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terça-feira, 18 maio, 2021
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‘Paro alunos na rua para pedir que voltem à aula’ abandono nas escolas

A diretora Marília de Jesus Barbosa e seus colegas têm buscado os alunos, um a um, para lembrá-los de aderir ao ano letivo de 2021 na Escola Municipal Viveiros Raposo, em Alcântara, cidade de 22 mil habitantes no Maranhão.

“Quando a gente sente falta de um aluno, vai até a casa dele ou corre atrás dele na rua”, diz Barbosa sobre os esforços em manter os estudantes engajados depois de um ano difícil, de escolas fechadas e dificuldade em promover aulas remotas.

Quando começou a pandemia, um ano atrás, a Viveiros Raposo passou a entregar materiais de atividades para os alunos fazerem em casa e devolvê-las 15 dias depois. O contato com os professores era feito para tirar dúvidas.

“As famílias aqui são humildes. A maior questão é a dificuldade em estudar sozinhos, sem apoio. Muitos não têm internet ou celular em casa”, explica Barbosa. “Houve evasão, porque eles se desestimularam, ficaram tristes. Acabam querendo desistir.”

Por isso é que decidiram procurar os cerca de 400 estudantes individualmente, na tentativa de evitar que abandonassem a escola.

Para as turmas de ensino fundamental 2 (6° ao 9° ano), diz Barbosa, foi possível manter quase todas as matrículas. Com os cerca de 60 alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) foi mais difícil, “mas conseguimos trazer muitos deles de volta, falando que é importante concluir o fundamental para terem mais emprego, mais renda, e também para incentivarem os próprios filhos a estudar”.

“Quando não vou na casa deles, com carinho eu paro eles na rua quando os encontro, pergunto o que está acontecendo na família e falo que a educação é a melhor solução”, prossegue Barbosa. “Se a gente não for atrás, estará contribuindo para eles se afundarem ainda mais.”

O exemplo maranhense retrata um desafio enorme do ensino público de todo o Brasil em 2021: como conter o abandono escolar, sob a insegurança (financeira, alimentar e de saúde) provocada pela pandemia e em meio aos múltiplos percalços do ensino não presencial.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, em outubro de 2020, um contingente de 1,38 milhão de estudantes de 6 a 17 anos (3,8%) estava sem frequentar a escola, presencial ou remotamente. O percentual já era mais alto do que a média nacional de 2% registrada em 2019.

“A esses estudantes que não frequentavam, somam-se outros 4,1 milhões que afirmaram frequentar a escola, mas não tiveram acesso a atividades escolares e não estavam de férias (11,2%). Assim, estima-se que mais de 5,5 milhões de crianças e adolescentes tiveram seu direito à educação negado em 2020”, diz o relatório Enfrentamento da Cultura do Atraso Escolar, lançado neste ano pela Unicef, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância.

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