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quarta-feira, 26 janeiro, 2022
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O Brasil é um campo minado para os investidores

Um risco é qualquer coisa desconhecida ou incerta, que possa impedir o sucesso. Geralmente é qualificado pela probabilidade da ocorrência e pelo impacto que pode causar no projeto, caso ocorra. Os investidores estão sempre atentos as possíveis mudanças no ambiente de negócios, não importando o prazo para o retorno sobre o capital investido e o tipo de mercado. O banco norte americano JP Morgan criou a metodologia para avaliar o perigo para o investimento em países emergentes. As variáveis que compõem a equação do risco-pais sofrem influências dos indicadores econômicos e sociais. A estabilidade é a despoluição do ecossistema de negócios, algo distante na atual conjuntura econômica brasileira.

Os movimentos políticos podem gerar desconfiança nos investidores, uma vez isso consolidado o governo para atrair o capital será obrigado a elevar juros e liquidar ativos públicos como garantia de retorno. Investimentos em longo prazo, mesmo com a oferta de vantagens estatais têm atraído apenas fundos de origem duvidosa, principalmente de paraísos fiscais do norte da África e leste europeu. A aquisição de uma grande refinaria da Petrobras por um fundo estatal de uma ditadura árabe é um sinal forte para os analistas, assim como a fuga de grandes corporações do território brasileiro. Outro movimento que vem chamando atenção é a migração de empresas tradicionais listadas na bolsa brasileira abrindo sede no exterior, para lançar títulos nas bolsas norte americana e europeia. Estão justamente em busca por estabilidade e menor exposição ao risco Brasil, a cada dia mais perigoso.

Nessa semana uma fala com racionalidade e certo teor de responsabilidade do Presidente do Baco Central do Brasil, apontando ter dúvidas da capacidade do país crescer estruturalmente e isso já está entrando segundo o chefe do Bacen como prêmio de risco. É uma clara afirmação de que vem mais tempestade em breve. Outra luz veio no relatório do Citigroup ao elogiar a politica de preços da Petrobras implantada por Temer e mantida por Bolsonaro, que torna as ações da companhia atrativas por ser uma potencia em dividendos.  Portanto sem crédito barato conforme as palavras de preocupação do Presidente do Banco Central, dividendos garantidos pela estatal de energia à custa de reajustes de preços de combustíveis constantes a depressão na economia logo estará em vigor. E somando a isso, inflação de alimentos, desemprego crônico, aumento da informalidade, queda na renda dos trabalhadores, redução na margem de lucro dos empresários devido aos custos em dolarizados e descontrole das contas públicas. Como tudo isso está presente e sem perspectivas de melhoras, pois o que percebo é a volta do esfacelamento das instituições do Estado e a implantação de um regramento informal para atender a interesses de coronéis, o que dificulta o planejamento dos agentes econômicos. A regra além de não ser clara muda sempre durante o jogo. O campo está minado e o risco não é possível ser detectado sem dor.

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. Mateus 7:15

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor

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