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segunda-feira, 20 setembro, 2021
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Nas areias com Madonna (+18)

Conto Homoerótico

Eu estava cansado do meu autoextermínio na Casa Mofada, consumindo litros de cerveja e fazendo meu pau gritar “aleluia” após uma overdose de punhetas durante horas e horas e horas a fio.

Resolvi tomar o vigésimo banho congelante, vesti uma velha calça de moletom sem nada por baixo, calcei meus Riders, investi numa camiseta Hering salmão que tanto amo e saí para zanzar um pouco pela orla, na esperança de que o ar puro e afrescalhado retirasse parte da podridão que infestava meus pensamentos.

Sentia-me péssimo, cansado, acabado. Porém, bastou abrir a porta para que a Dama da Noite despertasse em mim a porra do desejo de praticar um milhão de sacanagens com um quaquilhão de desconhecidos.

Rodopiei por mais de hora e meia pelas areias ensopadas da ilha comprida.
Quando cheguei próximo ao prédio da Prefeitura, meus pés imploraram por alguns minutos de descanso, obrigando-me a relaxar o anseio, apoiando meus vazios numa duna sem maiores atrativos.

Parte do que restara de um barco atolado na areia era acariciado pelas ondas, como que tentando diminuir a dor no seu casco provocada pela inutilidade forçada.

Com a imagem da fantasmagórica embarcação gravada na retina, fechei os olhos e deixei os sons da maré alta penetrarem no meu baixo ânimo, acalentando meu espírito perdido, desolado, submisso.

Um foco de luz perturbador atingiu minhas costas. O som de um veículo invadindo meu sagrado silêncio quebrou o encanto da doce meditação.

Vi uma Ranger frear a poucos metros de onde eu estava. No volante havia um homem encorpado, de cabelos levemente ondulados, que ria sem parar, procurando abafar o som estonteante que vinha do rádio da caminhonete último tipo.

A cheirada assombração ria e blasfemava contra o locutor, dono de uma linda e autêntica voz de barítono, que anunciava a nova programação noturna de uma rádio local.

Ao seu lado havia uma mulher estranha, desfocada, que abandonou o veículo em passos claudicantes, perdendo repetidas vezes o equilíbrio, cambaleando e ralando sua dignidade na areia fofa.

A mulher trajava uma espécie de camisola com estampa de pele de onça.
Os cabelos ruivos – nitidamente artificiais – cobriam-lhe a visão, tornando a simples tarefa de caminhar extremamente penosa.

Na mão direita, trêmula, ela segurava uma garrafa transparente do que eu julgava conter boa vodca. Na outra, a moçoila bailava uma bolsa delicada e um par de sandálias de salto alto repletas de brilho próprio… um tanto excessivo.

A Ranger, com seu ocupante histérico, deu ré, de repente.
Assim que o carro virou na direção do asfalto, o motorista começou a gritar obscenidades, mandando a mulher tomar no cu de todas as maneiras impossíveis.

Fiquei chocado com o ritmo desenfreado das frases de baixo nível, numa saraivada de desoladoras expressões desconexas.

A mulher fez um sinal de “foda-se” para o diesel que evaporava na Avenida Beira-Mar. Ela arrastou-se pela areia fria, quase em oração, de tão bêbada e desnorteada que estava naquela altura de um campeonato falido.

Ao capturar uma foto para minha vasta coleção trintadiana e conferir o resultado na tela brilhante do meu Siemens velho de guerras, quase tive um treco ao perceber que a princesa, na verdade, era um homem travestido!

Comecei a rir enquanto ela tentava se aproximar de mim.
“E aí, meu tesão. Quer um pouco?”, disse a donzela com rouca voz de búfalo, me embriagando com o bafo de uma bebida de oitava qualidade que definitivamente não era vodca!

“Gostou do meu visú? Não tô uma delícia com esse vestidinho?”, perguntou minha nova amiga ao lançar suas tentações quase no meu colo.
Fiquei com um volumoso riso entalado na garganta.
“Que porra era aquilo!”, pensei… alto demais.

“Você viu só? Meu homem foi embora todo nervosinho só porque eu não quis comer o rabo peludo dele hoje. Porra cara, deu um trabalhão do caralho me vestir assim, me produzir toda, só pra satisfazer a porra da fantasia daquele porra maldito. Porra, ele só cheirava e só falava da porra do amante, aquele Voz de Bosta, enrustido filho-da-puta-do-caralho.

Cacete, ‘eu amo ele pra caralho’, ele vomitava a todo momento dentro do carro… porra, tô até de Madonna só pra satisfazer o canalha. Caralho!”

Confusa e infantil, Madonna chorava copiosamente entre um gole de pinga e meia hora de repetitivas ladainhas sentimentais.

No final das lamúrias, confirmei que ele estava desesperado, pois não sabia como retornar ao seu balneário… vestido daquele jeito.

Tentou por diversas vezes ligar para alguém através do meu celular. Não conseguiu.
Irritado, tirei a garrafa da mão dele e tomei um gole fenomenal do péssimo álcool falsificado. A bebida inflamou minhas vísceras.

“Olha como eu tô rapaz!”, ele gritava, apontando para a calcinha transparente que cobria uma cenoura fina e muito comprida.

“Eu preciso meter, caralho… urgente… senão… eu vou ficar louca!”

Completamente sem vontade, mas, ao mesmo tempo, excitado e embasbacado com toda aquela situação tragicômica, tomei coragem para arrancar a renda que cobria o sexo empinado e comecei a pagar um boquete profiça para minha mulher-macho.

