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sexta-feira, 3 dezembro, 2021
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Indicadores macroeconômicos das nações e suas particularidades

Há tempos tive o privilegio de participar de um programa esportivo na televisão e entre os entrevistados estava um jogador de futebol, que na época atuava em um grande clube da região Sul da Itália. Na conversa descontraída abordando futebol, cultura e dinheiro, eu como economista perguntei sobre as condições de vida da sociedade naquele território, pois é sabido que é o local mais pobre daquele País, o atleta incorporou um “professor” e deu uma aula de geografia social e dentre varias colocações, uma despertou minha curiosidade: “Pobreza em País rico é diferente”, segundo o jovem competidor a semelhança é apenas no substantivo, pois o cidadão considerado pobre por lá tem acesso a bens e serviços que por aqui são privilégios da classe média. Portanto a partir daquela explicação ficou claro que comparar apenas indicadores macroeconômicos entre as nações não reflete as realidades.

Os meios de comunicação usam esses padrões estatísticos para comparar as economias dos países e não enfatizam a origem dos dados. Indicadores de produto interno bruto, desemprego, taxa de juros, inflação e até mesmo comportamento das moedas são explorados com exaustão. A similaridade ou discrepâncias dos números escondem as realidades, mesmo porque as economias têm particularidades nos fundamentos econômicos e na conjuntura  da organização social.  Demonstrar o fenômeno da inflação em países ricos com economias bem reguladas e produtividade elevada e fazer paralelos com mercados da América subdesenvolvida onde à elevação dos preços tem origem na incapacidade das empresas em elaborar projetos em longo prazo dado às instabilidades econômicas, sociais e politicas dessas regiões e para sobreviver busca sustentação nas moedas fortes, é irresponsabilidade ou o proposito não é formar consciência e sim confundir.

As cinco variáveis que compõem a equação do produto interno bruto tem comportamentos extremamente diferentes nas economias. Por exemplo, na China o gasto estatal é a alavanca para as relações de comércio externo. Enquanto na primeira economia do mundo o consumo das famílias é a propulsão da demanda doméstica, conduta seguida pela Zona do Euro. Já economias pobres têm dificuldades para aplicar plano de desenvolvimento, pois mesmo que o Estado tenha capacidade de gastar para estimular o investimento privado e consequentemente formar demanda efetiva na sociedade, esbarra nos interesses de uma minoria que goza dos privilégios da ordem social estabelecida.

Portanto as referências numéricas das nações devem ser utilizadas para orientação dos interessados no plano doméstico. Comparar apenas os números sem uma análise das realidades é ignorar o fundamento da ciência econômica.

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor

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