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sábado, 4 dezembro, 2021
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O governo erra no diagnostico da crise e adota medidas equivocadas

O Banco Central aumenta a taxa de juros para diminuir a demanda por créditos, reduzindo a circulação de moeda no mercado e, com isso, a redução da inflação devido à diminuição do consumo. Pois bem, adotar esse instrumento macroeconômico para contrair a procura de bens e serviços em uma economia com elevadas taxas de desocupação dos fatores de produção é um equivoco. O desequilíbrio na demanda agregada é evidente nas cinco variáveis da sua composição e o Estado tem o monopólio das decisões que lhe garante a autonomia para usar ferramentas corretas para estimular o consumo das famílias, fomentar o investimento privado e equilibrar o comércio externo. Entretanto não pode errar na identificação das causas do problema.

Durante o governo Temer não havia sinais de pressão sobre os preços e o então comandante da economia adotou uma politica de redução da taxa de juros, mesmo sabendo dos efeitos na desvalorização da moeda doméstica e consequentemente o esfacelamento do poder de compra da sociedade. O ministro da economia do Bolsonaro não corrigiu a falha e passou a usar a queda forçada na taxa básica como realização positiva evidenciando em suas publicidades enganosas. Os economistas prontamente entenderam o cenário e passou a utilizar o dólar norte americano como referência para os custos internos o que contaminou primeiramente as commodities e em seguida todas as cadeias produtivas. Esse mecanismo de correção monetária ainda não chegou à massa salarial devido à falta de poder de negociação dos trabalhadores, isso seria a energia que falta para apressar a espiral inflacionária, como ocorreu nas ultimas décadas do século passado.

A Petrobras é uma das soluções para o problema em questão, basta utilizar a sua produção como instrumento de controle da inflação e também como estimulo para a recuperação da atividade econômica. E uma questão de urgência e o dedo do “monstrengo” que ocupa o trono direto na ferida, permitirão a manutenção do fluxo de mercadorias e serviços e a mobilidade da sociedade a custos menores. As tarifas de transporte público e dos motoristas autônomos estão defasadas e sem um plano de ação breve os ajustes serão inevitáveis.

Uma petrolífera com grandes reservas de petróleo é o sonho de qualquer nação, geralmente são protegidas como a joia da coroa. Basta observar o comportamento das maiores economias do mundo que utilizam seu “poder de barganha” para interferir nas reservas de hidrocarbonetos dos países produtores ou impor sanções quando tentam utilizar até como estratégia de sobrevivência. Essas companhias geralmente são o centro de gravidade das Nações devido a sua importância na qualidade de vida da coletividade. Não pode ser visto com naturalidade um cidadão que recebeu da sociedade a missão de cuidar do seu patrimônio, passar a destruir e desqualificar tudo o que foi construído e conquistado ao longo de décadas.

Como o povo Saudita vai reagir se um Príncipe disser que a Aramco atrapalha?

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor.

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