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segunda-feira, 20 setembro, 2021
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Perdão

A chuva obrigou nosso convívio no íntimo daquele domo alienígena.

Eu aguardava meu marido. Você, sua noiva.

Ríamos por confidenciar nossa ironia perante nossos pares: eles eram viciados em levantar pesos. Eu e você preferíamos entornar boas cervas.

No decorrer da troca de currículos, de repente você, todo tímido, me lascou um milhão de questões sobre como era a vida “homem com homem”.

Minhas respostas óbvias e transparentes promoveram um turbilhão de emoções até então retesadas.

O tempo foi passando. Nós dois cada vez mais íntimos.

Você encontrou em mim-eu-mesmo um amigo. Eu te aceitei como um fofo aprendiz.

Ela apareceu toda sorridente. Porém, exausta!

Você nos apresentou.

Puxa vida. Como ela é linda!

Nos despedimos com o batido “a gente se vê”.

Mas você deu meia-volta. Retrocedeu dez passos. Abraçou-me em prantos discretos, sussurrando no meu ressabiado ouvido esquerdo um comovente “muito obrigado”.

Eu, ali, paralisado diante do ato confuso. Você fez questão de alumiar minhas dúvidas:

“Há anos que não falo com meu irmão, desde que eu descobri que ele é gay. Mas depois de tudo o que conversamos; depois da tua ‘aula de vida’, percebi o quanto fui um asno. Hoje eu vou ligar pra ele e me certificar se eu mereço o Perdão. Obrigado, mesmo, por abrir os olhos da minha alma!”.

Moa Sipriano

Autor | Literatura Gay

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