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sábado, 17 abril, 2021

O consumo das famílias como espinha dorsal da economia brasileira

A pandemia foi a grande vilã para a queda do produto interno bruto de todos os países. As variáveis que compõem a demanda agregada são consumo das famílias, investimento privado, gastos do governo e setor externo, apesar de indicar o comportamento micro e macro econômico de todas as economias, cada nação tem algumas variáveis com mais importância no equilíbrio da economia.

Com o recuo da economia brasileira ficou evidente a sua dependência dos gastos do governo ao provocar um deslocamento forçado da curva de demanda ao disponibilizar recursos financeiros para atender aos agentes sociais com dificuldade de sobrevivência. Com a atividade econômica em recessão o poder de compra das famílias é afetado pelo desemprego, ausência de crédito e o aumento de preços de produtos básicos para a manutenção da vida. É sabido que capacidade de compra nativa deriva, quase exclusivamente, da atividade econômica que se exerce no próprio país.  Mas o governo atual por falta de planejamento e compromisso com o país continua estimulando o setor exportador de bens primários, induzindo a dolarização do mercado interno.

O setor privado está diante de um cenário de incertezas quanto à recuperação do poder de compra da sociedade e dos gastos do governo essenciais para estimular o empresário a investir em sua capacidade de oferta de bens e serviços. Uma politica comercial consistente nos setores de base como energia, derivados de petróleo e insumos agrícolas pode ter efeitos positivos em cadeias produtivas importantes.

A crise financeira de 2008 provocada pela bolha no mercado imobiliário da maior economia do planeta contaminou todo o conjunto de atividades econômicas nos mercados globais. O Brasil estrategicamente adotou algumas medidas anticíclicas as quais foram elementares para a recuperação do mercado interno. Em períodos adversos não adotar critérios firmes para proteger os mais vulneráveis e preservar a unidade nacional é condenar gerações a desgraça. Na atual conjuntura sou obrigado a rever o conceito de soberania criticado pelo cientista camaronês Achille Mbembe “ser soberano é exercer controle sobre a mortalidade e definir a vida como a implantação e manifestação de poder.” Logo, neste sentido, “a soberania é a capacidade de definir quem importa e quem não importa, quem é ‘descartável’ e quem não é.” E justamente nesse sentido que a população brasileira esta sendo conduzida com desprezo aos pobres, aos recursos naturais e as unidades produtivas pequenas.

A justificativa para aumento de preços nos derivados de hidrocarbonetos pode ser tolerável em momentos de ascensão das classes sociais, pois o impacto na renda é possível absorver. Mas dizer que o mercado vai desistir de comprar os ativos da petrolífera brasileira se romper com a modelagem de preços praticados no momento é um discurso enganador, pois essa companhia sempre foi a maior das blue chips da bolsa de valores do Brasil e é a recordista mundial em captação de capital financeiro em uma subscrição, exatamente no período no qual os preços eram administrados pelo governo. A Petrobras captou uma bagatela de 71 bilhões de dólares no ano 2010. 

Em sociedades capitalistas o movimento econômico, sempre se impõe, mas está também sujeito às repercussões do movimento político criado por ele mesmo e dotado de relativa independência para determinar uma sinergia entre os gananciosos donos dos meios de produção e a massa de trabalhadores. O risco da imposição permanece quando o governo está radicalmente alinhado aos interesses de grupos que tem no estado a sua estratégia competitiva.

O crescimento econômico é indispensável para a saciedade das necessidades humanas moldadas pelo desenvolvimento, evidentemente que no Brasil esse processo é inverso, pois tal alargamento da economia aumenta a concentração de rendas e a segregação daquele que é responsável pela produção. Esse fenômeno está claro quando comparamos os impactos provocados pelo vírus nas diversas regiões do globo. Como na Inglaterra que teve uma queda do PIB chegando ao dobro do Brasil, porem o chefe da nação não colocou a inevitável crise econômica diante da evitável crise sanitária.  Acorda povo gigante!

“A soberania é inalienável e indivisível e deve ser exercida pela vontade geral, denominada por soberania popular”. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

Everton Araújo
Economista e professor universitário

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