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quarta-feira, 16 junho, 2021
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A democracia brasileira em apuros

Após uma análise cronológica da conjuntura econômica, social e politica do Brasil o que nos apresenta como pretérito, está no presente e com forte tendência de permanecer no futuro. Déficit em conta corrente, desvalorização cambial, divida pública galopante, desemprego em massa, insegurança alimentar, violência generalizada, milhares de trabalhadores em desalento, inflação sem controle, desconfiança nos dados macroeconômicos, queda nos investimentos diretos por insegurança, dependência do mercado externo, instabilidade politica, inabilidade com as instituições públicas, demonização dos servidores públicos, discurso moralista, verdade intersubjetiva, desmonte do Estado como solução, difusão de milagres da salvação e Líder arrotador, alardeador, gabola, valentão, ufano, bravateador, bufão, farofeiro, impostor, presunçoso, pretensioso, vaidoso, vanglorioso e preguiçoso. Se ficar somente nesse tópico nos remete há vários períodos da nossa história. 

Desde o ditador Getúlio Vargas que estruturou uma máquina de propaganda com práticas fascistas para divulgar os feitos do governo e convencer a população que a ditadura getulista era o melhor. O governo censurava a imprensa em geral para que não houvesse vozes dissonantes e convenceu as massas de que cuidava dos pobres, mesmo privilegiando os ricos. Fez escola e os seus sucessores usaram das mesmas enganações, porém com retoricas diferentes sempre aproveitando da ingenuidade do povo para chegar ao poder. Discursos baseado na moralidade política, nos bons costumes e no combate à corrupção prometendo varrer a sujeira, parece atual, mas já usado no inicio da década de 1960. Da proibição de biquíni em desfiles de moda ao assedio moral ao funcionalismo público foram bravatas usadas como realizações.

A liberdade do povo sempre foi cerceada, ou pela distorção da realidade ou pela violência estatal práticas habituais em regimes totalitários como o que governou o País de 1964 a 1984, da manipulação de fatos a deportação, assassinatos e prisão de opositores. A liberdade ao voto por intermédio de sufrágio universal veio como alternativa e na realidade foi mais uma distorção, pois as elites financeiras e intelectuais já percebiam o esgotamento do modelo milagroso capitaneado pelos quarteis e gritaram “diretas já”. Veio à nova era que foi marcada com o caçador de marajás prometendo acabar com as regalias dos políticos e do alto escalão do governo. E a reentrada na democracia foi grifada por: Destituição do Presidente por corrupção, descaracterização do patrimônio público, demonização do Estado e a ideia de modernizar para avançar. Inegável que houve alguns avanços, muitos dos quais regidos pela força da conjuntura global. A democracia apesar das suas fragilidades demonstrou suas vantagens e alicerçada pela Nova Constituição de 1988 deu suporte a mudanças estruturais com efeitos positivos permanentes. Apesar dos progressos socioeconômicos a vaidade dos homens que ocupam o topo da pirâmide politica continuou com um intelectual no Poder que veio a negar o que escreveu e atolou o país em uma crise estrutural, mas preservou algumas conquistas elementares.

O povo no poder um jargão da Revolução Francesa dava sinais de que o Brasil havia alcançado esse feito, com ascensão de um operário ao topo, apesar dos riscos manteve os pés no chão e houve avanços sociais e democráticos os quais foram ofuscados pelas amarras com as elites interessadas no gordo orçamento público, capaz de financiar sem barreiras, bolsas em universidades particulares, grandes eventos internacionais com obras de infraestrutura e até anistiar de impostos as grandes cadeias produtivas sem exigir contrapartidas.

O ufanismo como elemento construtor da identidade brasileira, faz com que as massas distorçam a realidade, confundam o real e o imaginário. Os brasileiros com seu caráter pacifista se isentam de encarar a realidade desfavorável o que é muito perigoso. Atualmente estamos presenciando uma postura arriscada jamais visto na história republicana brasileira, e os discursos apesar de repetidos são recheados de mentiras, ameaças, ódios, arrogâncias e a negação da verdade. Dessa vez o problema maior está nas pessoas que ocupam o Poder, pois são carentes de escrúpulos, envergadura moral, responsabilidades e compromissos com a coletividade. A naturalização da fome, da morte, da escravidão e as agressões à propriedade estatal e as minorias são evidentes, o que tende a gerar conflitos sem precedentes. A saída é pela porta da democracia e não pelas frestas do autoritarismo.

Everton Araújo é economista e professor universitário. 

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