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sábado, 4 dezembro, 2021
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A causa da inflação brasileira na era moderna é a pobreza

A literatura econômica apesar da sua grandeza, ainda não trouxe nenhuma abordagem sobre o fenômeno da inflação causada pela pobreza. Talvez porque esse evento ocorre exclusivamente em países subdesenvolvidos, e não desperta interesses para desenvolver uma base literária sólida com o objetivo de compreender, solucionar e prevenir esse problema. A queda na renda em países ricos não é estrutural e logo é corrigida com o aumento da produtividade dos meios de produção e com efeitos positivos na renda da sociedade, gerando equilíbrio nas curvas de demanda e oferta. No combate a inflação os remédios são aplicados a partir de diagnósticos baseado em causas como pressão da procura, aumento de custos de produção e especulação preventiva dos produtores repassando custos futuros. Portanto se por ventura não resolver a patologia os sintomas aponta para algo desconhecido, obviamente a doença é incógnito. Observando a reação dos agentes que buscam adaptação ao ambiente hostil, está caracterizado que a causa da inflação em mercados subdesenvolvidos é ausência de escala de vendas proveniente das oscilações bruscas na renda dos grupos sociais.

Pleno emprego dos fatores é função de produtividade, uma vez em elevação continuada gera procura por bens e serviços, estimulando o aumento na capacidade de oferta do conjunto de produção e a elevação dos investimentos diretos e consequentemente aumento no nível de rendas. Geralmente o governo adota politicas de estímulos para equilibrar as variáveis da demanda agregada. Para estimular o consumo das famílias, reduz impostos e disponibiliza credito, no caso brasileiro atualmente os efeitos serão quase nulos, pois apenas uma minoria tem renda tributada e baixo risco para viabilizar empréstimos e financiamentos. Esse cenário já é o suficiente para inviabilizar investimento produtivo, o qual daria dinamismo, pois é o combustível que faz a roda da economia capitalista girar. Na atual conjuntura é mais racional tributar o setor exportador e isentar a importação de tecnologia para corrigir as imperfeições nas cadeias produtivas e recuperar e eficiência de setores importantes.

Na pratica os empresários para se defender da instabilidade econômica adota suas estratégias de defesa como: elaborar preço de vendas em dólar norte americano, redução da produção para eliminar o risco de estoque, estabelecem prazo longo para entrega de produto acabado. As mudanças são inúmeras que chega até a provocar o fenômeno da “reduflação”, ou seja, diminuir o produto para não aumentar o preço. Infelizmente esses movimentos quebram elos das correntes produtivas diminuindo a eficiência dos ofertantes.

Em uma economia de mercado a estabilidade social depende também do acesso à renda por toda a coletividade e o desenvolvimento econômico está condicionado à produtividade dos meios de produção, algo possível mediante uma pedagogia universal e sensível às transformações da sociedade globalizada. O Brasil é a sexta população do planeta e tem recursos suficientes para avançar, mas esbarra na dificuldade dos produtores em sair da defensiva e elaborar planejamento em longo prazo, devido aos riscos diversos e os mais graves é o empobrecimento dos trabalhadores e a incapacidade do Estado em ofertar serviços públicos básicos de qualidade, os quais são primordiais para formar uma sociedade solida.  

Everton Araújo é brasileiro, economista e professor

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