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quarta-feira, 1 dezembro, 2021
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Cuidado com o golpe do empréstimo falso

Não há dúvidas de que a pandemia trouxe, além dos evidentes, avassaladores e incontestáveis efeitos na saúde, também impactos na economia, atingindo principalmente famílias em situação de vulnerabilidade.

Muitos brasileiros se viram sem condições de sequer se manterem por mais de um semana em isolamento, pois não teriam o que comer.

Essa situação fez com que a busca por empréstimos pessoais em 2020 sofresse um aumento de mais de 10% em comparação com o ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central.

E o percentual de pessoas que recorreram aos empréstimos poderia ser ainda maior, se não fosse a grande quantidade de consumidores inadimplentes e que não conseguem ter um empréstimo aprovado em razão de restrições no nome.

Conforme Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), constatou-se que, em dezembro de 2020, 66,3% dos brasileiros estavam endividados.

Impedidos de contratar empréstimos com as instituições financeiras tradicionais, esses consumidores se tornaram presas fáceis aos golpistas que prometem “empréstimos para negativados e sem consulta ao SPC/SERASA”.

Das poucas instituições que realmente realizam esse tipo de serviço, a maioria oferece empréstimos com taxas de juros anuais que mais se assemelham a agiotagem.

Mas, além de se atentar às taxas e encargos de um empréstimo a ser contratado, é importante ter cuidado para não cair em golpes.

Grande parte de “instituições financeiras” e “correspondentes bancários” que anunciam na internet (Facebook e WhatsApp, principalmente) ou em folhetos distribuídos em ruas e terminais de ônibus, estão interessados apenas em tirar dinheiro de pessoas em situações de desespero, através de diversas formas de fraudes.

E como identificar o golpe?

Todos os golpistas que oferecem empréstimos com condições milagrosas, usam dados de instituições verdadeiras (brasileiras ou estrangeiras), e o contato é quase sempre por telefone ou WhatsApp.

Os criminosos costumam, ainda, enviar contratos com informações de CNPJ e que se assemelham a documentos oficiais, mas que não passam de um meio de ludibriar a pessoa que necessita de um empréstimo.

Ao receber esse tipo de contrato, o primeiro passo é verificar as informações do documento enviado. Normalmente, existem erros de português e de digitação, que não são encontrados em contratos de instituições sérias.

Além disso, faça uma pesquisa no Google pelo nome da suposta instituição, e confira se os dados e telefones batem com os que foram informados pela pessoa com quem está conversando.

Se encontrar algum número de telefone fixo, ligue e confirme se aquela pessoa que entrou em contato realmente trabalha na instituição.

Na maioria das vezes, com esses passos, é possível identificar se você está sendo vítima de um golpe.

Porém, existe um sinal definitivo, que é o pedido de dinheiro.

Após o envio do (falso) contrato assinado e de documentos pessoais, a pessoa é informada de que o empréstimo foi aprovado, mas que, para liberação do dinheiro, falta apenas o pagamento de uma taxa (IOF, CET, ou algum seguro). De acordo com o golpista, esse valor será posteriormente revertido ao consumidor.

Ocorre que nenhuma instituição bancária real faz qualquer pedido de pagamento antecipado para conceder um empréstimo, afinal, quem está precisando do dinheiro é o consumidor, e o banco é quem tem que arcar com os custos de taxas e tributos (ainda que isso fique embutido no contrato de empréstimo e seja diluído nas parcelas a serem pagas após a contratação).

E se, depois do pedido de depósito, você ainda tiver dúvidas sobre a idoneidade da instituição, confira o beneficiário da conta ou do boleto a quem será feito o pagamento da suposta taxa para concessão do empréstimo. Aposto que será uma pessoa física e não uma empresa, o que demonstra, sem a menor dúvida, de que está ocorrendo uma tentativa de estelionato.

E se o depósito já foi feito?

Mesmo após o pagamento, é provável que o golpista solicite ainda mais dinheiro, e quando a vítima optar pelo cancelamento do empréstimo inexistente, ainda será informada de que assinou um contrato e que será cobrada uma multa em percentual sobre o valor do falso empréstimo.

Ou seja, tentarão realizar uma nova tentativa de golpe.

Aqui, a recomendação é que seja registrado um Boletim de Ocorrência (principalmente considerando que o golpista coletou dados da vítima e pode ter fotos de documentos) e, se necessário, buscar o judiciário.

Portanto, muita atenção e cuidado ao contratar serviços financeiros pela internet. Na dúvida, é melhor deixar uma “boa oportunidade” passar.

Fábio Juliate Lopes é advogado criminalista e especialista em Ilícitos Cibernéticos

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