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segunda-feira, 20 setembro, 2021
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Teco-Treco

Depois do décimo “Por favor, aceite!”, cedi aos encantos e resolvi embarcar na ligeira viagem. Ele precisava desabafar. Eu exerceria minha dalai-paciência.

Gemendo naquele teco-treco, aproveitei para clicar infinitos ângulos da Cidade Azul, enquanto Gaivota trinava sua gasta canção psicológica.

Ele não queria mais se esconder, mas não sabia como agir. Na altura daquele campeonato, assumir seria o ideal. Afinal de contas, a Felicidade é irmã da Liberdade!

Assumir. Mesmo que para isso ele perdesse tudo aquilo que conquistou em cinquenta anos.

“Vivemos na Terra dos Enrustidos”, ele gritou, quase provocando um looping no meu estômago.

Confirmei o óbvio, imaginando que eu poderia ganhar rios de dinheiro “destravando” armários alheios naquele pedaço de hipocrisia cravado no Interior.

Eu ria da minha bobiça num silêncio nada discreto.

Vinte minutos planando, era o momento de pisarmos em solo bem firme.

“Permaneço ao seu lado em qualquer situação. Caso você ainda não saiba, eu sou seu único amigo!”, complementei o nosso bate-papo, assim que beijei a terra vermelha.

Ganhei novamente aquele abraço desconjuntado que eu tanto gosto.

Ele inspirou o ar carregado da tarde. Melancolia destilada.

Ele sabia que não poderia passar daquela noite a Grande Conversa Família.

“Me liga assim que você declarar a sua alforria”, eu sussurrei em leve histerismo afetadinho, beijando aquela testa cabeluda.

Ganhei o mais suspirante sorriso jundiaiense.

Moa Sipriano

Autor | Literatura Gay

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