“Porra, viadinho, porra como você chupa bem pra caralho… porra!”, gritava Madonna, apertando minha cabeça contra suas bolas, travando minha nuca com o litro frio da bebida batizada.

“Deixa a lôra aqui meter em você, porra. Você já foi comido por uma mulher de verdade?”, ele uivava, alucinado.

Virei a bunda pra lua e baixei os panos.

Madonna jogou um pouco da cachaça ralé sobre minhas costas arrepiadas e meu rego cavernoso. Uma língua miúda e texturizada, em conjunto com uma falha barba ressequida, promoveram maravilhas reconfortantes na periferia do meu hemisfério sul.

Madonna chupou minhas pregas, ao mesmo tempo em que abria espaço no meu rabo com a boca da garrafa quase vazia. Ele me penetrou com o casco, sangrando meu orifício após centenas de estocadas violentas.

Madonna não se importou com meu sangue, lambendo a mistura vinho com o restante do álcool, sem se dar conta do que acontecia conosco no mundo real.

“Fica de quatro que eu vou te enrabar, viadinho”, ele ordenou, em prantos.
Obedeci, anestesiado pela dor lancinante no rabo, desejando ser sufocado na areia movediça ou afogado nas ondas do mar revolto, já que nada mais me importava naquele batismo que coroava minha idiotice suprema.

Madonna era péssimo na arte da fodeção. Precisei conduzir o ato e a cenoura no lugar certo, até que finalmente a vareta enrugada realizou seu papel a contento.
Pela primeira vez na vida dei sem vontade nenhuma de dar, somente cumprindo um ritual sem valor em prazer ou conveniência.

Sentia-me uma antiga puta no auge do dever. Pena que eu não ia ganhar um tostão cedendo meus sonhos fragilizados.

Levou um milênio para Madonna gozar. Aspirei toneladas de areia com a pressão da mulher-macho em meu corpo estatelado sobre a duna.

Ao finalizar o seu tesão-revolta, Madonna apartou o bruto cacete do meu cu choroso, enfiando-o na boca da garrafa, ejaculando em suas dependências cristalinas. Uma mistura de sangue, suor, merda, porra e pinga se depositou no pé do vidro transparente.

Em transe, Madonna observava a alquimia dos elementos da absurda magia, chacoalhando o litro para cima e para todos os lados.

“Tome, seu viado, beba tudo!”, Madonna segurou meu pescoço e enfiou a ponta da tirania em minha bocarra, forçando-me a engolir todo o elixir nojento que jazia no vidro melado.
Não consigo te explicar como tudo desceu… e não retornou!

Na sequência, fui brindado com um violento soco na fuça, seguido de um beijo volumoso que só um macho é capaz de proporcionar a outro homem.

Madonna passeava sua língua involuntária no interior da minha boca submissa, seguindo depois para as minhas orelhas e meu pescoço, alucinando o que restava dos meus sentidos ainda carnais.

“Enfia o dedo no meu cu, viadinho, enquanto eu bato uma pra você.”
Implorei mentalmente para não ser masturbado, mas de nada adiantou, pois a mão experiente de Madonna já havia retirado meu pau do ponto morto e acabei presenteado com uma calorosa punheta na noite siberiana.

Gozei algumas gotas de uma porra sem viço. Engoli vinte e dois litros de choro gasoso, presenteados por uma raiva enraizada. Descontei meus infortúnios fodendo o ponto gay de Madonna com dois dedos rígidos, secos e arenosos da minha avacalhada mão esquerda.
“Morde meus peitos, sua bicha, morde meus bicos!”

Quase sem energia para mais nada, arranquei o que deveria ser um sutiã bem recheado e mordi os mamilos da mulher-macho, que se masturbava enquanto era fodida nos peitos e no rabo.

Madonna jogou sua dominação sobre meus ossos triturados, gozando a segunda dose das suas chispas retorcidas no centro do meu peito arfante.

Totalmente fora de si, a mulher-macho lambia seu próprio veneno espalhado nos vãos encardidos do meu tórax incolor.

Num abraço explicitamente carinhoso, unimos nossos corpos e bocas num beijo repleto de uma paixão inexistente. Aguardei o terceiro ato de um amor que não se prolongou.

Distante, Madonna pediu mais uma vez o meu celular emprestado, ligando pelo que entendi ser outro amigo que talvez pudesse vir buscá-lo naquele horizonte perdido, bem longe da realidade.

Após o demorado telefonema, acabamos cochilando – abraçados! – por tempo indeterminado.

Despertei ao pressentir os lamentos de uma moto que penetrara os arredores dos nossos domínios. Levantei com cuidado para não acordar minha amada. Caminhei até as ondas que cantavam para mim. Não olhei para trás.

Confiando meus poucos pertences a um ponto de tosca referência, joguei o que restava do meu ser nas águas sulfúricas. Purifiquei a pele carcomida pela areia.
O tempo passou… fora do tempo.

Ao sair das turbulências, nu, tiritando de frio, não captei nem sombra da minha material girl.

Chacoalhei feito um cão contrariado, desplugando os tecidos rugosos do meu corpo entristecido.

Vesti meus trajes subalternos, pequei as chaves, o celular e juntei os pedaços da minha alma imunda.

Voltei para a Casa Mofada, exausto, abatido, vitorioso, surpreso.
Paranoia total.

Mais uma aventura. Mais uma história pra contar. Mais um motivo para…

Moa Sipriano | Literatura Gay

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