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sábado, 4 dezembro, 2021
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Feriados demais, trabalho de menos

Há quem diga que o povo brasileiro é trabalhador. Um pouco de exagero talvez. Vivemos num país pródigo em feriados. E feriados injustos e desiguais. Feriados que acontecem numa sexta-feira, ou numa terça-feira, propícios a emendas. A última comemoração, que não foi feriado e só um ponto facultativo, foi uma farra:o Dia do Funcionário Público (28) foi transferido para 29, uma sexta; e aí emendou até o dia 2 de novembro, Dia de Finados. Cinco dias de pura preguiça.

Nosso país já teve mais feriados. Alguns foram extintos durante o regime militar, época em que se ficava em casa nos dias de São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). Jundiaí também tinha um feriado, no dia 8 de dezembro, para comemorar a padroeira da Vila Arens – era o dia em que o jundiaiense fazia fila na garagem da Viação Cometa para fazer compras na Capital.

Em janeiro, justifica-se o dia 1º como feriado. Primeiro dia do ano, o Dia de Ação de Graças. Uma espécie de comemoração por estar vivo mais um ano, independentemente de religião. E ainda o fato que a ressaca do Reveillon costuma ser das bravas. Depois vem fevereiro com o Carnaval, que não é feriado. Não é, mas os bancos fecham na sexta e só reabrem na quarta-feira ao meio-dia. E pouca gente vai trabalhar na segunda e terça-feira.

Normalmente em abril há a Semana Santa, onde muita gente escapa do trabalho na quinta-feira. Em maio, comemora-se o Dia do Trabalho no primeiro dia. E junho tem Corpus Christi, que sempre é numa quinta-feira. Nem é preciso ser gênio para prever que a sexta-feira será enforcada. Nove de julho é o dia em que os paulistas relembram a Revolução Constitucionalista de 1932 – é feriado somente no Estado de São Paulo.

Agosto, para quem mora em Jundiaí, tem feriado no dia 15 – dia da padroeira. Setembro, no dia 7, para relembrar da independência. Outubro, no dia 12, tem o Dia das Crianças – mesmo dia em que se comemora a padroeira do Brasil. E vem novembro, com seu Dia de Finados, dia da proclamação da República (15) e dia da Consciência Negra (20). E dezembro tem o Natal (25). Pra que tantos feriados?

A maioria desses feriados são religiosos, particularmente católicos (Semana Santa, padroeira de Jundiaí, Corpus Christi e padroeira do Brasil). Outros credos devem estar sem prestígio. Não há feriado batista, nem presbiteriano, nem luterano nem umbandista. E isso porque, segundo a Constituição, o Estado é laico. E se todos são iguais perante a lei, por que não um dia da Consciência Europeia, ou da Consciência Asiática? Já que é pra vadiar, temos motivos de sobra para instituir outros feriados.

Só que a história é outra. Após quase dois anos de pandemia, com a economia em frangalhos, com milhões de desempregados e outros milhões de famintos, não é hora de vadiar. Fala-se muito em recuperação da economia, dos empregos, do comércio, mas parece que as palavras caminham em sentido contrário da realidade. O discurso é bonito, mas os fatos são outros. Não há uma tentativa sequer de diminuir o número de feriados para melhorar nossa situação.

De fato, somos um país de gente que não gosta de trabalhar. Pelo menos a maioria é assim.

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