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segunda-feira, 20 setembro, 2021
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Dark Room (+18)

Conto Homoerótico

Logo após o jantar, enfurnei minha alma alquebrada em meu quarto provisório.

Após pedir autorização dos meus tios para tomar conta da linha telefônica por tempo indefinido, pluguei meu iBook e entrei no chat do UOL com o nick: sexo_a_tres.

Depois de dispensar uma chuva de curiosos imbecis, dark_room me chamou para um papo.

Durante as primeiras frases padronizadas, até que Dark aparentava ser um cara bem agradável. Finalmente alguém com cérebro avantajado na Internet. Uma conversa rápida e objetiva foi trocada entre nós.

Como preciosa dica pós-papo maneiro, Dark indicou-me um local, pedindo para que eu chegasse pontualmente nove da noite. Deu-me uma senha. Disse o valor a ser pago. Trocamos um “até breve”.

Pra lá de curioso, eu deixei a sala virtual e desliguei meu note. Tomei um banho caprichado, certificando que tudo em mim-eu-mesmo ainda se mantinha nos devidos conformes. Com a ajuda de um pequeno espelho e muito contorcionismo, dei uma espiada no traseiro. Ufa! As marcas da última trepada tornaram-se lembranças quase imperceptíveis.

Coloquei uma roupa fácil de ser removida. Apanhei uma cópia da chave da casa, dinheiro suficiente para a condução e algumas bebidas pós-fodaria, além dos setenta reais solicitados para custear o ingresso do Gaycenter.

Não levei documentos.

Dei um “vou sair com amigos” para meus tios e fui desbravar meu novo ponto de encontros.

Ao chegar à Rua Rangel Pestana, fiquei boquiaberto diante da fachada de uma construção muito antiga, porém divinamente restaurada.

Imprimi dois toques na campainha, sendo um longo e um curto, conforme as instruções. Aguardei dois minutos.

A porta foi semiaberta e um timbre espanéfico perguntou-me a senha.

“Ishlibdish”, respondi, tentando não gaguejar, rir e sair correndo dali… tudo ao mesmo tempo!

O Novo Mundo foi escancarado e o primeiro cheiro de uma alfazema paraguaia invadiu meus domínios.

Um rapaz muito jovem, trajando somente uma toalha branca e um par de havaianas provavelmente azuis me conduziu até um imponente aposento.

No centro de uma cromada mesa redonda e compacta, havia uma caixa de madeira repleta de preservativos governamentais e amostras grátis de lubrificantes das mais variadas marcas.

“Vai usar?”, ele questionou-me, desinteressado.

“Não… não vou”, respondi, decidido.

O rapaz fanhoso (seria ele Dark, o Interessante?) não manifestou nenhuma reação visível. Paguei o valor da entrada.

“Aqui… sua chave. No final daquele corredor, vire à esquerda e guarde sua roupa. O banheiro fica do lado oposto aos armários vermelhos. O banho é obrigatório. Depois… atravesse, nu, a porta vinho. Alguma dúvida?”

Fiz que “não” com um tosco movimento da minha cabeça baralhada, excitada, retardada.

Segui o mapa traçado pelo meu anfitrião. Guardei minhas roupas no armário de número doze. Dentro dele havia uma espécie de “kit-dove” e uma toalha fofinha dentro de um saco plástico fosco.

Calcei um par de chinelos pequenos demais para os meus pés pranchados.

No ambiente quase sem luz, notei a presença de um casal de jovens bêbados em carícias picantes, preparando-se para o Bom Foder.

Eles não se importaram quando fiz uma nada discreta foto. Combinamos que eu não divulgaria identidades (como se eles estivessem em condições de “combinar” qualquer coisa). Mostrei o resultado na telinha. Guardei o celular no armário.

Entrei no banheiro iéloumente iluminado. Uma ducha de água acorda-defunto preparou-me para uma aguardada noite de orgias. Enxuguei o corpo pálido na numerada toalha felpuda, deixando-a pendurada numa espécie de varal improvisado ao lado do Box de acrílico.

Amarrei a chave no pulso, respirei fundo, debochei uma prece herética enquanto abria a mística Porta Vinho e entrei num universo caliginoso, estranho, assustador.

Logo de cara esbarrei numa pilha de ossos, onde mãos delgadas seguraram meus braços reticentes, me conduzindo lentamente para o centro da luxúria.

Fui empurrado contra uma parede texturizada. Outras mãos descobriam meu pau flácido, tímido, aturdido. Bastaram alguns segundos para que uma camuflada boca profissional moldasse meu membro ao seu bel prazer, sugando-o com força, deixando-o pronto para o que prometia ser boa hora de um alienado tesaum.

Estiquei minhas mãos à procura de outros sexos. Elas foram agraciadas ao tocar peles macias, ora peludas, ora lisas, ora em cacetes bizarros de tão descomunais, ora em varas tortas, porém muito espertas; ora em bundas flácidas, outras vezes em rabos cinematográficos.

Meu rosto foi puxado com doçura e logo senti uma língua maturada a me consumir o Terceiro Céu.

Em rodopios delirantes, outros dentes arranhavam minhas costas e mais outra boca perfurava as laterais do meu rabo epilético.

A mesma língua que me beijava agora perscrutava meu pescoço: ponto fraco do meu corpo sensual.

Fui conduzido com certa ferocidade até engolir uma lenha curta e espessa, onde a textura das veias empapuçadas ampliava a minha ânsia de “quero mais, muito mais!”.

Realizei a contento minha parte, como sempre. Degustei minutos febris de fodaria oral em todos os poros.

Cansado da rotina, saí da minha posição submissa, deixando meus parceiros incógnitos continuarem o enlace dos escapes difusos no etéreo.

