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terça-feira, 18 maio, 2021
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Como eram o amor, o sexo e o casamento no Egito Antigo

A figura da fertilidade feminina com caráter erótico: antigos egípcios não eram tão diferentes das sociedades modernas nas questões do coração e do desejo

Você pode pensar que o comportamento dos antigos egípcios era muito diferente do nosso. Mas não muito: eles tinham as mesmas dúvidas, medos e motivações em relação aos conceitos de amor, sexo e casamento que nós. A diferença está na maneira como lidavam com essas emoções. No mundo moderno, o sexo vende e, às vezes, também pode ser considerado tabu. Isso é algo que um egípcio antigo típico não teria entendido.

Para os egípcios, sexo era um elemento básico da vida, junto com comer e dormir e, portanto, não era algo sobre o que se poderia rir, que se poderia evitar ou gerar vergonha. E por falar nisso, a língua egípcia, como as modernas, possuía vários vocábulos para a relação sexual. Assim como, naturalmente, eufemismos que podiam ser usados ​​poeticamente como “vincular-se”, “encontrar-se”, “passar uma agradável hora juntos”, “entrar numa casa”, “dormir com” ou “divertir-se com”… Na verdade, a poesia é uma fonte notável de aprendizado sobre questões do coração e da libido no Egito Antigo.

Cenas de luta nas paredes da tumba de Kethi, Beni Hasan, Egito, onde foi encontrada a única imagem de um casal fazendo amor. Infelizmente, devido a centenas de pessoas tocando nela ao longo dos anos, essa imagem única há muito se desvaneceu.

Eles também tinham várias palavras ara descrever os órgãos sexuais femininos, como xnmt (útero), iwf (carne), kns (região pubiana) ou k3t (vulva). Outros eram mais sutis, como keniw ou “abraço”. Um poema do Império Novo (período da história egípcia antiga entre o século 16 e o 11 a.C.), por exemplo, descreve um relacionamento romântico dizendo: “Ela me mostrou a cor de seu abraço”. “Cor” costumava ser usada como eufemismo para pele, e na poesia encontramos frases como “ver a cor de todos os seus membros” ou “sua cor era suave”. No entanto, nem toda a poesia era tão sutil: há uma que descreve um jovem querendo “correr em direção à sua gruta”, metáfora que realmente não precisa ser explicada.

Os antigos egípcios também usavam linguagem sexual para insultar, praguejar e como exclamações mais gerais. Para apressar um colega de trabalho, um barqueiro egípcio poderia ter dito: “Rápido, fornicador!”, como atestado no túmulo de Ti, do Império Antigo, em Sacara, um sítio arqueológico do Egito, que funcionou como necrópole da antiga cidade de Mênfis. A expressão, aparentemente, foi considerada inofensiva o suficiente para ficar no túmulo com o falecido por toda a eternidade.

Embora o sexo fosse uma parte normal da vida cotidiana, era preferível que ficasse confinado ao casamento, razão pela qual a maioria das pessoas se casava, muitas vezes em idade jovem. Como a poesia de amor do Império Novo é repleta de desejos sexuais e românticos, além de amor não correspondido, encontramos pistas sobre as práticas culturais da época por meio dos poemas. Por exemplo: “Ele não sabe da minha vontade de abraçá-lo, senão escreveria para minha mãe”, permite-nos saber que, se um jovem quisesse se casar, deveria falar com a mãe da moça para obter permissão.

Um poema do Império Novo explica como tarefas simples são impossíveis por causa do amor: “Ele não me deixa agir com sensatez”. Os casais apaixonados também se davam apelidos afetuosos, como “O felino”, “A tão procurada” e “Ela (que é) de temperamento explosivo como um leopardo”.

