022
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Os donos da bola de cristal

Mais alguns dias e vão começar aparecer as previsões para o ano novo. Previsões e profecias de todos os tipos. Ora será a mãe-de-santo que dirá que vai morrer um artista famoso; ora outra, falando em catástrofes e tragédias. Sempre foi assim, e não é agora que vai mudar. Mas outros leitores de bolas de cristal há alguns anos. A maioria é formada por economistas de capacidade questionável, que falam de inflação, previsão de crescimento do PIB e outras asneiras, difíceis de compreender.

Esse rol de economistas (note-se bem – não são todos) ficam à espera de algum anúncio do governo para contrariar e expor sua opinião. Até é válido. Mas é preciso coerência. Nesta semana, a Petrobras anunciou que iria baixar o preço da gasolina. E já teve economista falando e escrevendo que não é bem assim. Que no meio da história existe o dólar, a distribuidora, o posto de combustíveis. Como se ninguém soubesse. E esses economistas decretaram que a baixa no preço vai alimentar a inflação.

Pelo que falam e escrevem, tem-se a impressão que sabem mais que os técnicos e que o próprio ministro da Fazenda. E para tudo têm solução. Tudo. Um deles chegou a escrever que neste fim de ano as vendas serão 5,04% maiores que as do ano passado. 5,04%? Onde ele achou esse cálculo tão preciso? Que dados usou para fazer tal projeção? Isso ele não conta. E não conta porque não existe. É puro chute. É o prazer de ser pessimista e contrariar.

Deixemos esses jumentos de lado. Vamos nos ater à parte engraçada, folclórica das previsões. E há uma história que vivi há anos, quando chefiava uma redação. Naquele final de ano, uma mã-de-santo de araque, conhecida até, insistiu em publicar suas previsões, no que acabei concordando. Mas seu “consultório” era longe, e eu não estava com vontade de perder tanto tempo.

Liguei para ela e disse que iria escrever as “previsões”, e que depois mandaria o texto para sua aprovação. E foi o que fiz: um artista conhecido vai morrer, um político famoso vai morrer, acontecerão algumas tragédias pelo Brasil por causa das chuvas de verão… e por aí foi – um monte de baboseiras. Texto pronto, imprimi e entreguei-o ao fotógrafo que iria até lá, para que ela corrigisse minhas “previsões”.

Final da tarde voltou o fotógrafo e entregou o texto. Sem corrigir uma vírgula. Ou eu tinha esse “dom” ou então havia sido muita coincidência. Resolvi brincar. Liguei para ela, agradeci a gentileza de aprovar meu texto, e no fim brinquei: acho que somos dois picaretas. Ela riu e concordou, explicando: o povo gosta disso. Já havia observado políticos, empresários, comerciantes. E já havia chegado à conclusão que somos um país de ignorantes. Mas o telefonema para essa vidente me fez mudar de opinião. Agora minha opinião é: somos um paisinho de merda. E sabe o que vai acontecer em 2022? Se quiser faço previsões.

ANSELMO BROMBAL

Jornalista

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