Rastejei em passos lentos, calculados, tateando no breu. Mais pelos foram tocados. Mãos e paus e bundas e hálitos densos cruzavam meu descaminho.

Senti, por afinidade, um peito deveras cabeludo.

Na mesma hora puxei aquele macho para mim. Ganhei um beijo fastidioso em troca da minha ousadia.

Em contrapartida, mãos estúpidas e afobadas buscaram minha bunda macia. Nossas quatro espadas debateram-se no confronto do Grande Apetite.

Percebi que meu homem era casado ao sentir a saliência algente de uma aliança delicada.

Sua barba de três dias – irregular e provocante – causava calafrios ao roçar meu pescoço melado. Beijos e mordidas revezavam-se nos instantes de temerária união.

“Vire”, ele sussurrou em meu ouvido (oh céus… que voz era aquela?). Obedeci de imediato.

Ouvi o estalar de uma embalagem plástica sendo dilacerada. Ele colocou o preservativo umedecido em seu membro calejado.

Lambuzou meu cu com uma substância estranhamente lima, porém agradável ao toque. Abaixou com suavidade as minhas costas bambas, deixando-me de quatro, minha posição favorita.

O Grande Urso abocanhou com suavidade minha nádega esquerda, levando sua língua seca a perambular pelas minhas costas fumegantes, até atingir minha nuca bem ungida, rígida, excitada.

Com habilidade veterana, ele empurrou seu ferrete até o centro do meu forno embebido em lava. Enlouqueci com sua enterrada a ceifar meu perispírito.

Meu cu mordiscava o Pelúnico completo em mim-eu-mesmo, enquanto mãos enigmáticas tocavam minhas faces, dedos eram enfiados em minha boca e diversas vigas debatiam-se em meus ombros e noutras laterais, sendo masturbadas por seus donos como se o mundo fosse acabar em dezoito minutos!

Alguém esporrou no meu braço esquerdo. Adorei sentir o leite condensado a escorrer nas vielas dos meus poros ariscos.

Casado continuava sua fantástica performance atrás de mim, enquanto eu sentia outras cobras a seduzir minha boca-eva.

Grande Urso Casado da Silva urrou, cravando suas unhas em minha bunda, retirando o caralho plastificado do meu rabo em chamas corrosivas.

Nem tive tempo para relaxar, pois outros braços já tentavam dominar o segundo tempo.

Uma boca-piranha passou a mordiscar as últimas pregas intactas do meu cu vesgo, aprumando o orifício molestado.

Enquanto meu traseiro era sugado por lábios voluptuosos, uma pegajosa mão delgada manipulava meu sexo para cima e para baixo.

Fui penetrado novamente. O odor da alfazema parecia ter se intensificado. Meus delírios variavam entre a falta de razão e o embotamento total.

O macho esquálido e rançoso que agora me fodia – sem proteção! –, gozou um Niágara sobre minhas costas, sendo que o alcance da sua cola escolar atingiu até meu pescoço de alumínio.

A mão atormentada daquele sujeito começou a espalhar sua essência avinagrada em todos os vãos do meu espírito isento de culpas.

A sensação era incomum, porém devo confessar que aquele ato me fez sentir… purificado.

Um ritual de passagem. Um batismo a confirmar de vez a minha linda insensatez.

Com o avançar das horas, aquele cubículo parecia engolir cada vez mais e mais e mais Viris e Deslumbradas sem identidades.

De cócoras em um canto devaneio, eu tentava descansar um pouco, recuperando fôlegos.

De vez em quando coxas e varas esbarravam em meu ser (cada vez mais) incandescente. De vez em sempre eu segurava um músculo desorientado, encaixando-o entre meus lábios ressequidos.

Perdi a noção do tempo e minha localização no espaço.

Recuperada a energia, levantei meus restos suados, pondo-me ereto, e voltei a tatear paredes e pelos e almas em busca de reciclados estímulos.

Queria penetrar um macho, desejo que não precisou de muito esforço para ser saciado. Foi muito fácil encontrar um rabo à disposição.

Escolhi uma bunda desprovida de pelos que contrastava violentamente com um verdadeiro cobertor a cobrir coxas robustas, agradáveis ao tato.

Não resisti e lasquei minha língua naquele cu recém-usado, com gosto de látex. Cuspi sobre meu pau e violentei o rabo liso, pouco me importando com o possível prazer do meu Escolhido.

Eu acumulava tesão e não demorei a gozar nas profundezas daquele meio metro masculino.

Nem mesmo havia tirado por completo meu membro do buraco largo e uma bocavanhaque engoliu Jägger Júnior, fazendo o resto do serviço, lambendo e sugando e deixando meu báculo pronto para uma nova investida.

Insanidade total!

Dezenas de homens aderidos. Centenas de beijos ora intensos, ora delicados, trocados novecentas vezes por minuto.

Houve um momento em que consegui discernir sete homens fodendo o Curitiba aqui ao mesmo tempo. Viajei entre beijos, chupadas, penetrações, cheiros, secreções e posições inimagináveis!

Fui amado, fui usado, fui delicado e ao mesmo tempo violento.

Fui humilhado, humilhei.

Todos os meus baixos prazeres foram satisfeitos.

Na companhia de seres estranhos e suas identidades veladas, pude expor o mais ralé do meu ser e me sentir o mais grandioso dos homens, em atitudes espúrias e irresponsáveis tomadas de consciência desperta.

Entrei no Jogo disposto a tudo. Ainda não quero saber o resultado de nada.

Preciso continuar.

Pago o que for necessário – em todos os sentidos! – para explorar além dos meus limites.

Eu vou chegar ao fim desta jornada.

Eu vou trepar com qualquer macho que sulcar o meu roteiro.

Moa Sipriano | Literatura Gay

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