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terça-feira, 18 maio, 2021
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Fumo causa mais de 50 doenças. Mas tem como evitá-las

O cardiologista Carlos Henrique desenvolve um trabalho de conscientização para fumantes na região de Jundiaí desde de 2007

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o hábito de fumar é a principal causa de morte evitável no mundo. Sete milhões de pessoas morrem no mundo anualmente por doenças relacionadas ao fumo, e são mais de 50 doenças diferentes. As principais causas de morte provocada pelo cigarro são as doenças cardiovasculares, câncer e doenças respiratórias.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tabagismo é reconhecido como doença crônica causada pela dependência da nicotina presente nos produtos à base de tabaco. De acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), o tabagismo integra o grupo de transtornos mentais e comportamentais em razão do uso de substância psicoativa. Ele também é considerado a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo.

O tabagismo é doença que contribui para o desenvolvimento do câncer, como leucemia mielóide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer de rim e ureter; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago; câncer de cólon e reto; câncer de traquéia, brônquios e pulmão.

O Instituto Nacional de Câncer específica que uso do cigarro também contribui para o desenvolvimento de outras enfermidades, como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.

O médico cardiologista Carlos Henrique desenvolve trabalho de conscientização para fumantes na região de Jundiaí desde de 2007. O programa já atendeu mais de sete mil fumantes de forma totalmente gratuita. “Quando cheguei na Prefeitura de Jundiaí apresentei a ideia do programa a médica Márcia Facci, que apoiou a criação do programa. O que era um sonho se transformou em realidade com a ajuda de muitos”, diz o médico.
O trabalho de conscientização é feito através da técnica cognitiva comportamental e motivacional em grupo; o paciente também recebe medicação para tratar os sintomas de abstinência – que dificulta o tabagista a parar de fumar. O índice de sucesso é superior a 80 % até o 6° encontro. Os encontros são semanais, em grupos, e a partir do 3° encontro são fornecidos os medicamentos e a maioria para de fumar entre o 4° e 5° encontro.

O tabaco tem sido apresentado com diferentes formas para consumo. Todas elas, independente da maneira de como é utilizada, traz prejuízos à saúde das pessoas. Seja fumando cigarro industrializado, cigarro de palha, cigarro de bali e até mesmo o narguilé.
De acordo com o médico, até mesmo quem não fuma e fica exposto à fumaça do cigarro tem o risco de adoecer e até de morrer – isso através das exposições das substâncias tóxicas. “O número de pessoas que utiliza narguilé tem aumentado, ainda mais na população jovem. O produto também é prejudicial – uma hora de rodada de narguilé equivale a exposição de 100 cigarros, ou seja 5 maços. Uma dose elevadíssima”.

Mas os problemas do cigarro não param aí; segundo o médico, também tem o aspecto social e econômico. “Quanto menor o poder aquisitivo maior o comprometimento do orçamento doméstico com o cigarro. Devemos também considerar os custos do sistema de saúde para tratar as complicações do tabagismo. Mas lembro que a saúde e a vida não têm preço”. Este mês a Urbem Magazine conversou com o médico cardiologista Carlos Henrique.

Qual a importância para o sistema de saúde ter menos fumantes ativos?

Menos fumantes significa menos doenças crônicas, como as doenças cardiovasculares, câncer e doenças respiratórias. Menos fumantes significa maior longevidade e mais qualidade de vida.

Atualmente na pandemia como estão sendo feitos esses encontros?

A pandemia nos trouxe algumas dificuldades. Em alguns momentos não pudemos fazer os encontros em grupo, passamos a fazer atendimentos individuais e também fizemos lives no Facebook, mas não tem a mesma força dos encontros em grupo. Também percebemos um maior índice de recaídas em função do estresse, da ansiedade e do luto.

Quantos profissionais estão envolvidos no programa?

São muitos profissionais envolvidos. Não conseguimos nada sozinhos. Temos uma equipe dedicada, competente e comprometida em ajudar o fumante a deixar de fumar. Temos a colaboração dos gestores, médicos, enfermeiras e agentes comunitários de saúde.

Existem ações preventivas para a criança ou o adolescente não iniciar no vício?

Sim, já fizemos algumas ações conjuntas com o setor de educação. As ações nas escolas previne que as crianças e adolescentes comecem a fumar e esses estudantes levam as informações para seus familiares, incentivando seus familiares fumantes a deixarem de fumar.

Como é o processo dentro do PAIT para quem quer parar de fumar?

Aplicamos as técnicas cognitivo-comportamental e motivacional em grupo. São seis encontros semanais, onde a ajuda mútua é a essência. O fumante chega com a mão estendida pedindo ajuda e quando deixa de fumar estende a outra mão oferecendo ajuda, assim estará acolhendo e sendo acolhido. Aqueles fumantes que necessitam de medicamentos para aliviar os sintomas de abstinência recebem a medicação gratuitamente.

Recomendamos que o ex-fumante frequente mensalmente os encontros por pelo menos um ano para a prevenção das recaídas. É extremamente gratificante participar do PAIT pois testemunhamos a transformação da pessoa que passa a ter saúde, qualidade de vida e felicidade após parar de fumar.

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