O casamento era um evento simples, sem cerimônia religiosa ou civil; geralmente a mulher — embora ocasionalmente o homem — simplesmente mudava-se para a casa do marido, talvez acompanhada por uma procissão pelas ruas e uma festa. Sem nada cerimonial ou oficial, a maioria dos casamentos foi deixada em situação irregular, mas os casais ricos muitas vezes assinavam contratos delineando as consequências financeiras de um divórcio. Mas mais intrigantes são os documentos que descrevem casamentos temporários ou de teste:

“Você estará em minha casa enquanto estiver comigo como uma esposa a partir de hoje, o primeiro dia do terceiro mês do inverno do décimo sexto ano, até o primeiro dia do quarto mês da estação das cheias do ano dezessete”. Esse casamento temporário ficou conhecido como “um ano comendo” e permitia ao casal tentar o casamento, bem como uma saída rápida caso não houvesse filhos durante este período ou se decidissem que não estava dando certo.

A vida de casado no Egito Antigo não era muito diferente do que é hoje, e um casal tinha muitas das mesmas preocupações: essencialmente criar, alimentar e prover um lar para sua família. No entanto, nem todos os enlaces do Egito Antigo eram perfeitos, e papiros médicos mostram que os homens costumavam consultar médicos devido a problemas sexuais dentro do casamento.

Havia inúmeras receitas disponíveis para o marido seduzir a esposa. “Remova a caspa do couro cabeludo de uma pessoa morta que foi assassinada e sete grãos de cevada, enterrados na sepultura de uma pessoa morta, e esmague-os com dez onças de sementes de maçã. Adicione o sangue de um carrapato de cachorro preto, uma gota de sangue do dedo anular da sua mão esquerda e o seu sêmen. Esmague-o até formar uma massa compacta, coloque-o em um copo de vinho… e deixe a mulher beber”. Certamente seria difícil persuadir uma esposa desinteressada a beber tal poção, mas, se o fizesse, acreditava-se que ela se apaixonaria perdidamente pelo marido novamente.

Nesse caso, dava-se o passo seguinte, que era moer sementes de acácia com mel e “esfregar isso no seu falo e dormir com a mulher”. Se isso não funcionasse, o homem era aconselhado: “Esfregue seu falo com a espuma da boca de um garanhão e durma com a mulher”. O mesmo nível de ajuda médica não estava disponível para a esposa, pois era considerado impróprio para uma mulher consultar um médico sobre esses assuntos: “Uma esposa é uma esposa. Ela não deve fazer amor. Ela não deve ter relações sexuais”.

Isso deixa claro que era considerado impróprio que uma mulher desejasse fazer sexo, pois ela só deveria estar disponível para o marido a seu pedido. Os casamentos eram dissolvidos por vários motivos, sendo o mais comum a ausência de filhos ou o adultério. Embora as mulheres em teoria não devessem desejar relações sexuais, o adultério era considerado “o grande crime (geralmente) encontrado em uma mulher”. Mas tanto homens quanto mulheres cometiam adultério, e tanto homens quanto mulheres podiam dar início a um divórcio por causa disso. O adultério era tão comum que aparecia no Livro dos Mortos na chamada “Confissão Negativa”, onde o falecido negava ter feito coisas consideradas ilegais ou socialmente inaceitáveis.

É na última categoria que cai o adultério, e a Instrução de Ani (dinastia 21 ou 22 por volta de 1.000 aC) aconselha os novos maridos: “Segure o coração disparado. Não vá atrás de uma mulher; não deixe que ela te roube o coração”. Embora o divórcio fosse geralmente concedido por adultério, se o marido desejasse, ele poderia solicitar que sua esposa adúltera fosse severamente punida, em alguns casos com mutilação ou execução. No entanto, essas punições severas geralmente eram o enredo de contos literários, e o divórcio era mais fácil e comum no mundo real.

Tanto homens quanto mulheres podiam se divorciar, basta o homem dizer um “te expulso”, ou a mulher falar “estou indo embora”, ou qualquer um dos cônjuges soltar um “estou me divorciando de você”. O divórcio geralmente era tão simples quanto um casamento, com a mulher saindo da casa do marido, voltando para a casa do pai ou para a sua. O divórcio não trazia nenhum estigma social, e tanto homens quanto mulheres se casavam novamente e muitos tinham famílias numerosas. No entanto, se uma mulher se divorciava quando tinha 30 anos, era raro ela se casar novamente. Nessa idade, ela era considerada velha.

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