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sábado, 4 dezembro, 2021
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“Duna” entrega o épico no seu ritmo e sem pressa

Chegou aos cinemas em 21 de Outubro a tão aguardada (e inevitavelmente adiada) nova adaptação do clássico literário homônimo da ficção cientifica, Duna. Dirigido por Denis Villeneuve (conhecido por conseguiu emprestar sua assinatura em seus filmes, feito A Chegada e Blade Runner 2049) o longa conta com um elenco recheadíssimo de grandes nomes, como Zendaya, Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Oscar Isaac, Jason Momoa, Stellan Skargard, Javier Barden, Josh Brolin e por ai vai. A proposta aqui era se afastar da versão cinematográfica de David Lynch, lançada em 1984 (que contava até com o cantor Sting no elenco) e ser o mais fiel possível (dentro das possibilidades viáveis, claro) ao livro (ou aos livros) escrito por Frank Herbert, falecido em 1986 (somente 2 anos após Duna ganhar sua primeira versão nas telonas).

Se tem um adjetivo que descreve bem Duna é “épico”: Tanto em escala quanto em visual cinematográfico. Denis Vileneuve dentro de 2 horas e 40 minutos introduz personagens da forma que acha mais conveniente e toca a trama do filme sem pressa alguma (o que pode incomodar aos mais desavisados sobre o ritmo que o diretor gosta de empregar em seus filmes) e pra valorizar a escala das tomadas, Duna de fato é um filme que merece sim ser apreciado no cinema. Houve um vazamento nos “torrents da vida” pouco antes do lançamento, mas o desejo de ver a produção nos cinemas era tão grande que o público prestigiou, confiando seu suado dinheirinho, o que fez o longa faturar praticamente US$ 40 milhões de dólares em seu final de semana de estreia.

Na trama, estamos em um futuro muito distante: mais precisamente, no ano de 10191, aonde a humanidade se espalhou pelo universo mas politicamente regrediu para simplesmente um regime feudal. São apresentadas algumas casas e famílias (no melhor estilo Game of Thones) pertencentes a linhagens nobres, dentre elas, a Casa Atreides, aonde vive o protagonista Paul Atreides (Timothée Chalamet). A moeda oficial do universo é a chamada “especiaria”, um produto com capacidade de aumentar a expectativa de vida e os poderes de presciência de algumas pessoas, mais sensíveis, por assim dizer. Neste universo cheio de intrigas políticas e batalhas para obter vantagens, no planeta Arrakis (um lugar desértico, que faz paralelo ao título da história), único lugar onde a especiaria pode ser colhida, entram em conflito os interesses dessas diversas casas nobres pelo controle da produção da “Especiaria Melange”, logo controlando todo poder do Universo. E o filme (que é somente a primeira parte dessa saga) apresenta esses conceitos que, infelizmente, não ficam claros de imediatos para todo mundo, a julgar pelos comentários na internet. E de fato, quem não prestar um pouco de atenção, vai acabar se perdendo, principalmente na quantidade enorme de nomes que são pronunciados na tela.

Trabalhando com o diretor de fotografia Greig Fraser, Denis Villeneuve consegue entregar um filme belíssimo, de visual absolutamente arrebatador. Se alguns estranharam o “texto difícil” de um filme de ficção cientifica, que de fato tem poucas cenas de ação (bem pontuais), é inegável a contribuição visual do filme. Mesmo sentindo que o filme deu uma ligeira “engasgada” no terceiro ato (mas que é de fato importante para o desenvolvimento do protagonista), que deveria funcionar como uma espécie de clímax, logo, notamos que esse filme serve basicamente como uma grande introdução aos conflitos e dramas de Paul, e que a jornada dele pelo deserto alienígena está apenas começando. Propositalmente, não me esforcei para ler antecipadamente os livros, tampouco, assistir o filme de 1984 (para alguns considerado um clássico, para outros, um filme irremediavelmente tosco, datado pelo tempo) pois queria justamente ver a experiência que o filme por si só seria capaz de me entregar, e confesso que sai satisfeito com o que vi. Mesmo ainda tendo como filme favorito do diretor Blade Runner 2049.

Duna é grande, pomposo, com uma fotografia linda e uma direção com bastante assinatura, conta e apresenta personagens no seu ritmo e não tem presa em nos apresentar a vastidão desse mundo. Vale conferir, ciente desses detalhes. Quem procura por uma ação frenética, fatalmente vai acabar se frustrando. Aos fãs do cinema de ficção cientifica, é simplesmente obrigatório (e principalmente, para quem está praticamente 2 anos sem pisar num cinema, é uma excelente oportunidade de ter uma experiência imersiva, como somente o bom e velho cinema pode proporcionar). Fica aqui a recomendação.

Nota 9!

Felipe Gonçalves é apresentador e produtor de conteúdo no canal Sessão Set

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