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sexta-feira, 3 dezembro, 2021
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Esperteza é uma coisa, inteligência é outra

Há algumas semanas passei a viver uma aventura até então nunca experimentada: vender o carro. Ouvi tanta bobagem de possíveis interessados que até pensei em fazer uma espécie de manual para outros possíveis interessados em vender seus carros. São os chamados espertos, que nada têm de inteligência. O propósito é lucrar o máximo possível. Para não ser injusto, encontrei dois interessados honestos. Um disse que meu carro não caberia em sua garagem, outro que não tinha como pagar o que eu pedia. Sem regatear preço.

Faço questão de enumerar alguns “argumentos” dos espertinhos. Um suposto interessado me ligou e pediu para ver o carro. Na conversa, entendi que ele é um vendedor de carros. E é normal que ele ofereça preço abaixo do mercado, uma vez que vive desse lucro. Tudo bem que é um lucro clandestino, sem nota fiscal, sem recibo, sem nada, que é para não pagar imposto.

Mas o infeliz tinha um argumento que não cola. Disse que pagaria muito pouco (menos da metade do pedido), porque agora é a vez do carro elétrico, e que carros com motores de combustão interna estão condenados. Até concordo, mas carro elétrico é ainda algo meio futurista, vai demorar bons anos para inundarem o mercado.

Um outro apareceu para ver, depois de marcar hora. Olhou, se interessou e perguntou o quanto. Quando disse o preço, o animal tirou um papel do bolso onde havia uma anotação. Disse que era a tabela Fipe. E tinha lá um valor com o qual não se compra nem carrinho de rolemã. A tabela Fipe, pra quem não sabe, é o preço médio dos carros em bom estado, uma espécie de balizamento dos preços. Até me propus a consultar a tal tabela na hora, em sua frente, mas ele dispensou a consulta. Educadamente pedi que entrochasse sua tabela naquele lugar.

Um outro sujeito apareceu do nada, no estacionamento de um supermercado, dizendo que me conhecia (talvez) e que sabia que estava vendendo o carro. Resolvi esticar a conversa, e ele pediu para ligar o motor. Mal liguei, pediu para desligar. E deu seu veredito: vai fundir já, já. Agradeci seu conselho e nem quis saber de ouvir mais bobagem.

Aconteceram outros episódios nada pitorescos. Porém engraçados, tamanha a criatividade para desvalorizar um produto. Jamais negaria o direito de alguém ter lucro com o negócio. Nem de alguém que aproveita a oportunidade para fazer uma boa compra. Mas não dessa forma. E, como uma espécie de vingança por essas verdadeiras ofensas à inteligência, sugiro que a fiscalização dê uma olhada em algumas lojas. Tudo tem nota fiscal? Os impostos estão em dia?

Atenção pessoal da Fazenda! Aproveita que o Doria está precisando de dinheiro. E nada como multas e mais multas para encher a burra.

ANSELMO BROMBAL

Jornalista

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