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quarta-feira, 16 junho, 2021
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“Army of the Dead” é definitivamente um filme de Zack Snyder: nas qualidades e nos defeitos

Chegou nessa sexta-feira (21) na Netflix “Army of the Dead: Invasão em Las Vegas” (2021) filme co-escrito e dirigido por Zack Snyder, que após anos de polêmicas com a Warner Bros. por causa de “Liga da Justiça” (ou o famigerado Snydercut, como queira) finalmente pode se libertar e aqui, dá um pontapé em outra fase da sua carreira, uma espécie de “volta as origens”, levando em consideração que após anos trabalhando com publicidade e clipes musicais, lá em 2004 dirigiu seu primeiro longa-metragem de Hollywood, o célebre “Madrugada dos Mortos”, um remake (ou releitura, como queira) do clássico trash “Dawn of the Dead” (1978), dirigido pelo mago dos zumbis modernos, o saudoso George. A. Romero.

Aqui em “Army of the Dead” temos uma trama extremamente simples, que caberia em uma linha: Um incidente causa um apocalipse zumbi em Las Vegas e um dos ricaços de lá quer recuperar US$ 200 milhões de dólares do cofre de seu luxuoso cassino / hotel e contrata um grupo de mercenários, liderado por um combatente experiente e falido, para recuperar o dinheiro e levarem assim uma parte. Mas as coisas não saem como o previsto, obvio. E é isso. Simples assim! Se você está procurando entretenimento puro e distração, achou a diversão do seu final de semana, até porque, não é nada além disso que o filme vai te entregar, já adianto. Aqui vemos Zack Snyder trabalhando “soltinho”, o que mais uma vez evidencia que seu trabalho tem sim bastante qualidade em muitos aspectos visuais (além de diretor, ele é o diretor de fotografia desse filme também) porém em síntese, desenvolvimento de personagens e o drama continuam sendo o ponto fraco do diretor, infelizmente. O filme tem 2 horas e 30 minutos de duração que caberiam certamente em 1 hora e 40 de filme: o que traria certamente mais dinamismo aqui (resolvendo o problema de ritmo que o filme muitas vezes apresenta).

Army of the Dead' tem pouco a propor a mundo já tomado pela pandemia -  19/05/2021 - Ilustrada - Folha
Army of the Dead apresenta grupo de mercenários atrás de grana em uma Las Vegas infestada de zumbis: o que poderia dar tão errado, afinal?

“Army of the Dead” tenta não cair na mesmice (e acaba caindo mesmo assim) ao apresentar uma categoria mais inteligente e ágil de zumbi (uma espécie de “macho alfa”, como no reino animal) que comandaria as demais legiões de zumbis completamente acéfalos, mas isso de fato não é desenvolvido direito no filme, que capricha sim na violência gráfica (sangue e tripas, saca?) e por fim, acaba entregando um filme inferior ao seu primeiro filme lá de inicio de carreira, o recém citado “Madrugada dos Mortos”. E dá-lhe câmera lenta, desfoque de lente e palheta de cores dessaturadas! Zack Snyder aqui é ele mesmo, sem medo de ser feliz. Mas calma que não é de todo mal, não. A Netflix investiu a soma de US$ 90 milhões de dólares nesse longa, o que dá para notar na tela, principalmente nos efeitos visuais. Valor de produção, ambientação, figurino e maquiagem não há o que pontuar, tudo é absolutamente caprichado e bem feito. Fico com algumas dúvidas com relação à atuação e o protagonismo de Dave Bautista, ex-lutador de Luta Livre que assim como The Rock ingressou no cinema, mas que também outrora teve uma passagem pelo MMA, aonde realmente dava porrada nas pessoas. Alguns coadjuvantes se destacam mais do que outros que são, absolutamente, descartáveis para não chover no molhado aqui (aquele típico personagem que você olha e diz “esse vai morrer rapidinho nesse filme, sem sombra de dúvida”).

Zack não economiza estilo na hora de mostrar do que é que “um filme de Zack Snyder” é feito!

Por fim “Army of the Dead” apresenta tudo o que há de bom no trabalho do Snyder e também tudo o que há de ruim, mesmo sendo louvável a persistência e teimosia dele em querer fazer as coisas do seu jeito, o que acaba apresentando uma assinatura muito característica na direção dos seus trabalhos, goste ou não do resultado (e nem sempre eu gosto), acho louvável o esforço e dedicação do cara. Acredito que ele tenha acrescentando algumas camadas de drama familiar (principalmente envolvendo um pai e uma filha) baseado em suas próprias experiências pessoais recentes (uma filha adotiva se suicidou há alguns anos). Mas voltando para concluir sobre o filme: É o tipo de diversão sem compromisso mesmo, que tenta fugir de alguns clichês apresentam boas ideias, mas que no conjunto da obra, não funcionam tão bem juntas. Se quiser conferir para se distrair, vá mas por sua conta e risco (e esteja pronto pra ver um trash com dinheiro, bastante dinheiro). Vamos ver se Las Vegas e seus zumbis fazem aqui Zack Snyder e a Netflix “ganharem na loteria”, com o perdão do trocadilho, e seja o início de uma parceria duradoura e mais bem-sucedida com um estúdio que acredite no potencial de suas ideias, né? Bom filme pra vocês!

Felipe Gonçalves

Apresentador e colunista do Novo Dia Geek

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