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terça-feira, 3 agosto, 2021
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O Brasil aponta o defeito alheio e nega as suas realidades

Na Sociedade da informação as tecnologias facilitam a proliferação com rapidez de acontecimentos ocorridos em todos os países do mundo. A narrativa tendenciosa e a importância de alguns fatos colocam em destaque na mídia globalizada. As primeiras manifestações em Cuba nesse século, as quais segundo a mídia ocidental são estimuladas pela escassez de comida, energia, liberdade e os riscos de avanços da pandemia por falta de vacinas, nenhuma novidade para muitos habitantes da terra, mas nesse caso o destaque é pela questão ideológica. A Colômbia com as ruas em chamas causadas por uma proposta de reforma tributária que beneficia somente os ricos e pode aumentar a pobreza somente foi divulgado, porque teve alguns jogos de futebol cancelados. Já a Venezuela que vem enfrentando graves problemas sociais e econômicos, mas sustenta uma elite corrupta capitaneada por militares e milicianos e culpam o imperialismo da América do Norte pela escassez de recursos e oportunidades para a maioria da população já perdeu a visibilidade. No continente africano que tem poucos países organizados, a África do Sul pode ser citada como referência, porem está em clima de guerra civil e o estopim foi à prisão de um ex-presidente, mas o desemprego, a violência e a pandemia expõem as vísceras de uma sociedade desigual, mas não está em evidencia. As intervenções militares do ocidente as soberanias de outras nações tem efeitos contrários ao que prometem, são muitos os exemplos e o Afeganistão que sofre com o radicalismo de grupos religiosos teve seu território invadido por forças externas com a promessa de pacificar e sem sucesso estão batendo retirada das forças liderada pela potência americana, e deixando os radicais religiosos mais organizados para oprimir as liberdades principalmente das mulheres as quais não podem nem estudar, isso a mídia até esconde. Em vários pontos do globo a instabilidade social é o elixir para o avanço de líderes perversos, déspotas e desumanos.

Segundo levantamento feito em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Cerca de 19 milhões da população (9%) estavam passando fome, maior taxa desde 2004. Além de ser o maior índice em 17 anos, é quase o dobro do registrado em 2018, quando o IBGE identificou 10 milhões de brasileiros nessa condição. Os números de mortos por covid-19 e a negação dos mandatários a pandemia são sinais de extremismo na condução do país. Além disso, está na iminência de um colapso no sistema de energia elétrica. Então Cuba é aqui?

O parlamento brasileiro está debatendo uma reforma tributária e já levantou polêmicas, com a possibilidade de retirar incentivos das empresas para a alimentação do trabalhador. Tributar fortunas e heranças não deve avançar, pois vai afetar os financiadores do parlamento, fica evidente que essa ferramenta de distribuição de rendas não será utilizada e é menos uma possibilidade de avanços de uma sociedade carente. Portanto pode dizer que aqui é uma grande Colômbia, sem as manifestações.

A Controladoria-Geral da União (CGU), por meio do Portal da Transparência divulgou pela primeira vez dados sistematizados de pensionista militar. A União gastou R$ 19,3 bilhões com pensões de dependentes de militares em 2020. Das 226 mil pessoas que recebem este tipo de benefício no País, 137.916 delas, ou 60% do total, são filhas de militares já mortos. Os dados também revelam que as pensões nas Forças Armadas são maiores do que as dos servidores civis. É comum ouvir e ver pessoas no Brasil pedindo intervenção militar e o fim do Estado Democrático de Direito e com o aval do Chefe do Executivo que até ameaça as Instituições Republicanas com o uso das Forças do Estado. Algo comum em regimes totalitários de países como a Venezuela muito criticada por nossos governantes. Será que é uma inveja enrustida e o desejo é aparelhar o Estado seguindo o modelo do vizinho e manter as regalias aos homens de armas na cinta e garantir uma dinastia miliciana?

Se na África do Sul as manifestações são realmente pela injustiça, por aqui as esquerdas acreditaram no Estado de Direito e não foram as ruas demonstrando maturidade. Então aqui não é o país do extremo sul da África, outra característica que nos distancia é a questão da discriminação racial, pois não toleram essa doença e por aqui é um câncer ainda sem previsão de cura. A diversidade entre humanos deve ser respeitada e está difundida em todas as organizações sociais dos países avançados. Por aqui tem uma onda conservadora fundamentalista com uma pregação moralista similar ao grupo extremista talibã, pois acreditam em cura gay, defendem a submissão feminina e condenam o combate à diversidade, segundo eles são os elementos primordiais para uma sociedade justa. Diante desse pensamento radical o Afeganistão cabe nesse lugar?

Como escreveu o filosofo grego Aristóteles: “A única verdade é a realidade”.

Everton Araújo é economista e professor universitário

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