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segunda-feira, 20 setembro, 2021
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O Brasil ainda não conquistou sua independência

No dia 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga em São Paulo, Dom Pedro proclamou a Independência do Brasil. O país ganhou voz, cores, símbolos e organizou as instituições da Monarquia que durou apenas 67 anos, caindo diante de um Golpe de Estado organizado pelas elites escravocratas e militares. Os produtores de commodities insatisfeitos com a queda nas margens de lucro com o fim da escravidão e os homens de farda cobravam mais participação nas decisões do Estado, além de reconhecimento e salários dignos. Essa forma de governo parecia à consolidação da independência diante da possibilidade da sociedade escolher os seus governantes de forma democrática e com base nos princípios republicanos escritos por Platão, tendo na Justiça o eixo principal e a democracia como regime politico. Em treze décadas a república continua como começou com viés despótico.  E durante esses dois séculos de emancipação politica a dependência econômica, intelectual e tecnológica parece ser os pilares de sustentação das elites brasileira.

Uma economia quando não existe o domínio sobre a tecnologia avançada, ficará extremamente vulnerável às alterações da demanda, que varia constantemente por consequência da atualização tecnológica. Essa imposição é excludente e dificulta os padrões educacionais desde a base até a universidade. Saliento que a formação técnica devido a esse desenvolvimento derivado é ainda mais afetada com a obsolescência breve das técnicas profissionais. Algumas nações asiáticas já romperam essa barreira com movimentos revolucionários capitaneados por uma elite responsável e atualmente estão na vanguarda, enquanto países com recursos mais abundantes continuam dependendo de ciclos.

O processo de produção intelectual baseado na reprodução do “pensamento” do centro capitalista e sem autonomia para formação de uma consciência critica e coletiva para debater os problemas nacionais continua impedindo a busca por autonomia no campo das ideias. A postura e a concepção crítica vêm sofrendo retaliações e, assim, a universidade passa a repetir manuais estrangeiros moldados para diminuir a amplitude do conhecimento. Estudante de economia, por exemplo, não estuda a critica ao capitalismo de Karl Marx, fica preso no pensamento da escola de Cambridge. Muitos saem da faculdade sem acesso a obras de pensadores brasileiros, pois nunca foram apresentados a literatura de Celso Furtado e Caio Prado Júnior, entre outros, são induzidos a analisar os economistas ligados ao mercado financeiro como Francis Fukuyama e Roberto Campos. Esse movimento também ocorre na escola de base, na qual a pedagogia é baseada nos autores franceses e sem adaptação a realidade do continente Brasil.

A submissão econômica continua nos moldes da Era Colonial, com o aprofundamento da relação de dependência do país importador de bens de capital. Ao recorrer a Marx percebo que essa relação são marcadas pela mais valia relativa e pela constante modernização da tecnologia, fazendo com que as existentes se tornem defasadas, gerando uma baixa taxa de lucro, que em contrapartida, se compensa mediante aos procedimentos da exploração exaustiva do trabalho. Além das circunstâncias peculiares que favorecem, nas economias agrárias e mineiras, a alta rentabilidade do capital variável, a economia dependente segue expandindo suas exportações, a preços sempre mais compensadores para os países desenvolvidos e, simultaneamente, mantém sua atração para os capitais estrangeiros, alongando assim o processo de subordinação produtiva. Para facilitar o entendimento basta analisar a cadeia do agronegócio brasileiro, na qual as grandes empresas estrangeiras como Bunge, Monsanto, Cargil e ADM controlam a produção de grãos e tecnologia biológica, e, todavia o fornecimento de equipamentos está concentrado basicamente em três empresas estrangeiras Caterpillar, John Deere e Massey Ferguson.

Dois séculos depois do Grito de “Independência ou Morte” do Imperador, a autonomia está perdida na esperança e o sangue do pobre tingindo as calçadas como sinais de uma sociedade decadente.

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor.

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