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terça-feira, 18 janeiro, 2022
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As Privatizações podem ser uma ameaça à democracia e a liberdade

O professor e historiador Donald Cohen, acaba de lançar a obra “Privatization of Everything” com uma forte reflexão sobre o papel do setor privado na sociedade global. Para ele a privatização de empresas estratégicas nada mais é que entregar à iniciativa privada a autoridade, o controle e o acesso a bens públicos, muitas vezes extremamente necessários à população. O especialista também se preocupa quando ouve que, no Brasil, pré-candidatos à presidência insistem em hastear a bandeira da desestatização como símbolo de progresso. Um Estado com instituições frágeis, comandado por meros despachantes é facilmente devorado pelo choque de interesses do capital. As companhias tendem a esquecer a sua função social e focar apenas no resultado financeiro, o que vem a ser o grande problema para uma sociedade democrática e os efeitos serão devastadores.

A empresa tem capacidade de adaptação a qualquer ambiente de negócios, pois focam na sobrevivência mediante as condições oferecidas pelos ecossistemas. Recorrendo a história as referências são diversas, mas a catástrofe humanitária da Segunda Guerra Mundial é um exemplo, pois não seria possível sem a enorme contribuição de grandes corporações empresariais comandadas por pessoas que estavam mais preocupados em ganhar dinheiro, independente dos efeitos nocivos sobre a humanidade. Essas organizações empresariais ainda continuam presentes em nossas vidas, como: J. P. Morgan, Coca Cola, Fiat, Volks, IBM, Ford, Bayer, BMW, Porsche, Siemens e outras que lucraram com o autoritarismo e antissemitismo da ideologia nazista, como uma demonstração da facilidade de assimilação e se sustentando na máxima de que os fins justificam os meios.

Os movimentos antidemocráticos estão ganhando força em todos os cantos do mundo, o Presidente norte americano promoveu uma Cúpula Mundial sobre democracia, mas pelo visto é mais uma peça de propagando do Pentágono, pois excluiu vários atores relevantes. De nada adianta deixar de fora a China, Turquia e a Rússia por questões ideológicas e as empresas ocidentais continuarem operando e se beneficiando das vantagens locais, muitas delas agressivas aos princípios democráticos. Outra contradição é o apoio norte americano a ditadores do Oriente Médio e Norte da África para defender seus interesses, saliento que os atuais Líderes desses países a única diferença para os velhos assassinos é a etiqueta comportamental e as grifes que ostentam.

É assustador a incapacidade da sociedade brasileira em reagir, pois prefere aceitar a “desgraça” como condição e se contentam com as promessas de que dias melhores virão. Arrebentam estatais de base, degradam serviços públicos e convencem a opinião pública de que só tem uma alternativa, cortar na carne. Entregam monopólios estatais com um regramento humanitário para o setor privado usar e abusar do seu poder de barganha junto à sociedade. É natural os gestores privados maximizar os resultados financeiros e não haverá avanços estruturar agências de regulação sem pessoas capazes de garantir a integridade moral. A crise brasileira tem raízes na institucionalidade, pois não garante regras fortes e claras e regidas com punições exemplares para servir de espelho para gerações futuras. A democracia é sensível e está agonizando.

Fazer reformas nas estruturas do Estado em ciclos de recessão é uma agressão aos mais fracos e um passo para o abismo.

A saúde privada é melhor que o SUS?

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor.

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